Nada como um sucesso arrebatador de crítica e público pra dar confiança a um diretor ainda hesitante. Quando dirigiu o primeiro “X-Men” Bryan Singer ainda titubeava em sua busca de agradar aos fãs – fanáticos seria uma palavra mais adequada – dos quadrinhos e atingir a uma plateia maior, cujo acesso às histórias publicadas em revistas é mais restrito. O resultado foi elogiado por gregos e troianos, rendeu milhares de dólares e deu ao cineasta – cujo talento já havia sido reconhecido massivamente com “Os suspeitos” – a confiança necessária para que, na continuação inevitável ele realmente fizesse o filme que sonhava. Da maneira que está, “X-Men 2” não é apenas o filme que ELE sonhava e sim o filme que todos os fãs esperavam ansiosamente.
Sem a necessidade de apresentar seus personagens, já conhecidos e aprovados em seus respectivos intérpretes, a trama já começa a todo vapor. A invasão da Casa Branca por um novo mutante – vivido por Alan Cumming – empurra a narrativa em várias direções, todas absolutamente bem dosadas e equilibradas pelo roteiro extraordinário. Graças a este roteiro, várias histórias paralelas começam e terminam – algumas de maneira bastante instigantes – sem que nunca nenhuma delas perca o interesse do público. Sendo assim, vemos desde o início da transformação de Jean Grey (Famke Jansen) em Fênix até a união efêmera mas crucial entre os mutantes do mal, liderados por Magneto (o esplêndido Ian McKellen) com a turma pacífica do Professor Xavier (Patrick Stewart) para impedir que as ideias malévolas do cientista William Striker (Brian Cox) os destruam. Striker, aliás, é uma das personagens mais importantes do novo longa, uma vez que tem ligação com a origem de Wolverine (Hugh Jackman, ainda roubando a cena), que finalmente tem a oportunidade de mostrar toda a sua raiva contida em cenas de mais absoluta adrenalina.
Adrenalina, aliás, é o que não falta em “X-Men 2”. Repleto de cenas espetaculares de ação – incluindo uma luta entre Wolverine e a bela e fatal Lady Letal e um clímax extremamente mais potente do que o mostrado no primeiro filme –, a obra de Singer não decepciona nem aos mais afoitos fãs do material original. E se não bastasse corrigir tudo que não era perfeito no primeiro capítulo – efeitos mais elaborados, uma duração maior, mais cenas de ação – o roteiro da segunda parte ainda se dá ao luxo de criar cenas de relevância muito maior do que poderia se esperar, dando ressonância àquele que é provavelmente o subtema mais importante de toda a série: a tolerância às diferenças, tão perfeitamente representadas pelos mutantes e de forma tão divertida.
Mostrando-se uma gloriosa exceção à regra, “X-Men 2” consegue ser ainda melhor que sua primeira parte e escancarou as portas para uma nova continuação. Um filme de ação absolutamente perfeito!
