O sucesso de “Corra que a polícia vem aí”, em 1988 provou aos estúdios de Hollywood que o público precisava rir. Não em comédias intelectuais e sofisticadas como as de Woody Allen e nem tampouco em bobagens adolescentes com temática puramente sexual como as da série “Porky’s”. O público queria rir sem pensar muito e aprovou com louvor o filme de David Zucker. Uma continuação, no entanto, era só questão de tempo. E o tempo passou, fazendo com que Zucker entregasse o segundo capítulo das desventuras do atrapalhado Tenente Frank Drebin (vivido com propriedade pelo hilário Leslie Nielsen).
Enquanto no primeiro capítulo Drebin deitava e rolava enquanto tentava impedir um atentado contra a Rainha Elizabeth, dessa vez ele precisa lidar com uma ameaça contra o meio-ambiente. Tentando superar a separação da mulher que ama, Jane (Priscilla Presley, com o timing cômico intocado), ele descobre que os líderes que detem os domínios sobre a distribuição de energia nos EUA tem um plano de sequestrar um cientista que pretende mudar as regras do jogo e substituí-lo por um sósia. Ao lado dos colegas de equipe, o capitão Ed Hocken (George Kennedy) e o detetive Nordberg (O.J.Simpson), Drebin fica sabendo ainda que o mentor do plano, o empresário Quentin Hapsburg (Robert Goulet) é o novo namorado de Jane, o que o incentiva ainda mais a acabar com o plano maligno.

Assim como acontecia no primeiro filme, a história é apenas um pretexto para que Leslie Nielsen desfile pela tela com sua aparência mais tranquila enquanto causa atrocidades sem dar-se conta disso. Um exemplo claro é a sequência inicial, em que espanca a então primeira-dama Barbara Bush durante um jantar cerimonioso - em que até uma batata vai parar no turbante de Winnie Mandela. Sim, não há limites para o humor de Zucker e cia, que são capazes de provocar risadas com piadas inteligentes e com gags visuais que beiram o infame. Mais uma vez são tantos detalhes nonsense em cada cena que é preciso ter uma atenção redobrada para não deixar escapar nada.
"Corra que a polícia vem aí 2 1/2" é mais do mesmo, sim. Mas é engraçadíssimo ainda assim, reiterando o poder criativo de seus criadores e o talento inegável de Leslie Nielsen no papel mais marcante de sua carreira. Para ver e dar muitas gargalhadas sempre.
