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Tuesday, November 22, 2011

HOMEM-ARANHA

HOMEM-ARANHA (Spiderman, 2002, Columbia Pictures/Marvel Enterprises, 121min) Direção: Sam Raimi. Roteiro: David Koepp, HQ de Stan Lee, Steve Ditko. Fotografia: Don Burgess. Montagem: Arthur Coburn, Bob Murawski. Música: Danny Elfman. Figurino: James Acheson. Direção de arte/cenários: Neil Spisak/Karen O'Hara. Produção executiva: Avi Arad, Stan Lee. Produção: Ian Bryce, Laura Ziskin. Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Willem Dafoe, James Franco, Rosemary Harris, Dylan Baker, J.K. Simmons, Cliff Robertson. Estreia: 03/5/02

2 indicações ao Oscar: Efeitos Visuais, Som

Tudo começou com "X-Men". O enorme sucesso de bilheteria do filme que contava as aventuras dos mutantes criados por Stan Lee deu coragem à Columbia Pictures para tocar adiante um projeto ainda mais ambicioso: levar às telas uma adaptação de uma das mais queridas e famosas personagens do universo Marvel, o Homem-aranha. Depois de anos no limbo - durante o qual foram considerados para a direção nomes díspares como James Cameron, Ang Lee, David Fincher e Tony Scott - a história do adolescente nerd que se torna super-herói chegou aos cinemas americanos cercada de grandes expectativas e não decepcionou nem ao mais ambicioso produtor: ao redor do mundo, mais de 800 milhões de dólares foram arrecadados, dando início a uma espécie de fenômeno pop. A partir daí, histórias em quadrinhos e cinema se tornaram definitivamente parceiros muito rentáveis.

O maior sucesso de bilheteria de 2002 mereceu o barulho que fez. Deliciosamente pop, agradável, engraçado e leve, é um filme que consegue agradar espectadores de todas as idades, em especial àqueles que se permitem embarcar sem medo no mais puro entretenimento hollywoodiano. Ao assumir as rédeas do filme, o diretor Sam Raimi (responsável pela bizarra e popular série "Evil Dead", que mudou a forma de fazer cinema de terror) imprimiu à história de Peter Parker um senso de diversão descompromissada e quase auto-paródica que faz dele um programa imperdível (e que ficaria ainda melhor no segundo episódio, mais caro e que fez ainda mais sucesso). E é necessário que se elogie a escalação certeira de Tobey Maguire para o papel central.

Mais conhecido por seus trabalhos sérios em filmes oscarizados como "Regras da vida" e "Garotos incríveis", Maguire ficou com um dos papéis jovens mais cobiçados da época (que quase ficou nas mãos de Leonardo DiCaprio) e não fez feio. Com seu jeito aparvalhado, ele criou um Peter Parker bastante próximo do público adolescente que lotou as salas de exibição (apesar de já estar com 25 anos durante a produção). Seu Peter Parker frágil, tímido e apaixonado caiu como uma luva em seu tipo físico franzino e seu alter-ego heroico é convincente a ponto de a audiência comprar o conceito do filme sem pestanejar. Com um roteiro dinâmico e esperto, "Homem-Aranha" é uma aventura perfeita.


Pra quem não sabe - se é que existe alguém que não saiba - o protagonista é Peter Parker, um estudante órfão que mora com os tios idosos (Cliff Robertson e Rosemary Harris) e é apaixonado pela vizinha, a bela Mary Jane Watson (Kirsten Dunst), cujo histórico de problemas domésticos não a impede de sonhar em tornar-se atriz. Durante uma excursão da escola, Parker - que é hostilizado pelos colegas e tem apenas um grande amigo Harry Osborn (James Franco) - é mordido por uma aranha geneticamente modificada e, a partir daí, passa a desenvolver poderes tais como escalar paredes e soltar teias de aranha, além de aumentar sua velocidade e força. Após praticamente testemunhar o assassinato do tio, ele decide dedicar-se à luta contra a violência, tornando-se herói da noite para o dia. Enquanto tenta esconder sua dupla personalidade da garota que ama - que começa a namorar Harry - Parker também precisa combater o cruel Duende Verde, a personalidade psicótica adquirida pelo milionário Norman Osborn (Willem Dafoe) após um acidente com suas experiências científicas.

A trama de "Homem-Aranha" é a desculpa ideal para Sam Raimi exercitar sua veia de fã de quadrinhos. Sua direção é respeitosa mas nunca quadrada, dando espaço para improvisos e mudanças que não ofendem os mais xiitas leitores do gênero (ainda que sempre haja algum espírito de porco disposto a discordar de algum detalhe). As cenas de ação, mesmo que não sejam impactantes ou inovadoras, são adequadas ao ritmo da trama e não chamam mais a atenção do que a trama que fala de responsabilidades e de renúncia. Esse subtexto - que também era o melhor que havia em "X-Men" - é o que faz com que "Homem-Aranha" escape lindamente da vala onde se encontram produções ambiciosas e sem fundamentos.

O sucesso de "Homem-Aranha" foi merecido. É um entretenimento inteligente e divertido, capaz de alegrar sessões da tarde por anos a fio. É a prova inconteste de que a soma de um bom diretor, um elenco adequado e um roteiro bem escrito podem efetuar milagres até mesmo com a pressão dos grandes estúdios.

Wednesday, September 7, 2011

O DOM DA PREMONIÇÃO

O DOM DA PREMONIÇÃO (The gift, 2000, Paramount Classics, 112min) Direção: Sam Raimi. Roteiro: Billy Bob Thornton, Tom Epperson. Fotografia: Jamie Anderson. Montagem: Arthur Coburn, Bob Murawski. Música: Christopher Young. Figurino: Julie Weiss. Direção de arte/cenários: Neil Spisak/Marthe Pineau. Produção executiva: Sean Daniel, Gregory Goodman, Ted Tannebaum, Rob Talpert. Produção: James Jacks, Gary Lucchesi, Tom Rosenberg. Elenco: Cate Blanchett, Greg Kinnear, Katie Holmes, Giovanni Ribisi, Keanu Reeves, Hilary Swank, J. K. Simmons, Rosemary Harris, Michael Jeter, Kim Dickens. Estreia: 22/12/00

Certas atrizes têm o dom de transformar o que poderia ser apenas um produto rotineiro de entretenimento em algo acima da média. Uma dessas atrizes é Cate Blanchett. Mesmo em papéis ingratos em filmes menores, a australiana consegue sobressair-se incólume e em alguns casos até mesmo salva produções que sem ela mal seriam lembradas pela maioria dos espectadores. É o caso de “O dom da premonição”, um suspense interessante e bem realizado, mas que, sem sua presença luminosa, seria apenas mais um exemplar de um gênero pouco dado a apresentar obras-primas


À frente de um elenco de astros de grandezas variadas – a oscarizada Hilary Swank em um papel inadequado, o péssimo Keanu Reeves surpreendendo positivamente, o desajeitado Giovanni Ribisi com um personagem carismático, a jovem Katie Holmes em papel ousado e diferente do que fez até então e o simpático canastrão Greg Kinnear tentando dar veracidade a um personagem ingrato – Blanchett sobressai-se sem precisar de muito esforço. No filme de Sam Raimi – às vésperas de encarar sua primeira grande super produção, o blockbuster “Homem-aranha” – ela vive Annie Wilson, uma dona-de-casa, viúva e mãe de três filhos que complementa a renda familiar dando consultas como vidente em uma pequena cidade pantanosa do interior dos EUA. Ajudando seus vizinhos e amigos, principalmente o traumatizado mecânico Buddy (Giovanni Ribisi), ela ainda sofre ameaças de Donnie Barksdeale, um violento marido de uma cliente, Valerie (vividos por Keanu Reeves e Hilary Swank). Sua vida sofre uma reviravolta quando uma jovem da alta classe da cidade, Jessica King (a sempre insossa Katie Holmes) desaparece misteriosamente. Procurada por Wayne Collins, o noivo da moça (papel de Greg Kinnear), que é o diretor da escola onde estudam seus filhos, Annie não consegue negar ajuda, mas acaba colocando sua própria vida em risco.



Co-escrito pelo ator Billy Bob Thornton, o roteiro do filme de Raimi não apresenta grandes novidades, principalmente aos aficcionados do gênero. Nem mesmo a surpresa final chega a ser impactante, apesar do final reservado à personagem de Giovanni Ribisi chegar a ser interessante e emocionante. No entanto, graças à direção criativa de Raimi, que tenta fugir sempre que possível do previsível – apesar de nem sempre conseguir -, ao trabalho superlativo de Blanchett e à trilha sonora de Christopher Young, mantém a atenção até o minuto final, o que não pode ser dito de todos seus congêneres.