Eu tenho pena das crianças e pré-adolescentes de hoje em dia. Não apenas tiveram suas férias reduzidas a quase nada (e pensar que eu tinha quase três meses de férias de verão) como ainda por cima não tem uma Sessão da Tarde decente para diminuir o cansaço do ano letivo. Pode até soar nostálgico, mas era delicioso ficar em casa à tarde, assistindo seriados bobos e principalmente curtindo filmes realmente bons. A quanto tempo, por exemplo, a Globo não reprisa "Os Goonies", "Admiradora Secreta", "Namorada de Aluguel" e "Mulher Nota 1000"? Tudo bem, vistos com olhos críticos eles até podem ser ruins, mas e a memória afetiva não conta?
Mas nenhuma Sessão da Tarde é tão boa, tão divertida, tão revolucionária (ao menos em termos juvenis) do que "Curtindo a vida adoidado". Dirigido por John Hughes - que marcou toda a minha geração com seus "Clube dos cinco", "A garota de rosa-shocking" e "Gatinhas e gatões" - a odisséia de Ferris Bueller (em atuação marcante e jamais esquecida de Matthew Broderick) por um dia de folga de seus deveres estudantis faz de todo mundo jovem novamente. Quem nunca quis fazer todas as loucuras que o carismático Ferris fez? Quem nunca questionou o futuro, como seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck)? Quem consegue resistir a "Twist and shout"? Quem nunca vibrou com o fracasso do inspetor vivido por Jeffrey Jones?
"Curtindo a vida adoidado" é um filme irresistível. É engraçado, é leve, é agradável e é a materialização dos desejos de todo e qualquer aluno que já sonhou em sumir da escola para aproveitar um dia de sol...
