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Sunday, September 12, 2010

OS SAFADOS


OS SAFADOS (Dirty rotten scoundrels, 1988, Orion Pictures, 110min) Direção: Frank Oz. Roteiro: Dale Launer, Stanley Shapiro, Paul Henning. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Stephen A. Rotter, William Scharf. Música: Miles Goodman. Figurino: Marit Allen. Direção de arte/cenários: Roy Walker/Rosalind Shingleton. Casting: Donna Isaacson, John Lyons. Produção executiva: Charles Hirschlorn, Dale Launer. Produção: Bernard Williams. Elenco: Steve Martin, Michael Caine, Glenne Headley, Anton Rodgers, Barbara Harris, Dana Ivey. Estreia: 14/12/88

Uma coisa é certa: para que uma comédia funcione de verdade (o que significa permanecer engraçada mesmo depois de um primeiro contato) é necessário que seu roteiro seja realmente interessante ou que a química entre seus atores esteja além do estritamente corriqueiro. Quando esses dois fatores acontecem simultaneamente, não tem erro: diversão garantida para a plateia. E é exatamente isso que acontece com "Os safados". Dirigida por Frank Oz, essa refilmagem de "Dois farristas irresistíveis", estrelado em 1964 por Marlon Brando e David Niven consegue o feito de ser tão hilariante hoje quanto à época de seu lançamento. Tudo responsabilidade do roteiro impecável e de sua dupla de protagonistas. Juntos pela primeira e até agora única vez, Michael Caine e Steve Martin encantam a audiência da primeira à última cena.

A trama de "Os safados" se passa em um Beaumont Sur Mer, uma paradisíaca cidade litorânea da Riviera francesa. É lá que o inglês Lawrence Jamieson (Michael Caine, se divertindo claramente em cena) vive confortavelmente, às custas dos inúmeros golpes que aplica em milionárias carentes. Seu reinado e sua paz passam a ser ameaçados quando entra em cena Freddy Benson (Steve Martin), um escroque americano nem um pouco sofisticado que chega à cidade para buscar novas vítimas para suas armações. A princípio inimigos declarados, logo eles mudam de status: Benson pede a Jamieson que o ensine a ser mais sofisticado, sutil e elegante. Quando chega à cidade a "Rainha do Sabonete", Janet Colgate (Glenne Headly), eles tem a ideia perfeita para resolver sua rivalidade: uma aposta. Quem conseguir arrancar 50 mil dólares da milionária obriga o outro a ir embora para sempre.

A partir daí, o filme transforma-se em um show de seus protagonistas. Enquanto Michael Caine usa e abusa da fleuma britânica, Steve Martin mostra porque era o ator cômico mais festejado dos anos 80. O choque entre a elegância de Jamieson e a gaiatice de Benson, no entanto, é apenas uma das várias razões que fazem de "Os safados" uma das melhores comédias da década. A essa união entre dois tipos de humor une-se um roteiro inteligente, uma paisagem charmosa e cenas que buscam a graça mais nas situações do que em escatologia ou piadas regadas a sexo ou fluidos corpóreos. Politicamente incorreto, o roteiro brinca com doenças mentais, desigualdades sociais e invalidez física com a mesma desenvoltura com que cativa sua audiência fazendo-a se apaixonar por dois protagonistas totalmente sem caráter.

E talvez seja justamente a absoluta falta de caráter das personagens centrais que faz com que "Os safados" brilhe mais do que seus congêneres (tanto comédias quanto "filmes de golpistas"). A plateia se mantém concentrada em cada minuto da projeção, esperando os novos golpes que fazem com que Jamieson e Benson nunca sejam completamente vítimas ou totalmente vencedores. As incríveis - e surpreendentes - reviravoltas são a cereja de um bolo saboroso, capaz de botar um sorriso no rosto até mesmo dos mais exigentes espectadores.

Planejado para promover o encontro cinematográfico entre Mick Jagger e David Bowie, "Os safados" acabou se beneficiando muito da escalação de seus dois atores centrais. Dificilmente ele seria tão bom e tão memorável com qualquer outro elenco.