Showing posts with label HUGH JACKMAN. Show all posts
Showing posts with label HUGH JACKMAN. Show all posts

Thursday, February 16, 2012

X-MEN 2

X-MEN 2 (X2, 2003, 20th Century Fox, 133min) Direção: Bryan Singer. Roteiro: Michael Dougherty, Dan Harris, David Hayter, estória de Zak Penn, David Hayter, Bryan Singer. Fotografia: Newton Thomas Sigel. Montagem e Música: John Ottman. Figurino: Louise Mingenbach. Direção de arte/cenários: Guy Hendrix Dyas/Elizabeth Wilcox. Produção executiva: Avi Arad, Tom DeSanto, Stan Lee, Bryan Singer. Produção: Lauren Shuler Donner, Ralph Winter. Elenco: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, Hale Berry, Famke Janssen, James Marsden, Brian Cox, Rebecca Romjin-Stamos, Anna Paquin, Ellen Page, Alan Cumming, Aaron Stanford, Shawn Ashmore. Estreia: 28/4/03

Nada como um sucesso arrebatador de crítica e público pra dar confiança a um diretor ainda hesitante. Quando dirigiu o primeiro “X-Men” Bryan Singer ainda titubeava em sua busca de agradar aos fãs – fanáticos seria uma palavra mais adequada – dos quadrinhos e atingir a uma plateia maior, cujo acesso às histórias publicadas em revistas é mais restrito. O resultado foi elogiado por gregos e troianos, rendeu milhares de dólares e deu ao cineasta – cujo talento já havia sido reconhecido massivamente com “Os suspeitos” – a confiança necessária para que, na continuação inevitável ele realmente fizesse o filme que sonhava. Da maneira que está, “X-Men 2” não é apenas o filme que ELE sonhava e sim o filme que todos os fãs esperavam ansiosamente.

Sem a necessidade de apresentar seus personagens, já conhecidos e aprovados em seus respectivos intérpretes, a trama já começa a todo vapor. A invasão da Casa Branca por um novo mutante – vivido por Alan Cumming – empurra a narrativa em várias direções, todas absolutamente bem dosadas e equilibradas pelo roteiro extraordinário. Graças a este roteiro, várias histórias paralelas começam e terminam – algumas de maneira bastante instigantes – sem que nunca nenhuma delas perca o interesse do público. Sendo assim, vemos desde o início da transformação de Jean Grey (Famke Jansen) em Fênix até a união efêmera mas crucial entre os mutantes do mal, liderados por Magneto (o esplêndido Ian McKellen) com a turma pacífica do Professor Xavier (Patrick Stewart) para impedir que as ideias malévolas do cientista William Striker (Brian Cox) os destruam. Striker, aliás, é uma das personagens mais importantes do novo longa, uma vez que tem ligação com a origem de Wolverine (Hugh Jackman, ainda roubando a cena), que finalmente tem a oportunidade de mostrar toda a sua raiva contida em cenas de mais absoluta adrenalina.

Adrenalina, aliás, é o que não falta em “X-Men 2”. Repleto de cenas espetaculares de ação – incluindo uma luta entre Wolverine e a bela e fatal Lady Letal e um clímax extremamente mais potente do que o mostrado no primeiro filme –, a obra de Singer não decepciona nem aos mais afoitos fãs do material original. E se não bastasse corrigir tudo que não era perfeito no primeiro capítulo – efeitos mais elaborados, uma duração maior, mais cenas de ação – o roteiro da segunda parte ainda se dá ao luxo de criar cenas de relevância muito maior do que poderia se esperar, dando ressonância àquele que é provavelmente o subtema mais importante de toda a série: a tolerância às diferenças, tão perfeitamente representadas pelos mutantes e de forma tão divertida.

Mostrando-se uma gloriosa exceção à regra, “X-Men 2” consegue ser ainda melhor que sua primeira parte e escancarou as portas para uma nova continuação. Um filme de ação absolutamente perfeito!

Tuesday, October 25, 2011

KATE & LEOPOLD

KATE & LEOPOLD (Kate & Leopold, 2001, Miramax Films, 118min) Direção: James Mangold. Roteiro: James Mangold, Steven Rogers, história de Steven Rogers. Fotografia: Stuart Dryburgh. Montagem: David Brenner. Música: Rolfe Kent. Figurino: Donna Zakowska. Direção de arte/cenários: Mark Friedberg/Stephanie Carroll. Produção executiva: Kerry Orent, Meryl Poster, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Cathy Konrad. Elenco: Meg Ryan, Hugh Jackman, Liev Schreiber, Breckin Meyer, Natasha Lyonne, Bradley Whitford, Philip Bosco. Estreia: 25/12/01

Indicado ao Oscar de Melhor Canção ("Until")

Filme ideal para aquelas mulheres que reclamam da falta de romantismo e galanteria dos homens contemporâneos, a comédia romântica "Kate & Leopold", protagonizada pela estrela máxima do gênero, Meg Ryan, é uma aula de como conquistar um público ávido por histórias de amor com finais felizes. Em pouco menos de duas horas de duração, o filme de James Mangold usa e abusa de clichês, mas o faz com tanto carinho, bom humor e leveza que é difícil deixar de gostar.

O cientista Stuart (vivido com graça pelo prestigiado Liev Schreiber) descobre um rasgo no tempo que o permite visitar a Nova York de 1876. Na apressada volta para 2001 ele acaba, por acidente, ganhando a companhia de Leopold (Hugh Jackman, perfeito), um duque falido que está sendo pressionado por seu tio a fazer um bom casamento. Em choque com as diferenças culturais e sociais de duas épocas completamente distintas, o gentil e cavalheiro Leopold acaba conquistado pela ex-namorada de Stuart, a executiva Kate McKay (Meg Ryan), que, desiludida com a espécie masculina em geral, demora a perceber que também está apaixonada pelo galante duque, que, de quebra, ajuda o irmão da moça, o aspirante a ator Charlie (Breckin Meyer) a mudar suas atitudes para seduzir uma colega.



O roteiro do diretor Mangold - exercitando um estilo diferente do dramalhão que apresentou em "Garota, interrompida" - escrito em parceria com Steven Rogers não tenta explicar como funciona as viagens no tempo que são cruciais para o início da trama, deixando que a bela e delicada história de amor entre os protagonistas comande o espetáculo. Ao optar por centrar seus esforços na dupla de atores, o cineasta marca um gol de placa. Enquanto Ryan continua utilizando seu arsenal de caras e bocas que a fizeram a preferida entre o público cativo das comédias românticas, é o astro Hugh Jackman quem rouba todas as cenas. Distante anos-luz de seu personagem mais conhecido, o furioso Wolverine de "X-Men", o ator australiano demonstra um timing cômico perfeito, além de ter o tipo físico ideal para encarnar o sedutor Leopold. Juntos, ele e Meg formam um casal adorável, o que torna a experiência de assistir a "Kate & Leopold" deliciosa.

E dá pra não simpatizar com um filme que homenageia, ainda que de leve, o clássico "Bonequinha de luxo"?

PS - Reparem na ponta da atriz Viola Davis (indicada ao Oscar de coadjuvante por "Dúvida") como a policial que aborda Leopold em seu primeiro passeio pelas ruas da Nova York de 2001.

Tuesday, August 23, 2011

X-MEN, O FILME

X-MEN (X-Men, 2000, 20th Century Fox/Marvel Enterprises/Donner's Company, 104min) Direção: Bryan Singer. Roteiro: David Hayter, estória de Tom DeSanto, Bryan Singer. Fotografia: Newton Thomas Sigel. Montagem: Steven Rosenblum, Kevin Stitt, John Wright. Música: Michael Kamen. Figurino: Louise Mingenbach. Direção de arte/cenários: John Myhre/James Edward Ferrell. Produção executiva: Avi Arad, Tom DeSanto, Richard Donner, Stan Lee. Produção: Lauren Shuler Donner, Ralph Winter. Elenco: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, Hale Berry, Anna Paquin, James Mardsen, Famke Janssen, Rebecca Romijn-Stamos, Bruce Davison. Estreia: 14/7/00

Até o dia 14 de julho de 2000, o destino dos filmes baseados em histórias em quadrinhos era sempre uma incógnita. Para cada “Superman” de Richard Donner ou “Batman” de Tim Burton surgiam aberrações como os filmes do homem-morcego dirigidos por Joel Schumacher – que humilhavam seu herói impiedosamente com roteiros deploráves e produções vexaminosas. Foi somente quando um grupo de mutantes chegou às telas de cinema sob o comando de um diretor improvável e um elenco desprovido de astros de primeira grandeza que a porta para o sucesso constante do universo dos famigerados comic books foi finalmente aberta (ou seria melhor até dizer, escancarada). “X-Men, o Filme” foi a prova que todo mundo precisava de que, adaptados em um roteiro inteligente e dirigidos por gente criativa e talentosa, os quadrinhos poderiam – e até mesmo deveriam, dada a sua importância dentro do universo pop – ser uma matéria-prima quase infinita para a sétima arte.

Relativamente fiel a suas origens, “X-Men” é um êxito absoluto, principalmente se for levado em conta que seu diretor não era exatamente um fã nem da série nem tampouco do gênero. Revelado por obras fortes e dotadas de grande poder dramático – “Os suspeitos” e “O aprendiz” – Bryan Singer assumiu as rédeas do filme depois que nomes conhecidos dos fãs de ação - como John McTiernan, James Cameron, Richard Donner e Joel Schumacher – foram sendo sistematicamente deixados de lado (até mesmo Danny Boyle, Robert Rodriguez e Tim Burton estiveram na lista de possíveis diretores). Ao sentar na cadeira de diretor, porém, o jovem Singer (na época com apenas 34 anos) não se fez de rogado e criou o filme que todos os fãs dos mutantes esperavam (pelo menos até o segundo capítulo, também dirigido por ele e lançado três anos depois, que expandiu ainda mais as qualidades da história). Levando a trama extremamente a sério, Singer não dirigiu apenas um entretenimento escapista de verão: ele criou um clássico pop que, além de divertir o suficiente, apresenta uma metáfora bastante pertinente a respeito de preconceito e tolerância.

Quando o filme começa, o público fica sabendo que há muitos anos milhares de mutantes transitam pela Terra, convivendo de forma pacífica e discreta com seres humanos convencionais, ainda que muitos escondam seus dons para que possam viver normalmente. O sensato Professor Xavier (Patrick Stewart) comanda uma escola para jovens mutantes (disfarçada como escola para superdotados), onde eles podem aprender a controlar seus poderes e utilizá-los de forma apropriada. Porém, um senador da República (Bruce Davison) dá início a uma campanha nacional que pede a todos os mutantes que se identifiquem. Com medo da discriminação que tal lei poderia causar, Magneto (Ian McKellen), um mutante com poder de manipular metais com o poder da mente, pretende começar uma guerra contra os humanos. Sobrevivente de um campo de concentração na II Guerra, Magneto conhece as conseqüências de ser “diferente” e entra em conflito direto com Xavier, que acredita que a tolerância e o diálogo são os melhores meios para lidar com a situação. Para impedir Magneto de principiar sua sangrenta e violenta guerra, Xavier conta com o auxílio do misterioso Wolverine (Hugh Jackman) – um homem cujas garras de adamantium são apenas uma parte de seu misterioso passado – a belas Tempestade (Hale Berry) e Jean Grey (Famke Janssen), o jovem Ciclope (James Mardsen) e a adolescente Vampira (Anna Paquin) – que une-se ao grupo como forma de auto-aceitação.


Além do roteiro enxuto que apresenta de forma quase didática seus personagens e situações – além de deixar um bela porta aberta para sua brilhante continuação – “X-Men” ainda por cima com um elenco excepcional. Sir Ian McKellen mais uma vez rouba a cena como o vilão Magneto, cuja maldade é compreensível em grande parte pelo talento do ator. As oscarizadas Anna Paquin e Hale Berry (que levaria a estatueta pouco depois de sua atuação como Tempestade) dão estofo artístico ao projeto e Patrick Stewart (fã dos quadrinhos) é a escolha ideal para Xavier. Mas é o então desconhecido Hugh Jackman que mais chama a atenção da plateia, com sua perfeita criação de Wolverine, uma personagem que parece ter sido criada para ele (e no entanto seria de Dougray Scott, que perdeu o papel por estar preso nas atrasadas filmagens de “Missão: Impossível 2”. Mesmo que não parecesse a escolha ideal para os fãs dos quadrinhos (o Wolverine original é baixinho e Jackman tem quase 1,90m), o ator australiano não deixou pedra sobre pedra com seu trabalho impecável – que garantiu inclusive um filme solo para seu personagem, o fraquinho “Wolverine: Origens”, de 2009.

Com efeitos visuais discretos mas eficientes, humor nas horas certas (e em quantidade limitada) e um roteiro esperto mas nunca bobo ou querendo ser alternativo e/ou artístico, “X-Men” conquistou seu público como uma das melhores traduções do universo dos quadrinhos para a tela do cinema, alterando definitivamente – para o bem e para o mal – o panorama do entretenimento no século XXI.