Tuesday, November 8, 2011

O QUARTO DO PÂNICO

O QUARTO DO PÂNICO (Panic room, 2002, Columbia Pictures, 112min) Direção: David Fincher. Roteiro: David Koepp. Fotografia: Conrad L. Hall, Darius Khondji. Montagem: James Haygood, Angus Wall. Música: Howard Shore. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: Arthur Max/Jon Danniells, Garrett Lewis. Produção: Cean Chaffin, Judy Hofflund, David Koepp, Gavin Polone. Elenco: Jodie Foster, Forest Whitaker, Kristen Stewart, Jared Leto, Dwight Yoakam. Estreia: 29/3/02

É impressionante a diferença que faz um bom diretor! Nas mãos de um operário-padrão qualquer de Hollywood, "O quarto do pânico" seria apenas mais um filme de suspense perfeitamente esquecível depois dos letreiros finais. Porém, sob o comando do sempre competente David Fincher - que tem no currículo as obras-primas "Seven" e "Clube da luta" e o subestimado "Vidas em jogo" - o jogo de gato-e-rato criado pelo roteirista David Koepp em apenas seis dias (o primeiro tratamento, logicamente) não só prende a atenção de seus espectadores como ainda por cima se eleva vários degraus acima de seus congêneres, equilibrando com maestria um clima hitchcockiano e inovações técnicas utilizadas com inteligência e parcimônia.

A trama tem início quando a recém-divorciada Meg Altman (Jodie Foster, grávida durante as filmagens), abandonada pelo marido milionário, compra uma gigantesca casa em Manhattan para morar com a filha pré-adolescente Sarah (Kirsten Stewart pré-"Crepúsculo"). A casa - uma impressionante criação do diretor de arte Arthur Max - tem até mesmo uma espécie de bunker, apelidado pelo antigo morador de "quarto do pânico": o tal quarto tem até mesmo um sistema exclusivo de câmeras de vigilância. O que seria apenas mais um cômodo, no entanto, vira a principal forma de defesa de mãe e filha quando três homens armados, liderados pelo descontrolado Junior (Jared Leto), invadem a casa na madrugada, atrás de milhões de dólares escondidos justamente no quarto onde elas se escondem. Para proteger a filha e a si mesma, Meg tem que usar toda a sua inteligência e força emocional, principalmente quando os criminosos - que incluem o racional Burnham (Forest Whitaker) e o violento Raoul (Dwight Yoakam) - resolvem apelar para a violência para obrigá-las a abandonar o famigerado aposento.


"O quarto do pânico" é um típico produto de sua época. Os criativos movimentos de câmera de Fincher, o desenho de som e as inovações técnicas que ele apresenta são tão ou mais importantes que a história que o diretor conta. Mesmo sem ser exatamente original e/ou empolgante em uma primeira visão, o roteiro de Koepp consegue facilmente envolver e causar tensão durante seu tempo de duração, o que já é bastante raro em um gênero mortalmente previsível quanto o suspense. Fugindo dos clichês das obras mais convencionais, a obra de Fincher cria momentos de tensão genuína, envolvendo o público na jornada de Meg, personificada com força e determinação por um Jodie Foster nunca aquém de excelente. Substituindo Nicole Kidman na última hora (que abandonou o projeto por ter se machucado nas filmagens de "Moulin Rouge"), Foster não deixa de ser uma bênção ao projeto: talvez a fragilidade física de Kidman não combinasse com a protagonista, uma personagem que cabe como uma luva no histórico de mulheres fortes interpretadas por Jodie.

"O quarto do pânico" está longe de ser o melhor trabalho de David Fincher. Ainda assim, é forte, inteligente e jamais previsível, além de tratar seu público com respeito e em nenhum momento apelar para soluções fáceis e triviais. É um excelente programa para quem gosta de suspense e para aqueles que esperam por bons filmes dirigidos com elegância e talento.