Showing posts with label GIOVANNI RIBISI. Show all posts
Showing posts with label GIOVANNI RIBISI. Show all posts

Wednesday, September 7, 2011

O DOM DA PREMONIÇÃO

O DOM DA PREMONIÇÃO (The gift, 2000, Paramount Classics, 112min) Direção: Sam Raimi. Roteiro: Billy Bob Thornton, Tom Epperson. Fotografia: Jamie Anderson. Montagem: Arthur Coburn, Bob Murawski. Música: Christopher Young. Figurino: Julie Weiss. Direção de arte/cenários: Neil Spisak/Marthe Pineau. Produção executiva: Sean Daniel, Gregory Goodman, Ted Tannebaum, Rob Talpert. Produção: James Jacks, Gary Lucchesi, Tom Rosenberg. Elenco: Cate Blanchett, Greg Kinnear, Katie Holmes, Giovanni Ribisi, Keanu Reeves, Hilary Swank, J. K. Simmons, Rosemary Harris, Michael Jeter, Kim Dickens. Estreia: 22/12/00

Certas atrizes têm o dom de transformar o que poderia ser apenas um produto rotineiro de entretenimento em algo acima da média. Uma dessas atrizes é Cate Blanchett. Mesmo em papéis ingratos em filmes menores, a australiana consegue sobressair-se incólume e em alguns casos até mesmo salva produções que sem ela mal seriam lembradas pela maioria dos espectadores. É o caso de “O dom da premonição”, um suspense interessante e bem realizado, mas que, sem sua presença luminosa, seria apenas mais um exemplar de um gênero pouco dado a apresentar obras-primas


À frente de um elenco de astros de grandezas variadas – a oscarizada Hilary Swank em um papel inadequado, o péssimo Keanu Reeves surpreendendo positivamente, o desajeitado Giovanni Ribisi com um personagem carismático, a jovem Katie Holmes em papel ousado e diferente do que fez até então e o simpático canastrão Greg Kinnear tentando dar veracidade a um personagem ingrato – Blanchett sobressai-se sem precisar de muito esforço. No filme de Sam Raimi – às vésperas de encarar sua primeira grande super produção, o blockbuster “Homem-aranha” – ela vive Annie Wilson, uma dona-de-casa, viúva e mãe de três filhos que complementa a renda familiar dando consultas como vidente em uma pequena cidade pantanosa do interior dos EUA. Ajudando seus vizinhos e amigos, principalmente o traumatizado mecânico Buddy (Giovanni Ribisi), ela ainda sofre ameaças de Donnie Barksdeale, um violento marido de uma cliente, Valerie (vividos por Keanu Reeves e Hilary Swank). Sua vida sofre uma reviravolta quando uma jovem da alta classe da cidade, Jessica King (a sempre insossa Katie Holmes) desaparece misteriosamente. Procurada por Wayne Collins, o noivo da moça (papel de Greg Kinnear), que é o diretor da escola onde estudam seus filhos, Annie não consegue negar ajuda, mas acaba colocando sua própria vida em risco.



Co-escrito pelo ator Billy Bob Thornton, o roteiro do filme de Raimi não apresenta grandes novidades, principalmente aos aficcionados do gênero. Nem mesmo a surpresa final chega a ser impactante, apesar do final reservado à personagem de Giovanni Ribisi chegar a ser interessante e emocionante. No entanto, graças à direção criativa de Raimi, que tenta fugir sempre que possível do previsível – apesar de nem sempre conseguir -, ao trabalho superlativo de Blanchett e à trilha sonora de Christopher Young, mantém a atenção até o minuto final, o que não pode ser dito de todos seus congêneres.

Monday, May 30, 2011

O RESGATE DO SOLDADO RYAN

O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan, 1998, Amblin Entertainment/DreamWorks Pictures, 169min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Robert Rodat. Fotografia: Janusz Kaminski. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Tom Sanders/Lisa Dean Kavanaugh. Produção: Ian Bryce, Mark Gordon, Gary Levinsohn, Steven Spielberg. Elenco: Tom Hanks, Edward Burns, Tom Sizemore, Matt Damon, Jeremy Davies, Vin Diesel, Giovanni Ribisi, Dennis Farina, Paul Giamatti, Ted Danson, Adam Goldberg. Estreia: 24/7/98

11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original/Drama, Direção de arte/cenários, Som, Efeitos Sonoros, Maquiagem
Vencedor de 5 Oscar: Diretor (Steven Spielberg), Fotografia, Montagem, Som, Efeitos Sonoros
Vencedor de 2 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Diretor (Steven Spielberg)

Depois de ter ganho seus esperados (e merecidíssimos!) Oscar por "A lista de Schindler", era esperado que Steven Spielberg entrasse naquele limbo que muitas vezes aprisiona os escolhidos da Academia. A desnecessária continuação de "Jurassic Park" e o sonolento "Amistad" também acenavam em direção a essa possibilidade. Mas eis que, surpreendendo a todos, o homem que foi chamado de "o Peter Pan do cinema" mostrou que sua maturidade artística ainda estava por vir. Novamente visitando a II Guerra Mundial, mas sob uma nova ótica,  Spielberg lançou "O resgate do soldado Ryan", um dos mais espetaculares filmes de guerra da história. Indicado a 11 Oscar e favorito ao prêmio máximo, o assustador retrato do conflito que matou milhares de pessoas pelo mundo bateu de frente com o bonitinho "Shakespeare apaixonado" e foi relegado apenas a quatro prêmios técnicos e a estatueta de melhor diretor. Ainda que o vencedor do ano seja simpático e inteligente, são as imagens fortes e dolorosas de "Ryan" que vão ficar marcadas na história do cinema.

E essas imagens fortes e dolorosas já atingem a plateia em seus primeiros momentos, contrariando a regra de deixar-se o clímax para o final. São vinte minutos de extrema violência mostrada sem poesia e retoques: um pelotão de soldados americanos desembarca na Normandia em de junho de 1945, no famigerado Dia D, e a câmera nervosa de Spielberg e do diretor de fotografia Janusz Kaminski jogam o público em um confronto onde sangue, suor, mar e areia se confundem. E é nessa sequência impecável que é apresentando o protagonista, o Capitão John Miller, vivido por um intenso e discreto Tom Hanks, merecidamente indicado ao Oscar de melhor ator. É a Miller que caberá a missão que dará origem à verdadeira trama do filme, escrita com precisão por Robert Rodat (também concorrente à estatueta): como uma espécie de jogada de relações públicas, o exército norte-americano resolve tirar do conflito o único sobrevivente de uma família cujos filhos foram todos vitimados na mesma campanha. Para isso, ordena a Miller que, juntamente com um grupo de soldados escolhidos a dedo, saia à procura do jovem James Francis Ryan (Matt Damon). Mesmo questionando a lógica da missão (arriscar a vida de oito homens para salvar apenas um), Miller tem integridade o bastante para cumprí-la. Sendo assim, une-se a o Sargento Mike Horrath (Tom Sizemore) e a outros recrutas em busca do rapaz.



Como normalmente acontece em filmes de guerra, o destino não é tão importante quanto o percurso. Buscando o paradeiro de Ryan, o Capitão Miller e seus subordinados testemunham os horrores da guerra (como se já não o tivessem sofrido na pele, anteriormente), experimentando toda a sua glória e suas mesquinharias, sua grandiosidade e sua covardia. É sintomático que os próprios soldados tenham personalidades paradoxais, o que incentiva o conflito entre eles mesmo que eles precisem desesperadamente de uma união, por mais frágil que ela possa parecer. Sendo assim estão reunidos o fervoroso católico Daniel Jackson (Barry Pepper) e o furioso judeu Stanley Mellish (Adam Goldberg), o beligerante Adrian Caparzo (Vin Diesel em seu primeiro papel de destaque) e o inexperiente Timothy Upham (Jeremy Davies), o médico Irwin Wade (Giovanni Ribisi) e o implicante nova-iorquino Richard Reiben (o diretor e roteirista Edward Burns, muito bem em cena). Unidos como pelotão e sozinhos em suas individualidades, eles apresentam à audiência um retrato fiel e assustador da guerra, deixando pouco espaço para o sentimentalismo típico do cineasta.

A fúria com que "O resgate do soldado Ryan" atinge o espectador é comparável com o enorme sucesso de bilheteria do filme de Spielberg. Apesar de sua violência explícita, o filme arrecadou mais de 200 milhões de dólares somente no mercado americano, tendo mais do que dobrado sua renda ao redor do mundo. Dirigido com um domínio invejável da técnica cinematográfica - sem que a preocupação com as personagens fosse deixada de lado - e dotado de uma força dramática arrebatadora, é um dos filmes indispensáveis dos anos 90 e quiçá o melhor de seu gênero na história do cinema. É, também, o último grande filme de seu diretor até a data. Seu Oscar de direção foi mais do que merecido: foi obrigatório.

Wednesday, March 9, 2011

THE WONDERS, O SONHO NÃO ACABOU

THE WONDERS, O SONHO NÃO ACABOU (That thing you do!, 1996, 20th Century Fox, 108min) Direção e roteiro: Tom Hanks. Fotografia: Tak Fujimoto. Montagem: Richard Chew. Música: Howard Shore. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: Victor Kempster/Merideth Boswell. Produção: Jonathan Demme, Gary Goetzman, Edward Saxon. Elenco: Tom Hanks, Jonathon Schaech, Tom Everett Scott, Liv Tyler, Steve Zahn, Ethan Embry, Giovanni Ribisi, Charlize Theron, Rita Wilson, Kevin Pollak, Chris Isaak. Estreia: 04/10/96

Indicado ao Oscar de Melhor Canção ("That thing you do!")

Premiado com dois Oscar consecutivos de melhor ator e um dos astros mais populares de Hollywood, Tom Hanks acrescentou mais um sucesso à sua carreira, em 1996, dessa vez em uma missão tripla. Em "The Wonders, o sonho não acabou", ele não apenas faz um pequeno papel coadjuvante: ele é também o roteirista e o diretor, unindo-se ao time dos atores tornados cineastas. Porém, ao contrário de nomes que foram ambiciosos em suas incursões para trás das câmeras, como Mel Gibson e Kevin Costner - só para citar nomes mais recentes - Hanks não fez sua estreia com um projeto grandioso ou de olho em estatuetas douradas. "The Wonders" é a cara de seu criador: agradável, simples e bem-humorado.

Ligeiramente inspirado na trajetória dos Beatles, Hanks inventou a história dos Wonders, um grupo de rock que, no início dos anos 60, conhece o gostinho do sucesso mas vê toda a sua possibilidade de reconhecimento internacional ruir devido aos problemas entre seus integrantes. Apesar de parecer mais um dramalhão que analisa egos inflados e retrata violentas auto-destruições, o filme do eterno Forrest Gump opta pelo viés cômico e leve, com um revestimento romântico e delicado que a trilha sonora vibrante e dançante reitera lindamente. Sob os olhos otimistas e generosos de Hanks, a história dos Wonders não é nada mais do que uma deliciosa viagem musical para o início do rock'n'roll.

É 1964, e a pequena cidade de Erie, na Pensilvânia é o lar de um grupo de amigos que aproveitam seus tempos livres para brincar de músicos. Depois que seu baterista sofre um acidente e quebra o braço, o jovem Guy Patterson (Tom Everett Scott) é convidado por Jimmy Mattingly (Jonathon Schaech) a assumir seu lugar. Dando uma batida mais rápida à balada "That thing you do!", composta por Jimmy - e tocada à exaustão no decorrer do filme - Guy acaba empurrando o grupo às paradas de sucesso. Empresariados pelo competente White (Tom Hanks), do selo Play-Tone, eles logo começam a galgar posições nas paradas de sucesso. Seu êxito logo torna-se uma ameaça ao relacionamento entre Guy e sua bela namorada, a doce Faye (Liv Tyler).


Deixando de lado toda e qualquer preocupação melodramática ou existencialista, o roteiro de Hanks é um primor de leveza e simpatia. Não há nenhum drama insuperável nem intrigas de bastidores como normalmente ocorre em produções do tipo. O baixista acidentado (vivido por Giovanni Ribisi) não tenta sabotar seu substituto nem existe uso de drogas ou bebidas. O universo rock'n'roll criado por Hanks é um universo totalmente desprovido das mazelas do mundo da música e isso talvez seja a razão porque o filme seja tão irresistível, mesmo que não tenha feito o barulho esperado em termos de bilheteria. Para um público acostumado aos excessos de Jim Morrison, Sid Vicious e Janis Joplin, encarar um grupo tão certinho como os Wonders talvez soe como um retrocesso inadmissível. O que esse público não desconfia é que nem só de overdoses e orgias sexuais vive o mundo da música (ao menos dentro da mente Polyanna de Tom Hanks)

No fim das contas, "The Wonders" é um delicioso entretenimento, capaz de divertir por duas horas em exigir nada mais do que a vontade de se deixar acompanhar por personagens simpáticos, uma trilha sonora dançante e a reconstituição de uma época dourada (mesmo que já manchada pela morte de Kennedy e pela guerra do Vietnã). E além de tudo, o filme tem Liv Tyler, deslumbrante e meiga, no auge de sua beleza etérea. Quem precisa mais do que isso para se divertir?