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Tuesday, February 28, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 18 - MELHOR ANIMAÇÃO
Eu confesso que não sou chegado a desenhos animados. Mais de trinta minutos de um filme animado já é o suficiente pra me deixar impaciente. Mas quem tem sobrinhos precisa, de vez em quando, dar uma olhadinha no que está acontecendo no mundo do cinema sem atores de carne-e-osso. Por mais que eu ache "O Rei Leão" um belo filme e tenha boas lembranças dos desenhos de Walt Disney que marcaram a minha infância, acho que o melhor de todos é uma trilogia: "Toy story" é uma delícia. Engraçado, emocionante e com uma história excelente, é, sem dúvida, meu preferido. Os três filmes são os únicos desenhos animados que eu consigo assistir mais de uma vez sem cair no sono... E sem falar que as personagens são encantadoras e a mensagem é de comover qualquer um...
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Tuesday, February 21, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 17 - BRASILEIRÃO
É possível reunir um roteiro decente, atuações inesquecíveis, um tema relevante e um nível técnico de primeiro mundo em um filme nacional? Até há poucos anos a resposta seria um inequívoco NÃO. Mas aos poucos o cinema brazuca anda dando mostras de um amadurecimento inconteste. E, para cada "As mães de Chico Xavier" que somos obrigados a engolir, surge um candidato a obra-prima. Mas, por mais que "Tropa de elite 2" seja merecidamente a maior bilheteria do nosso cinema até hoje, seria injusto não homenagear aquele filme que abriu definitivamente as portas para que o Brasil passasse a ser reconhecido como potencial pólo cinematográfico. Dirigido por Fernando Meirelles (hoje já em pagos hollywoodianos), "Cidade de Deus" conseguiu o que parecia impossível: agradou o público (um imenso público, diga-se de passagem), a crítica, os membros da Academia de Hollywood e todo mundo que é fã de bom cinema - além de ter legado à história um dos mais apavorantes vilões que se tem notícia, o temido Zé Pequeno...
Quanto mais eu assisto a "Cidade de Deus", mais eu gosto! Obra-prima inquestionável!
Quanto mais eu assisto a "Cidade de Deus", mais eu gosto! Obra-prima inquestionável!
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Tuesday, February 14, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 16 - MELHOR-DURÃO-QUE-NO-FUNDO--É-CORAÇÃO-MOLE
Ele passou por western-spaghettis, por policiais setentistas e até viveu o cineasta John Huston em busca de um elefante em "Coração de caçador". Mas é como um homem sensível que Clint Eastwood atinge seu ápice como ator e personalidade. Na pele de Robert Kincaid, fotógrafo da National Geographic que entontence a dona-de-casa Meryl Streep em "As pontes de Madison", o velho e bom Eastwood já dava mostras de que por debaixo de toda aquela frieza aparente existia um coração. Mas foi como o treinador de Hilary Swank em "Menina de ouro" - que lhe deu seu segundo Oscar de direção - que ele provou que - mais que tiros - ele consegue arrancar lágrimas de esguicho de qualquer espectador com um mínimo de sensibilidade.
Eastwood é bom como durão! Mas é melhor ainda como um homem que chora!
Eastwood é bom como durão! Mas é melhor ainda como um homem que chora!
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Monday, February 13, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 15 - MELHOR HORIZONTE (FOTOGRAFIA INESQUECÍVEL)
Contar uma história em imagens é uma arte. E alguns dos mais impactantes e inesquecíveis filmes contam com um diretor de fotografia como profissional essencial. Como esquecer o glorioso technicolor de "E o vento levou", por exemplo? E os coloridos gritantes dos filmes de Pedro Almodovar? E os horizontes dos westerns de John Ford?
Mas confesso que tenho uma queda por filmes em preto-e-branco, sejam eles clássicos ou contemporâneos. E uma das fotografias que mais me deslumbraram (deslumbram, deslumbrarão) é aquela que Janusz Kaminski criou em "A lista de Schindler". Parte integrante e essencial da narrativa de Steven Spielberg, ela é chocante, poética, realista mas nunca deixa de ser deslumbrante. Merecidamente premiada com o Oscar, é uma aula para qualquer diretor de fotografia. Impecável!
Mas confesso que tenho uma queda por filmes em preto-e-branco, sejam eles clássicos ou contemporâneos. E uma das fotografias que mais me deslumbraram (deslumbram, deslumbrarão) é aquela que Janusz Kaminski criou em "A lista de Schindler". Parte integrante e essencial da narrativa de Steven Spielberg, ela é chocante, poética, realista mas nunca deixa de ser deslumbrante. Merecidamente premiada com o Oscar, é uma aula para qualquer diretor de fotografia. Impecável!
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Friday, February 10, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 14 - BATENDO PAPO (MELHOR DIÁLOGO)
Não há como deixar Woody Allen de fora de uma lista dessas, principalmente se a questão for "melhor diálogo". Mestre das palavras, Allen sabe como ninguém fazer rir com piadas inteligentes e partir o coração como acontece na cena abaixo. O filme? "Manhattan", um dos melhores trabalhos do diretor/roteirista. E um dos meus favoritos, disparado.
Tem como não se encantar com a sequência final dessa obra-prima? Dentre tantos diálogos saborosos e poéticos, como não se emocionar com "Nem todo mundo se corrompe... Você tem que ter mais fé nas pessoas!"?
Infelizmente não consegui achar um vídeo com a cena legendada... Mas vale a pena, confiem em mim...
Tem como não se encantar com a sequência final dessa obra-prima? Dentre tantos diálogos saborosos e poéticos, como não se emocionar com "Nem todo mundo se corrompe... Você tem que ter mais fé nas pessoas!"?
Infelizmente não consegui achar um vídeo com a cena legendada... Mas vale a pena, confiem em mim...
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Tuesday, February 7, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 13 - MAIOR ROUBADA CINEMATOGRÁFICA
Quem vai ao cinema com frequência sabe que assistir a filmes ruins é uma coisa da qual ninguém está livre. Nem mesmo aqueles elogiados e premiados ficam de fora dessa lista. Para ilustrar minha teoria, o meu escolhido para ser a maior roubada cinematográfica ganhou Oscar de melhor filme, diretor, ator e roteiro original, mas, a meu ver, é uma das maiores bombas dos últimos anos. Sim, estou falando de "O discurso do rei".
Festival de clichês, o filme de Tom Hopper parece ter sido feito sob medida para encantar os membros mais conservadores e preguiçosos da Academia, que o prefereriam a obras inovadoras e muito mais inteligentes, como "Cisne negro" e "A origem". Chato, previsível, visualmente pobre e exageradamente "autoajuda", é daqueles filmes que me despertaram uma única vontade na sala de cinema: sair correndo dela o quanto antes.
Me desculpem os fãs, mas pra mim, foi uma roubada tremenda.
Festival de clichês, o filme de Tom Hopper parece ter sido feito sob medida para encantar os membros mais conservadores e preguiçosos da Academia, que o prefereriam a obras inovadoras e muito mais inteligentes, como "Cisne negro" e "A origem". Chato, previsível, visualmente pobre e exageradamente "autoajuda", é daqueles filmes que me despertaram uma única vontade na sala de cinema: sair correndo dela o quanto antes.
Me desculpem os fãs, mas pra mim, foi uma roubada tremenda.
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Sunday, February 5, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 12 - MELHOR ANO DA HISTÓRIA DO CINEMA
Já virou uma espécie de lugar-comum dizer que 1939 foi o ano de ouro de Hollywood, graças a filmes como "...E o vento levou" e "O mágico de Oz" e qualquer cinéfilo é obrigado a concordar com essa afirmação. Mas sessenta anos depois outro ano também foi de alegrar qualquer fã da sétima arte. Quem duvida que 1999 foi um ano muito especial só precisa dar uma refrescada na memória. Vamos lá?
No ano de 1999 cineastas de grande prestígio visitaram as telas: Milos Forman com sua cinebio "O mundo de Andy", com grande atuação de Jim Carrey; Paul Thomas Anderson com sua obra-prima "Magnólia"; Woody Allen com "Poucas e boas"; Pedro Almodovar com "Tudo sobre minha mãe"; Martin Scorsese com "Vivendo no limite"; David Fincher com "Clube da luta" e David Lynch com "História real".
O Oscar teve concorrentes sensacionais, como "Beleza americana" - estreia genial de Sam Mendes -, "O sexto sentido" - que revelou M. Night Shyamalan -, "O talentoso Ripley", de Anthony Minghella, "O informante", de Michael Mann, "Meninos não choram", de Kimberly Pierce, "Fim de caso", de Neil Jordan, "À espera de um milagre", de Frank Darabont e "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze.
Convenhamos, quantos anos tiveram a sorte de contar com tanta coisa boa???
No ano de 1999 cineastas de grande prestígio visitaram as telas: Milos Forman com sua cinebio "O mundo de Andy", com grande atuação de Jim Carrey; Paul Thomas Anderson com sua obra-prima "Magnólia"; Woody Allen com "Poucas e boas"; Pedro Almodovar com "Tudo sobre minha mãe"; Martin Scorsese com "Vivendo no limite"; David Fincher com "Clube da luta" e David Lynch com "História real".
O Oscar teve concorrentes sensacionais, como "Beleza americana" - estreia genial de Sam Mendes -, "O sexto sentido" - que revelou M. Night Shyamalan -, "O talentoso Ripley", de Anthony Minghella, "O informante", de Michael Mann, "Meninos não choram", de Kimberly Pierce, "Fim de caso", de Neil Jordan, "À espera de um milagre", de Frank Darabont e "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze.
Convenhamos, quantos anos tiveram a sorte de contar com tanta coisa boa???
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Thursday, February 2, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 11 - MELHOR DRAMA
Para quem gosta, como eu, de assistir a filmes que mexam com o emocional, é difícil escolher apenas um drama para eleger como favorito. Afinal de contas, o próprio gênero já se presta a inúmeras subdivisões (drama romântico, drama de guerra, drama familiar, drama histórico, enfim....) Porém, para fazer a escolha eu levei em consideração que um bom drama não precisa necessariamente fazer chorar, mas sim permanecer na cabeça e no coração do espectador, fazendo-o adquirir uma nova visão a respeito de algum assunto ou então dizendo com melhores palavras e imagens coisas que precisam ser ditas.
Sendo assim, vou novamente ceder à contemporaneidade, ao invés de apelar aos clássicos. E mais uma vez vou citar Meryl Streep nesse meme. Afinal, ela foi a minha atriz preferida e participa do "filme mais triste". Pois é, Meryl, fazer o que se você sabe conduzir sua carreira? Dessa vez o escolhido é "As horas" (oi, Alan Raspante...)
Baseado em um romance aparentemente infilmável de Michael Cunningham (o cara é gênio, todos os seus livros são fabulosos), "As horas" se passa dentro do pensamento melancólico de três mulheres separadas pelos anos mas unidas pela insatisfação que nutrem por algo que nem mesmo elas conseguem expressar a contento (e isso que uma delas é a escritora Virginia Woolf, vivida com delicadeza pela merecida vencedora do Oscar, Nicole Kidman).
A trilha de Philip Glass é um arraso, a edição é perfeita, o roteiro é brilhante e o elenco nem precisa comentar. É obra-prima absoluta. E de acabar com qualquer cidadão com um mínimo de sensibilidade. Mora no fundo do meu coração.
Sendo assim, vou novamente ceder à contemporaneidade, ao invés de apelar aos clássicos. E mais uma vez vou citar Meryl Streep nesse meme. Afinal, ela foi a minha atriz preferida e participa do "filme mais triste". Pois é, Meryl, fazer o que se você sabe conduzir sua carreira? Dessa vez o escolhido é "As horas" (oi, Alan Raspante...)
Baseado em um romance aparentemente infilmável de Michael Cunningham (o cara é gênio, todos os seus livros são fabulosos), "As horas" se passa dentro do pensamento melancólico de três mulheres separadas pelos anos mas unidas pela insatisfação que nutrem por algo que nem mesmo elas conseguem expressar a contento (e isso que uma delas é a escritora Virginia Woolf, vivida com delicadeza pela merecida vencedora do Oscar, Nicole Kidman).
A trilha de Philip Glass é um arraso, a edição é perfeita, o roteiro é brilhante e o elenco nem precisa comentar. É obra-prima absoluta. E de acabar com qualquer cidadão com um mínimo de sensibilidade. Mora no fundo do meu coração.
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Wednesday, February 1, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 10 - GUILTY PLEASURE
Antes que venham me apedrejar, dizendo coisas como: "Mas como é que pode, alguém que gosta de cinema clássico, Hitchcock, Billy Wilder, Visconti, etc e tal, gostar de uma bobagem dessas?" eu já me defendo: cinema não precisa ser sempre sério e revolucionário. Uma abobrinha vez ou outra é até bom, para que a gente valorize cada vez mais nomes como Woody Allen, Almodovar, David Fincher e Scorsese.
Tendo dito isso, assumo: eu adoro "As patricinhas de Beverly Hills". Sei lá, acho engraçado... e, pra quem não sabe, o roteiro tem pedigree: é uma adaptação livre de "Emma", de Jane Austen, transposto para as escolas de ensino médio americanas. Alicia Silverstone está no auge da beleza e do carisma na pele de Cher, uma adolescente mimada que, enquanto não decide para quem vai entregar sua virgindade, tenta ajudar romanticamente as pessoas à sua volta.
No elenco, além de Alicia, está a saudosa Brittany Murphy, o versátil Dan Hedaya (como seu pai) e Paul Rudd, que hoje encontrou sua turma na nova comédia americana, ao lado de gente como Seth Rogen. E a trilha sonora, por si só, já é um achado: David Bowie, No Doubt, Supergrass, Radiohead, The Cranberries e Counting Crows passam pela tela, tornando a diversão ainda mais agradável.
Ok, já podem me crucificar....
Tendo dito isso, assumo: eu adoro "As patricinhas de Beverly Hills". Sei lá, acho engraçado... e, pra quem não sabe, o roteiro tem pedigree: é uma adaptação livre de "Emma", de Jane Austen, transposto para as escolas de ensino médio americanas. Alicia Silverstone está no auge da beleza e do carisma na pele de Cher, uma adolescente mimada que, enquanto não decide para quem vai entregar sua virgindade, tenta ajudar romanticamente as pessoas à sua volta.
No elenco, além de Alicia, está a saudosa Brittany Murphy, o versátil Dan Hedaya (como seu pai) e Paul Rudd, que hoje encontrou sua turma na nova comédia americana, ao lado de gente como Seth Rogen. E a trilha sonora, por si só, já é um achado: David Bowie, No Doubt, Supergrass, Radiohead, The Cranberries e Counting Crows passam pela tela, tornando a diversão ainda mais agradável.
Ok, já podem me crucificar....
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Tuesday, January 31, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 09 - FILME MAIS ROMÂNTICO
Qual o sonho máximo de qualquer coraçãozinho romântico? Possivelmente esse sonho envolva uma viagem pela Europa, paisagens deslumbrantes, dança ao nascer do sol, e a promessa de um breve reencontro. Se a outra parte do casal for estrangeira, então, a festa está completa.
Pois são justamente esses os ingredientes de "Antes do amanhecer", o mais romântico dos filmes românticos dos anos 90 e provavelmente a melhor transcrição cinematográfica dos sonhos dos espectadores que ainda acreditam no amor. Ethan Hawke e Julie Delpy encarnam com delicadeza e química um jovem casal que se encontra em um trem e resolvem passar a noite em Viena conversando sobre suas vidas, seus sonhos, seus desejos. E só. Não precisa mais nada para que o clima se instale, a audiência se encante e os dois se apaixonem. As personagens são verdadeiras, honestas, diretas - porque o tempo que tem é escasso para fingimentos e máscaras e o futuro parece não existir. Os cenários naturais da capital austríaca são lindos, a dupla de atores é carismática (em especial a linda Julie) e o roteiro é conciso e fluente.
E se não bastasse, uma continuação tão boa quanto (mas bem mais dura e realista) foi lançada nove anos depois. Quem não gostaria de viver um amor assim?
Pois são justamente esses os ingredientes de "Antes do amanhecer", o mais romântico dos filmes românticos dos anos 90 e provavelmente a melhor transcrição cinematográfica dos sonhos dos espectadores que ainda acreditam no amor. Ethan Hawke e Julie Delpy encarnam com delicadeza e química um jovem casal que se encontra em um trem e resolvem passar a noite em Viena conversando sobre suas vidas, seus sonhos, seus desejos. E só. Não precisa mais nada para que o clima se instale, a audiência se encante e os dois se apaixonem. As personagens são verdadeiras, honestas, diretas - porque o tempo que tem é escasso para fingimentos e máscaras e o futuro parece não existir. Os cenários naturais da capital austríaca são lindos, a dupla de atores é carismática (em especial a linda Julie) e o roteiro é conciso e fluente.
E se não bastasse, uma continuação tão boa quanto (mas bem mais dura e realista) foi lançada nove anos depois. Quem não gostaria de viver um amor assim?
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Monday, January 30, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 08 - FILME CEBOLA (MAIS TRISTE DE TODOS)
Primeiro é preciso dizer que para um filme me fazer chorar não é preciso muito. Qualquer cena mais emotiva, romântica ou que me traga lembranças imediatamente liga minha torneirinha e aí é difícil parar. Cenas em que pessoas pedem perdão sempre me tocam, assim como despedidas em leitos de morte e declarações de amor (sim, sou um manteiga derretida, dá licença?). Mas poucos filmes tem o poder de me fazer chorar sempre na mesma cena, a ponto de chegar a ser sem graça, como "As pontes de Madison". O velho Clint Eastwood, do alto de sua aparência de durão insensível me pegou de jeito com a história de amor entre Robert Kincaid, fotógrafo da National Geographic e Francesca Johnson, dona-de-casa vivida magistralmente por Meryl Streep.
Resistam, se forem insensíveis...
Resistam, se forem insensíveis...
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Saturday, January 28, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 07 - MELHOR COMÉDIA-TONTA-QUE-NÃO-PREJUDICA-OS-NEURÔNIOS
Tudo bem que eles foram os culpados pela onda de filmes satirizando gêneros e debochando de outros filmes, mas é preciso reconhecer que, apesar de serem os avôs de filmes como "Os espartalhões" (Deus nos perdoe!), os cineastas Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker foram os responsáveis por dar uma sacudida na comportada comédia norte-americana do início dos anos 80. Ainda que hoje tenhamos que aturar dezenas de filmes absurdamente ruins, que desvirtuaram o conceito de filmes-sátira que eles tão bem criaram, é inegável que não dá pra ficar incólume às milhares de palhaçadas que eles apresentaram em seu primeiro filme. "Apertem os cintos... o piloto sumiu" é uma das coisas mais engraçadas já produzidas por Hollywood, e que atire o primeiro livro de Camus o metido a intelectual que não deu sequer uma gargalhada na frente da TV enquanto assistia à quantidade astronômica de asneiras despejadas por eles.
Inspirado nos filmes-catástrofe que faziam a glória das bilheterias no final da década de 70, "Apertem os cintos" é um festival de besteiras visuais e verbais que não poupam nada nem ninguém (que saudade do tempo pré-politicamente correto do cinema ianque....) e tem a participação de Robert Stack (que tentou ser um ator sério nos anos 50) e Leslie Nielsen (treinando para seu Frank Drebin da saudosa trilogia "Corra que a polícia vem aí", que bebia direto na fonte do humor caótico reinventado pelo trio).
"Apertem os cintos... o piloto sumiu" é uma delícia! E é minha comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios preferida. E como cantava Zé Ketti, podem me prender, podem me bater que eu não mudo de opinião...
Inspirado nos filmes-catástrofe que faziam a glória das bilheterias no final da década de 70, "Apertem os cintos" é um festival de besteiras visuais e verbais que não poupam nada nem ninguém (que saudade do tempo pré-politicamente correto do cinema ianque....) e tem a participação de Robert Stack (que tentou ser um ator sério nos anos 50) e Leslie Nielsen (treinando para seu Frank Drebin da saudosa trilogia "Corra que a polícia vem aí", que bebia direto na fonte do humor caótico reinventado pelo trio).
"Apertem os cintos... o piloto sumiu" é uma delícia! E é minha comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios preferida. E como cantava Zé Ketti, podem me prender, podem me bater que eu não mudo de opinião...
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Friday, January 27, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 06 - COM O CORAÇÃO NA BOCA
Tudo bem que "O exorcista" é para estragar o sono de qualquer cidadão e se mantém mais apavorante do que as dezenas de subprodutos que vieram a reboque. Ok, "O bebê de Rosemary" é a obra-prima absoluta de Roman Polanski, mas o vejo bem mais como um pesado drama psicológico do que exatamente um filme de terror. Sendo assim - e desprezando a qualidade (?) de muitos filmes que assustam mas são esquecidos tão logo chegam ao fim seus créditos de encerramento - não há como escolher outro filme que não este para homenagear como meu filme de terror preferido: "Coração satânico", dirigido com gosto pelo inglês Alan Parker ainda me angustia todas as vezes em que eu o assisto.
Lançado na época em que Mickey Rourke era um astro promissor e tinha pinta de galã, "Coração satânico" foi contra toda a tendência da época - a saber, filmes em que assassinos mascarados estripavam adolescentes - para narrar com elegância e estilo uma história de extrema tensão, que misturava rituais religiosos africanos e um pacto faustiano. A fotografia noir de Michael Seresin, a trilha sonora de Trevor Jones e a ambientação soturna dão o tom exato para a narrativa nervosa de Parker, que prefere não dar maiores explicações até o acachapante final, que choca e surpreende na medida certa.
Mickey Rourke se sai bem como o detetive Harry Angel (com um visual sujo e desleixado que já dava mostras do que viria pela frente), mas é Robert DeNiro (quem mais?) que se destaca como o mefistofélico Louis Cypher, que contrata Angel para descobrir o paradeiro de um músico que tem uma dívida com ele. É para mexer com os nervos de qualquer um. E ainda tem uma cena de sexo absolutamente perturbadora, o que justificou sua censura quando passou nos cinemas brazucas, em 1987. É de ver e rever sempre! E sempre ficar com o coração na boca (se é que é apropriado falar em coração nessa circunstância).
Lançado na época em que Mickey Rourke era um astro promissor e tinha pinta de galã, "Coração satânico" foi contra toda a tendência da época - a saber, filmes em que assassinos mascarados estripavam adolescentes - para narrar com elegância e estilo uma história de extrema tensão, que misturava rituais religiosos africanos e um pacto faustiano. A fotografia noir de Michael Seresin, a trilha sonora de Trevor Jones e a ambientação soturna dão o tom exato para a narrativa nervosa de Parker, que prefere não dar maiores explicações até o acachapante final, que choca e surpreende na medida certa.
Mickey Rourke se sai bem como o detetive Harry Angel (com um visual sujo e desleixado que já dava mostras do que viria pela frente), mas é Robert DeNiro (quem mais?) que se destaca como o mefistofélico Louis Cypher, que contrata Angel para descobrir o paradeiro de um músico que tem uma dívida com ele. É para mexer com os nervos de qualquer um. E ainda tem uma cena de sexo absolutamente perturbadora, o que justificou sua censura quando passou nos cinemas brazucas, em 1987. É de ver e rever sempre! E sempre ficar com o coração na boca (se é que é apropriado falar em coração nessa circunstância).
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Thursday, January 26, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 05 - ATRIZ E ATOR PREFERIDOS
Eis que chega a hora de uma pequena trapaça que certamente será perdoada pelos leitores. Afinal, em um universo de tantos e tão talentosos atores, como seria possível para mim escolher apenas um de cada sexo? Para não sair tanto da proposta me limitei a escolher os nomes seguindo um único criterio um casal do cinema clássico (ou eterno, como podem dizer os mais românticos) e um casal contemporâneo. Acho que assim talvez seja um bocadinho mais justo.
ATOR
MONTGOMERY CLIFT

O cinema clássico hollywoodiano foi pródigo em fabricar astros e galãs, e exigir deles comportamentos que não abalassem a imagem que o público queria ver deles. Para o bem do cinema como forma de arte, alguns nomes conseguiram mostrar que, debaixo do verniz imposto pelo star system havia um grande talento. Foi o que aconteceu com Montgomery Clift. Dono de uma beleza clássica que encantou Elizabeth Taylor (que foi sua amiga até que ele morrese, aos 45 anos de idade, em 1966) e o público de todos os sexos, Clift não apenas foi um galã romântico como queriam os produtores, mas também um ator de tipos intensos e filmes que exigiam mais da audiência do que os tradicionais melodramas da época. Quando viveu George Eastman, o torturado protagonista de "Um lugar ao sol" (seu melhor filme e sua melhor atuação, que lhe garantiu sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator), ele já não era um novato. Havia contracenado com John Wayne em "Rio vermelho" e servido de galã para Olivia de Havilland ganhar seu Oscar em "Tarde demais" (além de ter sido indicado logo em sua estreia, em "The search"). Foi durante as filmagens da adaptação feita por George Stevens do romance "Uma tragedia americana", de Theodore Dreise que ele conheceu Liz Taylor, com quem viveu uma relação de forte amizade mesmo em seus piores momentos - momentos esses que incluem um trágico acidente automobilístico e dependência alcóolica e a polêmica adaptação de "De repente, no último verão". Indicado ao Oscar ainda em outras duas ocasiões, ambas como coadjuvante - por "A um passo da eternidade" (1951) e "Julgamento em Nuremberg" (1961) - Clift ainda brilhou como o pai da psicanálise em "Freud, além da alma" (1962) e como um cowboy tardio no crepuscular "Os desajustados" (1961), os dois dirigidos por John Huston. Em todas as suas atuações, sempre foi mais um ator do que um astro. Faz falta! E foi homenageado pela banda R.E.M. na bela "Monty got a raw deal". do álbum "Automatic for the people", de 1999. Michael Stipe sabe o que é bom!
SEAN PENN

E quem diria que, por debaixo da truculência mostrada na juventude - quando espancava fotógrafos e a própria esposa, Madonna - existe uma sensibilidade tão grande? Aos 51 anos, o ex-enfant terrible Sean Penn é um respeitado ator vencedor de 2 Oscar, capaz de performances poderosas de tipos tão díspares quanto um doente mental, um político homossexual, um advogado cocainômano e homens absolutamente comuns envolvidos em circunstâncias extremas. E além de tudo, é politicamente ativo e um cineasta de extremo talento. Que o diga todo mundo que saiu aos prantos do belíssimo "Na natureza selvagem", de 2007.
O primeiro filme de Penn foi lançado em 1981, quando ele tinha meros 21 aninhos. Em "Toque de recolher", ele atou ao lado de um desconhecido Tom Cruise e já demonstrava uma certa predileção por personagens marginalizados e rebeldes, tipo que defendeu ainda em filmes como "Caminhos violentos" (1986) - onde viveu o filho de Christopher Walken - "As cores da violência" (1988) - que tratava do fenômeno das gangues nas ruas de Los Angeles - e "Pecados de guerra" (1989), de Brian de Palma, no papel de um soldado americano que lidera o estupro e o assassinato de uma jovem vietnamita. O final do casamento com Madonna fez muito bem a ele (e a ela, vide seu imenso sucesso nos anos 90). Em 1993 criou um inesquecível David Kleinfeld em "O pagamento final", ao lado de Al Pacino e em 1995 foi indicado pela primeira vez ao Oscar por seu impecável trabalho em "Os últimos passos de um homem". Depois disso, atuou sob o comando de Oliver Stone ("Reviravolta"), David Fincher ("Vidas em jogo"), Terrence Mallick ("Além da linha vermelha" e o recente "A árvore da vida") e Woody Allen, que o dirigiu em "Poucas e boas" (que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar). A estatuta (a primeira) veio por sua atuação em "Sobre meninos e lobos", um trabalho delicado e que provou à audiência que ali estava um ator completo. Antes da segunda estatueta - no papel título de "Milk, a voz da igualdade" (2008) - ele ainda conseguiu emocionar a plateia como um homem que recebe um transplante de coração no tenso "21 gramas", de Alejandro Gonzalez Iñarritu.
Sean Penn some dentro das personagens que interpreta. E não é isso que faz de um ator alguém acima do corriqueiro?
ATRIZ
BETTE DAVIS
Um olhar diz mais que mil palavras...
MERYL STREEP

E vamos combinar que já está muito mais do que na hora de Meryl Streep subir ao palco e receber um novo Oscar? A estatueta (merecidíssima) que ela levou por "A escolha de Sofia" já deve estar esmaecida (e nem vou falar da recebida por "Kramer vs Kramer" de um longínquo 1979). De 1982 pra cá Streep já nos brindou com dezenas de atuações impecáveis, nos fazendo chorar aos soluços ("As pontes de Madison", "As horas"), rir ("Ela é o diabo", "A morte lhe cai bem", "O diabo veste Prada"), cantar ("Mamma Mia") e a desprezá-la ("O suspeito", "Sob o domínio do mal", "Dúvida"). E sempre, sempre, ficamos a nos questionar o que mais ela poderá oferecer em um próximo papel? Agora ela é Margaret Tatcher em "A dama de ferro" e oremos para que a Academia lhe faça justiça. Afinal de contas, seria preciso um caminhão de estatuetas para premiar cada magnifício trabalho com que a maior atriz americana em atividade nos brindou. Salve, Meryl!
ATOR
MONTGOMERY CLIFT

O cinema clássico hollywoodiano foi pródigo em fabricar astros e galãs, e exigir deles comportamentos que não abalassem a imagem que o público queria ver deles. Para o bem do cinema como forma de arte, alguns nomes conseguiram mostrar que, debaixo do verniz imposto pelo star system havia um grande talento. Foi o que aconteceu com Montgomery Clift. Dono de uma beleza clássica que encantou Elizabeth Taylor (que foi sua amiga até que ele morrese, aos 45 anos de idade, em 1966) e o público de todos os sexos, Clift não apenas foi um galã romântico como queriam os produtores, mas também um ator de tipos intensos e filmes que exigiam mais da audiência do que os tradicionais melodramas da época. Quando viveu George Eastman, o torturado protagonista de "Um lugar ao sol" (seu melhor filme e sua melhor atuação, que lhe garantiu sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator), ele já não era um novato. Havia contracenado com John Wayne em "Rio vermelho" e servido de galã para Olivia de Havilland ganhar seu Oscar em "Tarde demais" (além de ter sido indicado logo em sua estreia, em "The search"). Foi durante as filmagens da adaptação feita por George Stevens do romance "Uma tragedia americana", de Theodore Dreise que ele conheceu Liz Taylor, com quem viveu uma relação de forte amizade mesmo em seus piores momentos - momentos esses que incluem um trágico acidente automobilístico e dependência alcóolica e a polêmica adaptação de "De repente, no último verão". Indicado ao Oscar ainda em outras duas ocasiões, ambas como coadjuvante - por "A um passo da eternidade" (1951) e "Julgamento em Nuremberg" (1961) - Clift ainda brilhou como o pai da psicanálise em "Freud, além da alma" (1962) e como um cowboy tardio no crepuscular "Os desajustados" (1961), os dois dirigidos por John Huston. Em todas as suas atuações, sempre foi mais um ator do que um astro. Faz falta! E foi homenageado pela banda R.E.M. na bela "Monty got a raw deal". do álbum "Automatic for the people", de 1999. Michael Stipe sabe o que é bom!
SEAN PENN

E quem diria que, por debaixo da truculência mostrada na juventude - quando espancava fotógrafos e a própria esposa, Madonna - existe uma sensibilidade tão grande? Aos 51 anos, o ex-enfant terrible Sean Penn é um respeitado ator vencedor de 2 Oscar, capaz de performances poderosas de tipos tão díspares quanto um doente mental, um político homossexual, um advogado cocainômano e homens absolutamente comuns envolvidos em circunstâncias extremas. E além de tudo, é politicamente ativo e um cineasta de extremo talento. Que o diga todo mundo que saiu aos prantos do belíssimo "Na natureza selvagem", de 2007.
O primeiro filme de Penn foi lançado em 1981, quando ele tinha meros 21 aninhos. Em "Toque de recolher", ele atou ao lado de um desconhecido Tom Cruise e já demonstrava uma certa predileção por personagens marginalizados e rebeldes, tipo que defendeu ainda em filmes como "Caminhos violentos" (1986) - onde viveu o filho de Christopher Walken - "As cores da violência" (1988) - que tratava do fenômeno das gangues nas ruas de Los Angeles - e "Pecados de guerra" (1989), de Brian de Palma, no papel de um soldado americano que lidera o estupro e o assassinato de uma jovem vietnamita. O final do casamento com Madonna fez muito bem a ele (e a ela, vide seu imenso sucesso nos anos 90). Em 1993 criou um inesquecível David Kleinfeld em "O pagamento final", ao lado de Al Pacino e em 1995 foi indicado pela primeira vez ao Oscar por seu impecável trabalho em "Os últimos passos de um homem". Depois disso, atuou sob o comando de Oliver Stone ("Reviravolta"), David Fincher ("Vidas em jogo"), Terrence Mallick ("Além da linha vermelha" e o recente "A árvore da vida") e Woody Allen, que o dirigiu em "Poucas e boas" (que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar). A estatuta (a primeira) veio por sua atuação em "Sobre meninos e lobos", um trabalho delicado e que provou à audiência que ali estava um ator completo. Antes da segunda estatueta - no papel título de "Milk, a voz da igualdade" (2008) - ele ainda conseguiu emocionar a plateia como um homem que recebe um transplante de coração no tenso "21 gramas", de Alejandro Gonzalez Iñarritu.
Sean Penn some dentro das personagens que interpreta. E não é isso que faz de um ator alguém acima do corriqueiro?
ATRIZ
BETTE DAVIS
Um olhar diz mais que mil palavras...
MERYL STREEP

E vamos combinar que já está muito mais do que na hora de Meryl Streep subir ao palco e receber um novo Oscar? A estatueta (merecidíssima) que ela levou por "A escolha de Sofia" já deve estar esmaecida (e nem vou falar da recebida por "Kramer vs Kramer" de um longínquo 1979). De 1982 pra cá Streep já nos brindou com dezenas de atuações impecáveis, nos fazendo chorar aos soluços ("As pontes de Madison", "As horas"), rir ("Ela é o diabo", "A morte lhe cai bem", "O diabo veste Prada"), cantar ("Mamma Mia") e a desprezá-la ("O suspeito", "Sob o domínio do mal", "Dúvida"). E sempre, sempre, ficamos a nos questionar o que mais ela poderá oferecer em um próximo papel? Agora ela é Margaret Tatcher em "A dama de ferro" e oremos para que a Academia lhe faça justiça. Afinal de contas, seria preciso um caminhão de estatuetas para premiar cada magnifício trabalho com que a maior atriz americana em atividade nos brindou. Salve, Meryl!
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Wednesday, January 25, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 04 - MELHOR DIRETOR
As irônicas neuroses nova-iorquinas de Woody Allen? As aulas de enquadramento e suspense do mestre Hitchcock? O humor inteligente e sarcástico de Billy Wilder? A violência estilizada de Martin Scorsese? A contemporaneidade sofisticada de David Fincher? Desculpem-me, mas, apesar de todos os cinestas citados acima serem responsáveis diretos por minha paixão por cinema meu diretor preferido não vem de Hollywood. O trono pertence ao polêmico, mordaz, sensual, crítico e dono de uma assinatura visual e temática facilmente reconhecíveis (mas nunca previsíveis) Pedro Almodóvar.
O diretor nascido em 1949 em um vilarejo espanhol chegou a Madri em 1968, participou da cena cultural underground da cidade e, com o dinheiro que juntou trabalhando em uma telefônica estatal chegou ao cinema em longa-metragem com "Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão", de 1980. Debochado visualmente e verbalmente, ele logo tornou-se conhecido dentro domovimento cultural espanhol da época. Não demorou muito e ele já estava atrás das câmeras novamente, entregando a seu (então) restrito público filmes que utilizavam o tosco e o kitsch como ingredientes de uma receita que misturava a sátira à sociedade e um forte elemento homossexual. Surgiram então "Labirinto de paixões" (1982) - em que uma jovem ninfomaníaca se apaixonava por um príncipe árabe gay - "Maus hábitos" (1983) - cuja protagonista era uma crooner que se escondia em um convento e passava a conviver com freiras viciadas em drogas e uma madre superiora lésbica - "Que fiz eu para merecer isso?" - em que uma mãe vende seu filho para um dentista pedófilo - "Matador" - que misturava touradas com sadomasoquismo - e "A lei do desejo" - em que um diretor de cinema lidava com um jovem obcecado por ele e com uma irmã transexual que era esposa do próprio pai.
Em 1988, seus dias de underground começaram a ficar para trás quando foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o hilário "Mulheres à beira de um ataque de nervos", que o tornou conhecido e admirado. A partir daí, começou a sofisticar seu trabalho, sempre deixando, porém, sua marca registrada em cada filme. Em "Ata-me!" um rapaz sequestra uma atriz pornô para convencê-la a casar-se com ele. Em "De salto alto", uma jornalista se envolve com uma drag-queen que imita sua mãe. Em "Kika" apresentou ao mundo a repórter sensacionalista Andrea Caracortada e uma engraçada (!!) cena de estupro. Foi somente com "A flor do meu segredo", de 1995, no entanto, que seu flerte com o melodrama virou compromisso sério. A partir daí, o debochado dividiu espaço com o sofisticado. Vieram então suas obras-primas. "Carne trêmula" uniu o erotismo com uma história de vingança. "Tudo sobre minha mãe" ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes. "Fale com ela" levou o Oscar de roteiro original e lhe colocou no páreo para o prêmio de melhor direção. "Má educação" causou polêmica ao versar sobre pedofilia nas instituições religiosas (e apresentou uma atuação primorosa de Gael García Bernal). "Volver" emocionou ao falar sobre relações entre mães e filhas (além de ter dado a Penelope Cruz sua primeira indicação ao Oscar). "Abraços partidos" foi uma homenagem ao cinema em geral e ao seu em particular. E "A pele que habito" é simplesmente abismal em sua inventividade narrativa e visual.
Iconoclasta, sexy, debochado, kitsh, passional...É preciso mais motivos para amar o cinema de Pedro Almodovar???
O diretor nascido em 1949 em um vilarejo espanhol chegou a Madri em 1968, participou da cena cultural underground da cidade e, com o dinheiro que juntou trabalhando em uma telefônica estatal chegou ao cinema em longa-metragem com "Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão", de 1980. Debochado visualmente e verbalmente, ele logo tornou-se conhecido dentro domovimento cultural espanhol da época. Não demorou muito e ele já estava atrás das câmeras novamente, entregando a seu (então) restrito público filmes que utilizavam o tosco e o kitsch como ingredientes de uma receita que misturava a sátira à sociedade e um forte elemento homossexual. Surgiram então "Labirinto de paixões" (1982) - em que uma jovem ninfomaníaca se apaixonava por um príncipe árabe gay - "Maus hábitos" (1983) - cuja protagonista era uma crooner que se escondia em um convento e passava a conviver com freiras viciadas em drogas e uma madre superiora lésbica - "Que fiz eu para merecer isso?" - em que uma mãe vende seu filho para um dentista pedófilo - "Matador" - que misturava touradas com sadomasoquismo - e "A lei do desejo" - em que um diretor de cinema lidava com um jovem obcecado por ele e com uma irmã transexual que era esposa do próprio pai.
Em 1988, seus dias de underground começaram a ficar para trás quando foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o hilário "Mulheres à beira de um ataque de nervos", que o tornou conhecido e admirado. A partir daí, começou a sofisticar seu trabalho, sempre deixando, porém, sua marca registrada em cada filme. Em "Ata-me!" um rapaz sequestra uma atriz pornô para convencê-la a casar-se com ele. Em "De salto alto", uma jornalista se envolve com uma drag-queen que imita sua mãe. Em "Kika" apresentou ao mundo a repórter sensacionalista Andrea Caracortada e uma engraçada (!!) cena de estupro. Foi somente com "A flor do meu segredo", de 1995, no entanto, que seu flerte com o melodrama virou compromisso sério. A partir daí, o debochado dividiu espaço com o sofisticado. Vieram então suas obras-primas. "Carne trêmula" uniu o erotismo com uma história de vingança. "Tudo sobre minha mãe" ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes. "Fale com ela" levou o Oscar de roteiro original e lhe colocou no páreo para o prêmio de melhor direção. "Má educação" causou polêmica ao versar sobre pedofilia nas instituições religiosas (e apresentou uma atuação primorosa de Gael García Bernal). "Volver" emocionou ao falar sobre relações entre mães e filhas (além de ter dado a Penelope Cruz sua primeira indicação ao Oscar). "Abraços partidos" foi uma homenagem ao cinema em geral e ao seu em particular. E "A pele que habito" é simplesmente abismal em sua inventividade narrativa e visual.
Iconoclasta, sexy, debochado, kitsh, passional...É preciso mais motivos para amar o cinema de Pedro Almodovar???
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Tuesday, January 24, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 03 - SESSÃO DA TARDE INESQUECÍVEL
Eu tenho pena das crianças e pré-adolescentes de hoje em dia. Não apenas tiveram suas férias reduzidas a quase nada (e pensar que eu tinha quase três meses de férias de verão) como ainda por cima não tem uma Sessão da Tarde decente para diminuir o cansaço do ano letivo. Pode até soar nostálgico, mas era delicioso ficar em casa à tarde, assistindo seriados bobos e principalmente curtindo filmes realmente bons. A quanto tempo, por exemplo, a Globo não reprisa "Os Goonies", "Admiradora Secreta", "Namorada de Aluguel" e "Mulher Nota 1000"? Tudo bem, vistos com olhos críticos eles até podem ser ruins, mas e a memória afetiva não conta?
Mas nenhuma Sessão da Tarde é tão boa, tão divertida, tão revolucionária (ao menos em termos juvenis) do que "Curtindo a vida adoidado". Dirigido por John Hughes - que marcou toda a minha geração com seus "Clube dos cinco", "A garota de rosa-shocking" e "Gatinhas e gatões" - a odisséia de Ferris Bueller (em atuação marcante e jamais esquecida de Matthew Broderick) por um dia de folga de seus deveres estudantis faz de todo mundo jovem novamente. Quem nunca quis fazer todas as loucuras que o carismático Ferris fez? Quem nunca questionou o futuro, como seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck)? Quem consegue resistir a "Twist and shout"? Quem nunca vibrou com o fracasso do inspetor vivido por Jeffrey Jones?
"Curtindo a vida adoidado" é um filme irresistível. É engraçado, é leve, é agradável e é a materialização dos desejos de todo e qualquer aluno que já sonhou em sumir da escola para aproveitar um dia de sol...
Mas nenhuma Sessão da Tarde é tão boa, tão divertida, tão revolucionária (ao menos em termos juvenis) do que "Curtindo a vida adoidado". Dirigido por John Hughes - que marcou toda a minha geração com seus "Clube dos cinco", "A garota de rosa-shocking" e "Gatinhas e gatões" - a odisséia de Ferris Bueller (em atuação marcante e jamais esquecida de Matthew Broderick) por um dia de folga de seus deveres estudantis faz de todo mundo jovem novamente. Quem nunca quis fazer todas as loucuras que o carismático Ferris fez? Quem nunca questionou o futuro, como seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck)? Quem consegue resistir a "Twist and shout"? Quem nunca vibrou com o fracasso do inspetor vivido por Jeffrey Jones?
"Curtindo a vida adoidado" é um filme irresistível. É engraçado, é leve, é agradável e é a materialização dos desejos de todo e qualquer aluno que já sonhou em sumir da escola para aproveitar um dia de sol...
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Monday, January 23, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 02 - MELHOR SEQUÊNCIA INICIAL E MELHOR SEQUÊNCIA FINAL
A tela ainda está negra quando se ouve a primeira frase "Eu acredito na América!". Assim começa "O poderoso chefão", provavelmente o melhor (ou melhores, se considerarmos a trilogia) filme de gângster da história do cinema. A sequência inicial já diz tudo sobre a personagem-título, o padrinho Don Corleone, interpretado magistralmente por um Marlon Brando envelhecido e em vias de ganhar seu segundo Oscar. Até que finalmente sua figura apareça para o público - que até então o via apenas de costas - segurando um gatinho, todo mundo já percebeu sua importância, sua influência e seu poder, através do clima, da fotografia noir de Gordon Willis e das reações das demais personagens que o rodeiam. Até que Don Vito Corleone saia de seu escritório para finalmente juntar-se aos convidados da festa de casamento de sua filha Connie passaram-se alguns dos mais importantes minutos iniciais da história do cinema. E só não escolho sua sequência final também - quando Kay percebe que seu marido Michael está assumindo o lugar do pai - porque seria injusto com tantas outras inesquecíveis. Mas Coppola é mestre!!

Acabar um filme é uma arte! Encerrar uma história de forma marcante não é apenas importante, é essencial! E mais uma vez escolher apenas uma sequência final é uma escolha de Sofia. Dentre centenas de momentos cruciais, portanto, não há quem resista ao charme vintage e romântico de um dos triângulos amorosos mais fascinantes da história. Atire a primeira pedra quem nunca derramou uma lágrima que seja quando Ingrid Bergman - na pele de Ilsa - se vê dividida, em pleno aeroporto, entre fugir do Marrocos com o marido, líder da resistência contra os nazistas (vivido por Paul Henreid) ou ficar com o amor de sua vida, o charmoso Rick Blaine (Humphrey Bogart em papel icônico). O filme, claro, é "Casablanca", e o final todo mundo conhece (ainda que poucos se conformem com ele). E os roteiristas - premiados com um justíssimo Oscar - ainda encontram tempo de acabar o filme com um diálogo de aplaudir de pé. Isso sim é que é romance!

Acabar um filme é uma arte! Encerrar uma história de forma marcante não é apenas importante, é essencial! E mais uma vez escolher apenas uma sequência final é uma escolha de Sofia. Dentre centenas de momentos cruciais, portanto, não há quem resista ao charme vintage e romântico de um dos triângulos amorosos mais fascinantes da história. Atire a primeira pedra quem nunca derramou uma lágrima que seja quando Ingrid Bergman - na pele de Ilsa - se vê dividida, em pleno aeroporto, entre fugir do Marrocos com o marido, líder da resistência contra os nazistas (vivido por Paul Henreid) ou ficar com o amor de sua vida, o charmoso Rick Blaine (Humphrey Bogart em papel icônico). O filme, claro, é "Casablanca", e o final todo mundo conhece (ainda que poucos se conformem com ele). E os roteiristas - premiados com um justíssimo Oscar - ainda encontram tempo de acabar o filme com um diálogo de aplaudir de pé. Isso sim é que é romance!
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Sunday, January 22, 2012
UM MÊS, 31 FILMES - DIA 01 - FILME DA MINHA VIDA
Escolher um único filme para representar todo o meu amor pelo cinema é um desafio e tanto. Afinal, mais de meio século de produções arrepiantes me tiraram da realidade (ou me fizeram vê-la de maneira mais poetica). Sendo assim, fui obrigado a deixar de lado épicos românticos ("E o vento levou"), sagas violentas ("O poderoso chefão") e musicais coloridos ("Moulin Rouge") para escolher um drama despretensioso que me acompanha desde meus tenros 16 anos de idade (sim, eu o assisto no mínimo uma vez por ano... e choro sempre!)
"Sociedade dos poetas mortos" não é um filme caro, mas pegou todo mundo de surpresa quando tornou-se um dos grandes sucessos de bilheteria do outono americano de 1989. Não tem violência (ao menos não física), não tem nudez (não se pode considerar nudez os pensamentos lúbricos de Charlie Dalton, vivido por Gale Hansen) nem utiliza a adrenalina como elemento de atração para a audiência. Ele fala de sonhos, de esperança, de amizade, de poesia. Ele destrói o equilíbrio emocional de qualquer um que tenha sentimentos. Mas ele é, acima de tudo, cinema do mais alto gabarito. A direção do australiano Peter Weir é primorosa, delicada, profunda. A fotografia de John Seale é deslumbrante e a trilha sonora de Maurice Jarre conquista pela força crescente. O elenco juvenil que circunda Robin Williams no melhor momento de sua carreira é espetacular (incluindo um principiante Ethan Hawke). Mas é o roteiro de Tom Schulman, premiado merecidamente com o Oscar da categoria, que ultrapassa todos os níveis de qualidade e inteligência. Colocar na mesma mistura Thoreau, Shakespeare, Yeats e a busca pela liberdade de pensamento e os perigos do conformismo não é qualquer um que faz com tanta beleza...
Talvez "Sociedade dos poetas mortos" não tenha para a adolescência de hoje o mesmo impacto que teve sobre mim há tanto tempo. Mas jamais consigo não me emocionar na última cena, quando John Keating (Williams) está abandonando sua sala de aula e vê que tudo que ensinou não foi absolutamente em vão. Desculpe, Scarlett O'Hara. Desculpe, Don Corleone. Mas meu coração falou mais alto.
"Sociedade dos poetas mortos" não é um filme caro, mas pegou todo mundo de surpresa quando tornou-se um dos grandes sucessos de bilheteria do outono americano de 1989. Não tem violência (ao menos não física), não tem nudez (não se pode considerar nudez os pensamentos lúbricos de Charlie Dalton, vivido por Gale Hansen) nem utiliza a adrenalina como elemento de atração para a audiência. Ele fala de sonhos, de esperança, de amizade, de poesia. Ele destrói o equilíbrio emocional de qualquer um que tenha sentimentos. Mas ele é, acima de tudo, cinema do mais alto gabarito. A direção do australiano Peter Weir é primorosa, delicada, profunda. A fotografia de John Seale é deslumbrante e a trilha sonora de Maurice Jarre conquista pela força crescente. O elenco juvenil que circunda Robin Williams no melhor momento de sua carreira é espetacular (incluindo um principiante Ethan Hawke). Mas é o roteiro de Tom Schulman, premiado merecidamente com o Oscar da categoria, que ultrapassa todos os níveis de qualidade e inteligência. Colocar na mesma mistura Thoreau, Shakespeare, Yeats e a busca pela liberdade de pensamento e os perigos do conformismo não é qualquer um que faz com tanta beleza...
Talvez "Sociedade dos poetas mortos" não tenha para a adolescência de hoje o mesmo impacto que teve sobre mim há tanto tempo. Mas jamais consigo não me emocionar na última cena, quando John Keating (Williams) está abandonando sua sala de aula e vê que tudo que ensinou não foi absolutamente em vão. Desculpe, Scarlett O'Hara. Desculpe, Don Corleone. Mas meu coração falou mais alto.
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