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Wednesday, February 22, 2012

AOS TREZE

AOS TREZE (Thirteen, 2003, Fox Searchlight Pictures, 100min) Direção: Catherine Hardwicke. Roteiro: Catherine Hardwicke, Nikki Reed. Fotografia: Elliot Davis. Montagem: Nancy Richardson. Música: Mark Mothersbaugh, Brian Zarate. Figurino: Cindy Evans. Direção de arte/cenários: Carol Strober/Dorit Oberman. Produção executiva: Tim Bevan, Liza Chasin, Eric Fellner, Holly Hunter. Produção: Jeffrey Levy-Hinte, Michael London. Elenco: Evan Rachel Wood, Nikki Reed, Holly Hunter, Jeremy Sisto, Deborah Kara Unger. Estreia: 12/6/03

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Holly Hunter)

Ao contrário de “Kids”, de Larry Clark, que em 1994 mostrou-se mais marketing do que cinema, este “Aos treze” é um chocante retrato da adolescência média não só americana, mas ocidental. Sem perder tempo com julgamentos morais, a câmera da diretora Catherine Hardwicke - que depois perderia o respeito assinando o primeiro filme da série "Crepúsculo" - percorre a trilha de suas protagonistas como uma testemunha muda, vacilante e talvez até chocada, para o que contribui a inspirada fotografia de Elliot Davis, estourada em certos momentos para dar o clima quase claustrofóbico que se instala em determinados momentos da ação.
          
Aos treze anos de idade, a sensível Tracey (Evan Rachel-Wood) é um exemplo de dedicação aos estudos e é o orgulho de sua mãe, Melanie (Holly Hunter), uma cabeleireira ex-alcóolatra que vive um romance com um rapaz mais jovem (Jeremy Sisto) com problemas com drogas. Sentindo-se rejeitada pelas colegas mais descoladas, Tracey faz amizade com Evie (Nikki Reed), a garota mais popular da escola. Acontece que Evie não é nenhuma flor que se cheire. Sexy e independente, ela consome e vende drogas, usa o sexo como argumento em todas as ocasiões possíveis, bebe e não é exatamente um exemplo a ser seguido. Mas é ela que Tracey escolhe como modelo de vida, o que a acaba levando para um caminho aparentemente sem volta.
        
O roteiro do filme, feito a quatro mãos pela diretora e pela atriz Nikki Reed, que interpreta a má companhia Evie, não tenta buscar explicações para o que acontece, não justifica os atos das personagens e nem força um final feliz. Foi escrito com veracidade, força e energia, elementos que transparecem em cada cena. E, se o roteiro é marcante, muito mais são as atuações do elenco. Se Evan Rachel Wood aparece como uma refrescante atriz adolescente a surgir em Hollywood, é a também produtora executiva do filme, Holly Hunter (indicada ao Oscar por sua irrepreensível interpretação) que brilha a cada vez que aparece em cena, demonstrando que seu talento é inversamente proporcional a sua baixa estatura.
        
Para quem quer assistir a um filme importante mas sem o ranço politicamente correto que assola o cinema americano, “Aos treze” é garantia de 100 minutos de qualidade artística e relevância social. Imperdível.

Wednesday, April 13, 2011

POR UMA VIDA MENOS ORDINÁRIA

POR UMA VIDA MENOS ORDINÁRIA (A life less ordinary, 1997, Channel Four Films/Polygram Filmed Entertainment, 103min) Direção: Danny Boyle. Roteiro: John Hodge. Fotografia: Brian Tufano. Montagem: Masahiro Irakubo. Música: David Arnold. Figurino: Rachael Fleming. Direção de arte/cenários: Kave Quinn/Marcia Calosio. Produção: Andrew Macdonald. Elenco: Cameron Diaz, Ewan McGregor, Ian Holm, Holly Hunter, Delroy Lindo, Dan Hedaya, Stanley Tucci, Tony Shalhoub, Timothy Olyphant. Estreia: 24/10/97

Robert Lewis (Ewan McGregor) é um sujeito de pouca sorte. Desacreditado em suas tentativas de tornar-se escritor de um romance trash, ele, no mesmo dia, é abandonado pela namorada (que o deixa pelo professor de aeróbica) e demitido do emprego de faxineiro de uma empresa (sendo substituído por um robô). Indignado com sua situação desesperadora, ele invade o escritório de seu chefe e, ao perceber que nada fará o frio empresário mudar de ideia a respeito de sua dispensa, faz a única coisa que lhe passa na cabeça: sequestra sua filha, a dondoca Celine Naville (Cameron Diaz). A moça, revoltada com o fato de ser obrigada a trabalhar para pagar por seus luxos, une-se então a Robert para arrancar dinheiro de seu pai. O que os dois jovens nem de longe sonham, porém, é que dois anjos bastante atrapalhados - O'Reilly (Holly Hunter) e Jackson (Delroy Lindo) - tem a difícil missão de fazê-los se apaixonarem um pelo outro, para que não sejam obrigados a viver na Terra pra sempre.
Com essa premissa de novela das sete, a dupla Danny Boyle (diretor) e John Hodge (roteirista) voltou às telas depois do estrondoso sucesso crítico de "Trainspotting", que colocaram seus nomes no mapa da indústria hollywoodiana. Contando ainda com o ator Ewan McGregor (com quem haviam trabalhado ainda em "Cova rasa"), Boyle e Hodge experimentaram, para seu desgosto, o amargo sabor do fracasso. Ignorado pelo público e malhado pela crítica, "Por uma vida menos ordinária" nem de longe causou o mesmo impacto de seus trabalhos anteriores e, pior ainda, foi rechaçado até mesmo pelos fãs mais fiéis do time até então vencedor. Mas afinal de contas, a comédia romântica de Boyle mereceu todo essa vaia generalizada?



É preciso saber se o público - e até mesmo a imprensa - entendeu a proposta do cineasta e seus fiéis asseclas. O que se pode esperar de uma comédia romântica cujos autores deram ao mundo um suspense recheado de humor negro e um drama sobre drogas que foi acusado de glamourizá-las? Obviamente não há, em "Por uma vida menos ordinári"a, cenas daqueles romances melosos que Hollywood costuma empurrar a plateias sedentas por escapismo sentimental. Quando acontece de falarem de amor, logo somos lembrados - pela trilha sonora propositalmente piegas ou pelos absurdos do roteiro - de que estamos diante de um filme que fala de amor, sim, mas da maneira menos convencional possível. Robert e Celine não formam um típico par romântico ele é quase um banana, capaz de desmaiar ao ver sangue, e ela é uma riquinha mimada cujo hobby é brincar de Guilherme Tell (mesmo que corra o risco de ferir o próprio ex-namorado). E o fato de estarem à mercê de dois anjos nada dados a sentimentalismos e capazes de violência física para atingir seus objetivos apenas reitera o tom de brincadeira absoluta. É preciso que se compre a proposta de Por uma vida menos ordinária. E o público, infelizmente, dessa vez não comprou.

Logicamente nem tudo são flores... É necessário admitir que há muitos erros em "Por uma vida menos ordinária", a começar pelo roteiro que, apesar de alguns bons momentos, não chega nem aos pés do brilhantismo de "Trainspotting" e "Cova rasa". As personagens são mal delineadas (talvez de propósito, mas isso não fica exatamente claro) e certas situações não se desenvolvem a contento, dando a impressão de uma colagem de desventuras sem muita conexão. Mas Danny Boyle é visivelmente um diretor muito criativo e isso fica nítido em soluções visuais bastante interessantes, como o céu de um branco absoluto e na sequência musical em que Ewan McGregor e Cameron Diaz parecem se divertir a valer (McGregor inclusive voltaria a demonstrar seus dotes vocais nos filmes "Velvet Goldmine" e "Moulin Rouge"). Somados à atuação delirante de Holly Hunter (de longe a melhor coisa do filme) e à trilha sonora impecável (característica das obras do diretor), esses momentos de criatividade fazem do filme uma agradável experiência. Pode não ser um Danny Boyle dos melhores, mas está longe de ser um dos piores. E tem a simpatia contagiante de Ewan McGregor.

Sunday, February 13, 2011

COPYCAT, A VIDA IMITA A MORTE

COPYCAT, A VIDA IMITA A MORTE (Copycat, 1995, Regency Enterprises, 123min) Direção: Jon Amiel. Roteiro: Ann Biderman, David Madsen. Fotografia: Láslzló Kovács. Montagem: Jim Clark, Alan Heim. Música: Christopher Young. Figurino: Claudia Brown. Direção de arte/cenários: Jim Clay/Catherine Davis. Produção executiva: John Fiedler, Michael Nathanson. Produção: Arnon Milchan, Mark Tarlov. Elenco: Sigourney Weaver, Holly Hunter, Dermot Mulroney, William MacNamara, Harry Connick Jr., J.E. Freeman, Will Patton. Estreia: 27/10/95

O mais curioso em se assistir a "Copycat, a vida imita a morte" nem é o fato de Sigourney Weaver interpretar, do alto de seu 1,80m, uma mulher frágil e indefesa. O que foge do comum no filme de Jon Amiel - uma trama policial abertamente com pretensões puramente comerciais - é a presença de Holly Hunter, uma atriz acostumada a estar nos créditos de filmes independentes e vencedora do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Liderando o elenco de um produto derivativo - ainda que razoavelmente interessante em alguns momentos - as duas atrizes, donas de talentos inquestionáveis, são a principal razão de ser do filme do mesmo diretor do romântico "Sommersby, o retorno de um estranho".

Helen Hudson (Sigourney Weaver) é uma especialista em traçar perfis psicológicos de serial killers que, atacada por um deles, Darryll Lee Cullum (Harry Connick Jr.), fica traumatizada a ponto de isolar-se dentro de seu apartamento. Sofrendo de agorafobia - medo patológico de sair à rua - ela utiliza a Internet para ter contato com o mundo exterior, mas sem esperar, mais de um ano depois de ter sofrido o ataque ela se vê novamente envolvida com a polícia. Procurada pela detetive M.J. Monahan (Holly Hunter) e seu parceiro  Reuben Goetz (Dermot Mulroney), ela fica sabendo que um psicopata anda fazendo suas vítimas de forma a imitar assassinos famosos, como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, o Filho de Sam e o Zodíaco. O próprio criminoso, através de emails e bilhetes, convida Helen a unir-se a seu jogo macabro.



Apesar de bastante correto, "Copycat" carece basicamente de ousadia, um fator que transformou seu contemporâneo "Seven, os sete crimes capitais" em um dos maiores êxitos do gênero. A direção de Amiel é burocrática, mas a culpa também é do roteiro, indeciso entre contar uma história policial nos moldes clássicos - com um clímax derivativo e sem grandes emoções - ou investigar a personalidade do vilão (vivido sem chame por William McNamara). Todas as cenas em que Hudson e Monahan dão passos em direção a solucionar o crime - através do estudo dos crimes do passado - são extremamente envolventes, embarcando a audiência em uma viagem por dentro dos meandros de uma caçada policial. Quando o filme se dedica a cenas de ação, no entanto, ele perde seu diferencial e une-se à vala comum das produções do estilo. Nem mesmo existe tensão o suficiente nos ataques do criminoso: Amiel deveria espelhar-se em Hitchcock, David Fincher e até no Jonathan Demme de "O silêncio dos inocentes" para criar o envolvimento do público. Aqui, essas sequências servem apenas para desviar a atenção do que é realmente empolgante.


Mas realmente é o elenco que transforma a experiência de se assistir a "Copycat" em algo mais do que um Supercine. Tanto Weaver quanto Hunter dão o máximo em suas atuações, ainda que suas personagens - mesmo a torturada criminologista de Weaver - não lhe deem muito material sobre o qual trabalhar. E não há dúvida de que insinuar um interesse romântico entre Helen e o policial Reuben é completamente desnecessário e improvável. Quem se sai melhor de toda a confusão é, por incrível que pareça, o cantor/ator Harry Connick Jr., que, mesmo em poucas aparições, rouba a cena descaradamente.

"Copycat" é um bom filme, mas que não é muito diferente de dezenas de outros similares. Não fosse seu elenco classe A estaria relegado a ser apenas mais um dos produtos a ser exibidos semanalmente nas televisões abertas.

Friday, December 10, 2010

A FIRMA

A FIRMA (The firm, 1993, Paramount Pictures, 154min) Direção: Sydney Pollack. Roteiro: David Rabe, Robert Towne, David Rayfiel, romance de John Grisham. Fotografia: John Seale. Montagem: Fredric Steinkamp, William Steinkamp. Música: Dave Grusin. Figurino: Ruth Myers. Direção de arte/cenários: Richard Macdonald/Casey Hallenbeck. Produção executiva: Lindsay Doran, Michael Hausman. Produção: John Davis, Sydney Pollack, Scott Rudin. Elenco: Tom Cruise, Jeanne Tripplehorne, Gene Hackman, Hal Holbrook, Ed Harris, Holly Hunter, Gary Busey, David Strathairn, Tobin Bell. Estreia: 30/6/93

2 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Holly Hunter), Trilha Sonora Original

No início da década de 90, nenhum nome era mais quente dentro da literatura americana fast-food do que John Grisham. Advogado de formação, ele frequentava as listas dos mais vendidos com seus livros que versavam, basicamente, sobre os meandros da lei, sempre protagonizados por seus colegas de profissão, invariavelmente idealistas e heróicos. Escritas com uma prosa fluente e com um ritmo invejável, suas obras imploravam por adaptações cinematográficas e não demorou muito para que logo ele se tornasse mania entre os produtores de Hollywood. Quem saiu na frente foi Sydney Pollack, com a adaptação de "A firma", seu primeiro romance. Como era esperado, a bilheteria não decepcionou: com os nomes de Grisham e do astro Tom Cruise enfeitando o cartaz, o filme rendeu quase 160 milhões de dólares no mercado americano, comprovando o poder de Cruise, no auge de sua popularidade.

É impossível negar que, mesmo sendo Grisham um escritor extremamente popular junto ao público ianque - e por que não, internacional - foi o nome de Tom Cruise o maior responsável pelo enorme sucesso de "A firma". Em uma fase dourada de sua carreira, o ator emendava um êxito comercial atrás do outro e teve a sorte de encontrar uma personagem adequada à sua persona. Coincidentemente ou não, foi seu segundo papel de advogado consecutivo, depois do igualmente bem-sucedido "Questão de honra" e, mais uma vez, não compromete o resultado final, apresentando um trabalho correto, ainda que longe de brilhante.


Cruise interpreta Mitch McDeere, um jovem advogado recém-formado e ambicioso que recebe a proposta irrecusável de uma firma tradicional da cidade de Memphis. Deslumbrado com as inúmeras possibilidades que o emprego lhe proporcionará, ele se muda com a esposa, a professora primária Abby (a fraca Jeanne Trippelhorne) para uma casa de sonhos, com um carrão na garagem e um salário muito maior do que esperava, além do apoio dos colegas de trabalho, que logo lhe deixam bem claras algumas regras da tal firma. Conservadora, ela "apóia" casamentos estáveis e famílias numerosas, além de exigir também uma reputação ilibada de seus empregados. Por esse motivo, Mitch esconde que tem um irmão presidiário, Ray (David Strathairn) e tenta manter reserva a respeito de sua vida pessoal. As coisas começam a ficar estranhas, porém, quando dois associados da empresa morrem em um acidente de barco e o misterioso Wayne Terrance (Ed Harris) passa a assediá-lo: agente do FBI, ele revela a Mitch que a firma tem ligações com a Máfia. Cabe ao jovem decidir, então, se aceita ajudar a polícia a condenar seus colegas de trabalho.


Capaz de transitar entre diversos gêneros - ele assinou o romântico "Nosso amor de ontem", a comédia "Tootsie" e o épico oscarizado "Entre dois amores", apenas para citar os mais conhecidos - Sydney Pollack fez de "A firma" um filme elegante, um suspense à moda antiga, que caminha em seu próprio ritmo sem jamais aborrecer o espectador - ao menos aquele que prefere uma história bem contada do que correrias desvairadas. As personagens coadjuvantes criadas por Grisham encontram, no elenco escolhido por Pollack (que tem um talento óbvio para tal), representações perfeitas, incluindo aí um desaparecido Gary Busey. Gene Hackman, por exemplo, encontra o tom exato entre o poder e a solidão de seu Avery Tolar, o mentor do protagonista dentro da firma, e Holly Hunter recebeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante - no mesmo ano em que foi premiada na categoria principal, por "O piano" - por seu trabalho impecável como Tammy, uma secretária vulgar mas bastante esperta que ajuda McDeere em sua luta: suas cenas somadas não chegam a seis minutos de projeção, mas ela é, sem dúvida, o maior destaque feminino do filme, uma vez que Jeanne Tripplehorn, na pele de Abby McDeere, mostra toda sua fragilidade como atriz.

O ritmo de "A firma", definitivamente, não é dos mais alucinantes. Em alguns momentos, chega a ser bastante lento, uma característica de seu diretor. Mas jamais deixa que a história que conta seja pouco interessante, ou previsível. É, como dito antes, um filme elegante, realizado com um cuidado e interpretado por um elenco de atores populares e talentosos. Um entretenimento acima da média e inteligente como poucos que prezam por sua bilheteria. Um bom começo para as adaptações de John Grisham.

Saturday, August 14, 2010

NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA


NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA (Broadcast news, 1987, 20th Century Fox, 133min) Direção e roteiro: James L. Brooks. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Richard Marks. Música: Bill Conti. Figurino: Molly Maginnis. Direção de arte/cenários: Charles Rosen/Jane Bogart. Casting: Ellen Chenoweth. Produção executiva: Polly Platt. Produção: James L. Brooks. Elenco: William Hurt, Holly Hunter, Albert Brooks, Lois Chiles, Joan Cusack, Jack Nicholson, Robert Prosky. Estreia: 16/12/87

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator (William Hurt), Atriz (Holly Hunter), Ator Coadjuvante (Albert Brooks), Roteiro Original, Fotografia, Montagem

Tudo bem que o Oscar de 1987 já tinha dono desde o início, com "O último imperador", de Bernardo Bertolucci sendo o favorito desde sempre. Mas é difícil entender os motivos que levaram a Academia a escolher "Nos bastidores da notícia" como um dos cinco indicados a seu prêmio máximo. Ainda que bastante correto, com diálogos inteligentes e um elenco adequado, o filme de James L. Brooks não encanta em momento algum, longe das grandes emoções de seu trabalho anterior - e este sim multi-oscarizado - "Laços de ternura".

"Nos bastidores da notícia" usa o mundo dos telejornais como pano de fundo para uma comédia romântica e uma crítica ácida às pessoas obcecadas com o sucesso profissional - além de também cutucar sem muita delicadeza a superficialidade que ronda o por trás das câmeras de uma emissora de televisão. A protagonista é Jane Craig (vivida com delicadeza por Holly Hunter, que substituiu Debra Winger poucos dias antes do início das filmagens e concorreu a seu primeiro Oscar), a talentosa e dedicada produtora de um programa jornalístico de Washington. Dada a choros repentinos e incontroláveis, Jane é uma control-freak absoluta que nem desconfia que desperta a paixão enlouquecida de Aaron Altman (Albert Brooks), seu colega de trabalho, um homem inteligente, culto e sensível que sofre por não ter o visual apropriado para ser âncora de telejornal. "O mundo não seria perfeito se insegurança e desespero nos tornassem atraentes?", dispara ele em uma de suas conversas íntimas com ela.

A relação amigável entre Jane e Aaron sofre um abalo quando entra em cena Tom Granick (William Hurt), um jornalista galã que tem tudo que Aaron deseja: sucesso, mulheres e uma aparência que lhe abre todas as portas. Apesar de não ser exatamente um gênio, Tom acaba conquistando o amor de Jane, e o triângulo amoroso formado por eles acaba chegando à sua vida profissional.

Assim como já havia feito em "Laços de ternura", em "Nos bastidores da notícia" James L. Brooks aposta todas as suas fichas nas relações inter-humanas entre seus protagonistas, que, mais uma vez são extremamente verossímeis, repletos de qualidades e defeitos. Incoerentes como boa parte das pessoas reais, as personagens criadas por Brooks encontram nos atores escalados por ele intérpretes à altura da responsabilidade. Não foi à toa que não apenas Hunter concorreu ao Oscar, mas também William Hurt e Albert Brooks. Hurt deita e rola na pele do sedutor Tom Granick e Brooks entrega uma atuação perfeita em sua insegurança como o sensível Aaron. Juntos, os três valem a sessão do filme. No entanto, não deixa de ser um exagero as suas generosas sete indicações ao Oscar.

Inteligente e simpático, "Nos bastidores da notícia" ainda conta com a participação especialíssima de Jack Nicholson (em atuação não-creditada) e a inspirada atuação da ótima Joan Cusack. Pode não ser uma obra-prima, mas é acima da média.