Tuesday, February 28, 2012

UM MÊS, 31 FILMES - DIA 18 - MELHOR ANIMAÇÃO

Eu confesso que não sou chegado a desenhos animados. Mais de trinta minutos de um filme animado já é o suficiente pra me deixar impaciente. Mas quem tem sobrinhos precisa, de vez em quando, dar uma olhadinha no que está acontecendo no mundo do cinema sem atores de carne-e-osso. Por mais que eu ache "O Rei Leão" um belo filme e tenha boas lembranças dos desenhos de Walt Disney que marcaram a minha infância, acho que o melhor de todos é uma trilogia: "Toy story" é uma delícia. Engraçado, emocionante e com uma história excelente, é, sem dúvida, meu preferido. Os três filmes são os únicos desenhos animados que eu consigo assistir mais de uma vez sem cair no sono... E sem falar que as personagens são encantadoras e a mensagem é de comover qualquer um...

Wednesday, February 22, 2012

AOS TREZE

AOS TREZE (Thirteen, 2003, Fox Searchlight Pictures, 100min) Direção: Catherine Hardwicke. Roteiro: Catherine Hardwicke, Nikki Reed. Fotografia: Elliot Davis. Montagem: Nancy Richardson. Música: Mark Mothersbaugh, Brian Zarate. Figurino: Cindy Evans. Direção de arte/cenários: Carol Strober/Dorit Oberman. Produção executiva: Tim Bevan, Liza Chasin, Eric Fellner, Holly Hunter. Produção: Jeffrey Levy-Hinte, Michael London. Elenco: Evan Rachel Wood, Nikki Reed, Holly Hunter, Jeremy Sisto, Deborah Kara Unger. Estreia: 12/6/03

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Holly Hunter)

Ao contrário de “Kids”, de Larry Clark, que em 1994 mostrou-se mais marketing do que cinema, este “Aos treze” é um chocante retrato da adolescência média não só americana, mas ocidental. Sem perder tempo com julgamentos morais, a câmera da diretora Catherine Hardwicke - que depois perderia o respeito assinando o primeiro filme da série "Crepúsculo" - percorre a trilha de suas protagonistas como uma testemunha muda, vacilante e talvez até chocada, para o que contribui a inspirada fotografia de Elliot Davis, estourada em certos momentos para dar o clima quase claustrofóbico que se instala em determinados momentos da ação.
          
Aos treze anos de idade, a sensível Tracey (Evan Rachel-Wood) é um exemplo de dedicação aos estudos e é o orgulho de sua mãe, Melanie (Holly Hunter), uma cabeleireira ex-alcóolatra que vive um romance com um rapaz mais jovem (Jeremy Sisto) com problemas com drogas. Sentindo-se rejeitada pelas colegas mais descoladas, Tracey faz amizade com Evie (Nikki Reed), a garota mais popular da escola. Acontece que Evie não é nenhuma flor que se cheire. Sexy e independente, ela consome e vende drogas, usa o sexo como argumento em todas as ocasiões possíveis, bebe e não é exatamente um exemplo a ser seguido. Mas é ela que Tracey escolhe como modelo de vida, o que a acaba levando para um caminho aparentemente sem volta.
        
O roteiro do filme, feito a quatro mãos pela diretora e pela atriz Nikki Reed, que interpreta a má companhia Evie, não tenta buscar explicações para o que acontece, não justifica os atos das personagens e nem força um final feliz. Foi escrito com veracidade, força e energia, elementos que transparecem em cada cena. E, se o roteiro é marcante, muito mais são as atuações do elenco. Se Evan Rachel Wood aparece como uma refrescante atriz adolescente a surgir em Hollywood, é a também produtora executiva do filme, Holly Hunter (indicada ao Oscar por sua irrepreensível interpretação) que brilha a cada vez que aparece em cena, demonstrando que seu talento é inversamente proporcional a sua baixa estatura.
        
Para quem quer assistir a um filme importante mas sem o ranço politicamente correto que assola o cinema americano, “Aos treze” é garantia de 100 minutos de qualidade artística e relevância social. Imperdível.

Tuesday, February 21, 2012

UM MÊS, 31 FILMES - DIA 17 - BRASILEIRÃO

É possível reunir um roteiro decente, atuações inesquecíveis, um tema relevante e um nível técnico de primeiro mundo em um filme nacional? Até há poucos anos a resposta seria um inequívoco NÃO. Mas aos poucos o cinema brazuca anda dando mostras de um amadurecimento inconteste. E, para cada "As mães de Chico Xavier" que somos obrigados a engolir, surge um candidato a obra-prima. Mas, por mais que "Tropa de elite 2" seja merecidamente a maior bilheteria do nosso cinema até hoje, seria injusto não homenagear aquele filme que abriu definitivamente as portas para que o Brasil passasse a ser reconhecido como potencial pólo cinematográfico. Dirigido por Fernando Meirelles (hoje já em pagos hollywoodianos), "Cidade de Deus" conseguiu o que parecia impossível: agradou o público (um imenso público, diga-se de passagem), a crítica, os membros da Academia de Hollywood e todo mundo que é fã de bom cinema - além de ter legado à história um dos mais apavorantes vilões que se tem notícia, o temido Zé Pequeno...

Quanto mais eu assisto a "Cidade de Deus", mais eu gosto! Obra-prima inquestionável!

AS INVASÕES BÁRBARAS

AS INVASÕES BÁRBARAS (Les invasions barbares, 2003, Canadá, 99min) Direção e roteiro: Denys Arcand. Fotografia: Guy Dufaux. Montagem: Isabelle Dedieu. Música: Pierre Aviat. Figurino: Denis Sperdouklis. Direção de arte/cenários: François Séguin/Patrice Bengle, Annika Krausz. Produção: Daniel Louis, Denise Robert. Elenco: Rémy Girard, Stéphane Rousseau, Marie-Josée Croze, Marina Hands, Yves Jacques. Estreia: 21/5/03 (Festival de Cannes)

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Festival de Cannes: Melhor Atriz (Marie-Josée Croze), Melhor Roteiro

Normalmente, quando vai escolher o vencedor do Oscar na categoria de Melhor Produção Estrangeira a Academia de Hollywood gosta de praticar a política de boa vizinhança ou optar por filmes de países cuja relevância política e/ou social esteja em voga no momento. Felizmente quando este “As invasões bárbaras” estava no páreo não houve nenhum tipo de polêmica. Um dos mais belos produtos cinematográficos do ano, o filme do canadense Denys Arcand emociona e faz pensar sem apelar para sentimentalismos baratos, graças a um roteiro equilibrado e atuações acima de quaisquer críticas.

Espécie de continuação de “O declínio do império americano”, realizado por Arcand em 1986 – cujos personagens retornam aqui, mais velhos e um tanto mais cínicos – o filme que ganhou dois prêmios em Cannes – roteiro e atriz (Marie-Josée Croze) – conta uma história triste e melancólica, mas com um senso de esperança raramente visto em produções comerciais, sejam elas de que país forem. E talvez justamente por tratar de temas tão universais como amor entre amigos, família e aos ideais, “As invasões bárbaras” tenha conquistado tanta atenção e provocado tantas lágrimas.

 

A trama começa quando o bem-sucedido empresário Sebastien (Stephane Rousseau), que trabalha no mercado financeiro de Londres, é chamado de volta ao Canadá por sua mãe, que o avisa que seu pai está seriamente doente, precisando de um tratamento para seus últimos momentos. O pai de Sebastien é Remy (o extraordinário Remy Girard), um professor universitário socialista que já teve seus dias de conquistador e que agora vive um casamento quase de aparência com sua nem tão compreensiva mulher. Mesmo sentindo que seus dias estão no fim, ele reluta em aceitar a ajuda do filho – que em sua concepção não passa de um materialista colonizador - em pagar seu tratamento. No entanto, as coisas começam a mudar quando recebe a visita de seu grupo de antigos amigos, todos intelectuais tentando lidar com a passagem do tempo e com a destruição de seus sonhos políticos e sociais. Entre lembranças divertidas com seus amigos e discussões ferrenhas com o filho, Remy ainda faz duas amizades no hospital: uma enfermeira paciente e dedicada e a filha de uma amiga, uma jovem viciada em heroína que encontra nele a inspiração para deixar as drogas.

O roteiro de “As invasões bárbaras” é um primor de delicadeza, inteligência e de um eruditismo que nem de longe soa como pedante. Ao confrontar suas personagens – mais maduras e consequentementes com suas próprias cargas de perdas pessoais e espirituais – com a passagem do tempo e a inevitabilidade da morte, Denys Arcand de uma certa forma faz o inventário de uma geração, sem precisar apelar para lágrimas fáceis. Nem mesmo as cenas entre pai e filho, de uma beleza pungente, consegue tirar a sensação de uma pequena obra-prima sobre as coisas boas da vida. Um filme para ver e rever sempre!

Monday, February 20, 2012

ABAIXO O AMOR

ABAIXO O AMOR (Down with love, 2003, Fox 2000 Pictures, 101min) Direção: Peyton Reed. Roteiro: Eve Ahlert, Dennis Drake. Fotografia: Jeff Cronenweth. Montagem: Larry Bock. Música: Marc Shaiman. Figurino: Daniel Orlandi. Direção de arte/cenários: Andrew Laws/Don Diers. Produção executiva: Paddy Cullen, Arnon Milchan. Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks. Elenco: Renee Zellweger, Ewan McGregor, Sarah Paulson, David Hyde Pierce, Tony Randall. Estreia: 09/5/03

Nova York, década de 60. O feminismo ainda é um ideal para a maioria das mulheres americanas, esmagadas pelo machismo latente e nada velado. É nesse ambiente um tanto em combustão que chega a escritora Barbara Novak (Renée Zellwegger), vinda do interior do país para lançar seu livro “Abaixo o amor”, onde incentiva as mulheres a tomarem as rédeas de suas vidas amorosas, profissionais e – por que não? – sexuais. Contando com o apoio de sua editora e amiga Vikki Hiller (Sarah Paulson), ela quase que imediatamente vira sensação na cidade que nunca dorme, principalmente quando vai a uma rede de televisão e dá o nome de um exemplo a ser combatido pela raça fêmea: o repórter, playboy e conquistador Catcher Block (Ewan McGregor). Sentindo-se pessoalmente atingido, uma vez que sua taxa de sedução cai astronomicamente depois da declaração de Barbara, Catcher resolve então virar o jogo: assumindo o nome e a personalidade do astronauta Zip Martin, ele tenta seduzir a escritora, para assim desmascará-la como mais uma mulher que, no fundo, busca o que todas buscam: a felicidade nos braços de um homem.
       
Uma pena que esta divertida comédia romântica tenha se dado tão mal nas bilheterias americanas. Engraçada, criativa e inteligente, ela não conquistou o público ianque, tão mal acostumado a besteiras como as estreladas por rappers e afins. O filme, dirigido pelo pouco conhecido Peyton Reed, na verdade é uma bela e justa homenagem às comédias estreladas por Rock Hudson e Doris Day, nos anos 50, em que uma história de amor quase boba disfarçava, às vezes bem mal, piadas de duplo sentido embaladas em um visual exagerado e que beirava o kitsch. Está tudo isso em “Abaixo o amor”. O roteiro, com ótimos diálogos e situações rocambolescas , a direção de arte cafona e over, o figurino extremamente espirituoso, o visual retrô (a tela dividida em duas quando os personagens estão no telefone, por exemplo), a trilha sonora com standards do jazz da época (em que até Astrud Gilberto dá uma canja, cantando “Fly me to the moon”), os coadjuvantes engraçadinhos (a dupla de amigos, vivida por David Hyde Pierce e Sarah Paulson tem ótimos momentos) e a dupla central, entrosada e com boa química, divertindo-se notadamente com suas atuações afetadas (Renee ainda não havia ganho o Oscar de coadjuvante por “Cold Mountain”, mas já era uma queridinha da crítica americana), além inclusive do logotipo da Fox com seu visual anos 60 e a presença do ator Tony Randall, companheiro fixo de Day e Hudson em seus filmes do gênero.


O que não deu certo, então? Novamente, a falta de boa vontade do público, que não entrou no espírito da brincadeira, não comprou a idéia de um romance aparentemente ingênuo e com sabor de sessão da tarde das antigas. Nem mesmo o capricho da produção (com o figurino confecionado especialmente para o filme e a direção de arte espirituosa) conseguiu chamar a atenção, relegando o trabalho de Reed ao indesejável rol dos injustos fracassos comerciais. Tudo culpa de uma plateia mal-acostumada a produções formulaicas que não ousam com medo de perder público.
Afinal, só mesmo em um filme como “Abaixo o amor”, que não se preocupa com verossimilhança e bobagens do tipo, o final feliz pode ser tão debochado, irônico e até nostálgico. Um filme que merece ser descoberto e apreciado! É só entrar no clima nostálgico e se deliciar.