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Friday, April 15, 2011

ALIEN: A RESSURREIÇÃO

ALIEN: A RESSURREIÇÃO (Alien: resurrection, 1997, 20th Century Fox, 109min) Direção: Jean-Pierre Jeunet. Roteiro: Joss Whedon, personagens criadas por Dan O'Bannon, Ronald Shusett. Fotografia: Darius Khondji. Montagem: Hervé Schneid. Música: John Frizzell. Figurino: Bob Ringwood. Direção de arte/cenários: Nigel Phelps/John M. Dwyer. Produção: Bill Badalato, Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Michael Wincott, Dan Hedaya. Estreia: 26/11/97

A maior tradição em relação à série de filmes "Alien" - iniciada em um longínquo 1979 - diz respeito a nunca repetir diretores, dando ao espectador visões diferentes dos roteiros, desde em seu clima até em suas resoluções dramáticas. Sendo assim, em 1997, o francês Jean-Pierre Jeunet - que, ao lado de Marc Caro havia presenteado a audiência com os visualmente belíssimos "Delicatessen" e "Ladrões de sonhos" - reuniu-se ao time que já contava com Ridley Scott, James Cameron e David Fincher. Com a árdua missão de recuperar os fãs perdidos com as ousadias de "Alien 3", Jeunet entregou ao público um filme que, se não chega a empolgar como os dois primeiros capítulos, ao menos é fiel ao estilo claustrofóbico de seu filme original.

A trama, mais uma vez, usa e abusa do escapismo e da criatividade para dar continuidade ao inesperado final do terceiro episódio, lançado em 1992. Nessa nova aventura, a Tenente Ripley (mais uma vez vivida por Sigourney Weaver) é ressuscitada através de um processo de clonagem e os cientistas responsáveis pelo feito conseguem tirar a Rainha Mãe dos alienígenas de dentro dela. Acontece que as coisas não são assim tão simples, e Ripley passa a apresentar algumas características do monstro, como força descomunal e um sangue ácido, devido à mistura de seus DNAS. Tudo se complica quando os alienígenas que estão sendo criados em cativeiro pelo ambicioso Dr. Jonathan Gediman (Brad Dourif) conseguem escapar e mais uma vez começam a atacar os humanos que estão dentro da nave espacial - dentre os quais um grupo de mercenários que inclui a misteriosa Call (Winona Ryder). Cabe mais uma vez à Ripley impedir que os seres cheguem à Terra, mas dessa vez ela tem sentimentos dúbios em relação a eles.



Não deixa de ser bastante esperto o artifício criado pelo roteirista Joss Whedon de mixar o sangue (e a personalidade) de Ripley com a raça alienígena que ela vem perseguindo há séculos (a trama começa 200 anos depois do fim do último filme). Ao unir a heroína da série a seu maior vilão de forma inexorável, a trama caminha para um desfecho onde tudo pode acontecer. Infelizmente Whedon não vai muito longe na ousadia, deixando a relação de Ripley com o alien esfriar da metade pro fim do filme, quando ele se transforma em mais um produto de ação estritamente comercial, com cenas milimetricamente calculadas para injetar adrenalina na plateia. Nesse ponto, diga-se de passagem, Jeunet não é tão feliz quanto foi James Cameron, que tem uma tendência bem mais explícita ao superespetáculo. Ainda assim, é bastante impressionante a sequência subaquática que apresenta já em sua reta final. O cineasta francês é um esteta de extremo bom-gosto (como fica claro com sua fotografia e sua caprichada direção de arte)e faz questão de mostrar essa sua faceta em planos bem desenhados. Infelizmente, o capricho visual não encontra eco na trama, que não desperta tanto interesse quanto seus primeiros dois capítulos.

Quanto ao elenco, é preciso que se louve mais uma vez a atuação de Sigourney Weaver, que consegue, novamente, dar nuances surpreendentes à sua Ripley. Winona Ryder está talvez no pior momento de sua carreira, fazendo caras e bocas com uma personagem chatinha e cuja existência se deve principalmente à tentativa do estúdio em arrecadar mais alguns milhares de dólares com a presença de uma atriz jovem e em ascensão como ela era à época do lançamento (e não deixa de ser um tanto forçada a relação entre sua Call e a protagonista, em cenas que foram vendidas como se tivessem um homoerotismo que não existe). Brad Dourif exagera novamente em seus trejeitos, dessa vez como uma nova versão de cientista louco e somente escapa do overacting geral (assim como Weaver, esteja bem claro).

No final das contas, "Alien: a ressurreição" vale por uma ou outra cena bem realizada e pela presença sempre forte de Sigourney Weaver. Jean-Pierre Jeunet ainda demoraria uns bons cinco anos para dar ao mundo sua obra-prima, "O fabuloso destino de Amélie Poulain".

Friday, April 8, 2011

TEMPESTADE DE GELO

TEMPESTADE DE GELO (The ice storm, 1997, Fox Searchlights Pictures, 112min) Direção: Ang Lee. Roteiro: James Schamus, romance de Rick Moody. Fotografia: Frederick Elmes. Montagem: Tim Squyres. Música: Mychael Danna. Figurino: Carol Oditz. Direção de arte/cenários: Mark Friedberg/Stephanie Carroll. Produção: Ted Hope, Ang Lee, James Schamus. Elenco: Kevin Kline, Joan Allen, Sigourney Weaver, Tobey Maguire, Christina Ricci, Elijah Wood, Adam Hann-Byrd, Jamey Sheridan, Henry Czerny, Allison Janey, Katie Holmes. Estreia: 27/9/97

Vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Cannes

Em 1995, o taiwanês Ang Lee surpreendeu a crítica ao fazer de "Razão e sensibilidade" a melhor adaptação para o cinema de um livro da escritora absolutamente inglesa Jane Austen. Em "Tempestade de gelo", seu projeto seguinte, ele continua a missão de penetrar em culturas diferentes da sua: é difícil acreditar em um filme tão tipicamente americano quanto sua brilhante visão do romance de Rick Moody. Mergulhando sem medo no âmago de duas famílias do interior do país em plena efervescência cultural e sexual dos anos 70, Lee entrega ao público um estudo delicado e cortante sobre as relações familiares. É triste e melancólico, mas é também mais uma obra-prima com sua assinatura.

É véspera do dia de Ação de Graças de 1973. O escândalo Watergate está no auge e os costumes sexuais e comportamentais estão em ebulição, mesmo em uma pequena cidade do interior de Connecticut chama Nova Canaan. É para lá que Paul Hood (Tobey Maguire) está retornando, para passar o feriado com a família. Seus pais, Ben (Kevin Kline) e Elena (Joan Allen) estão passando por uma crise no casamento, agravada pelo tédio e pelo caso secreto dele com Janey Carver (Sigourney Weaver), uma amiga do casal. A irmã de Paul, Wendy (Christina Ricci), por sua vez, experimenta o início de sua sexualidade brincando com os dois filhos de Janey, o tímido Mikey (Elijah Wood) e o desajeitado Sandy (Adam Hann-Byrd). Apesar da proximidade física, porém, existe um enorme distanciamento emocional entre todos eles.

A frieza nas relações interpessoais que Rick Moody criou em seu livro - e que foi retratada com perfeição pelo roteiro de James Schamus - encontra na inteligência e na sutileza de Ang Lee seu diretor ideal. Pródigo em dar tintas leves e discretas a dramas particulares, Lee conta a história das famílias Hood e Carver sem pressa, dando atenção a pequenos detalhes, como olhares tristes, suspiros disfarçados e atos desesperados. Os silêncios entre Elena e Ben dizem muito mais sobre os escombros de seu casamento do que as escapadas sexuais que ele dá com Jayne, uma mulher insatisfeita com a própria vida e que vê no seu caso extra-conjugal uma forma de escapar da monotonia. Jayne mal presta atenção nos filhos, que por sua vez não são capazes nem ao menos de perceber que seu pai saiu em viagem. Wendy é uma jovem um tanto desajustada, com forte visão política mas que é incapaz de lidar saudavelmente com seus instintos. E Paul, como alguém à parte de seu núcleo familiar, busca seu lugar no mundo sem sequer desconfiar do caos que reina em sua casa.


O gelo é uma imagem recorrente no filme de Lee. Volta e meia cubos de gelo invadem a tela, seja nas cozinhas suburbanas das personagens, no formato da casa de Jayne e principalmente na tempestade que dá nome ao filme e que origina uma tragédia que transforma definitivamente a vida de todos. A falta de calor humano entre maridos e mulheres e entre pais e filhos é o ponto central de "Tempestade de gelo", mas sua maior qualidade é justamente evitar cenas lacrimosas ou diálogos clichês. Como já dito, os silêncios na mesa dos Hood ou no relacionamento entre os Carver são mais eloquentes do que catarses emocionais repletas de choro e gritos. E é brilhante, dentro desse universo de coisas não ditas, a cena em que Ben carrega a filha Wendy nos braços, depois de flagrá-la em uma situação comprometedora com Mikey. Mesmo sem muitas falas, Kevin Kline e Christina Ricci transmitem toda a vastidão de sentimentos que a cena exige. Emocionar-se é mandatório!

Aliás, o elenco de "Tempestade de gelo" é dos melhores que Hollywood pode oferecer. Kevin Kline e Joan Allen estão fabulosos como um casal cuja falta de emoção os empurra em direção ao afastamento gradual. Sigourney Weaver, linda e sexy, tem sua melhor atuação como uma enfastiada esposa de classe média que busca em aventuras sexuais um motivo para passar seus dias iguais. E Christina Ricci demonstra que seu talento não ficou restrito às comédias que fez na infância, construindo uma Wendy que lida com sua sexualidade nascente de forma quieta mas agressiva. Somadas à fotografia - também gélida, de Frederick Elmes - e à trilha sonora poderosa de Mychael Danna, as interpretações do elenco elevam "Tempestade de gelo" a um patamar muito acima do corriqueiro. É um filme americano, que atinge a essência das famílias americanas e dos problemas americanos... mas tem cara e qualidade de cinema europeu. Simplesmente ignorado pelo Oscar e outras premiações menos conhecidas, é um filme extraordinariamente forte e emocionante, que merece ser descoberto e louvado.

Sunday, February 13, 2011

COPYCAT, A VIDA IMITA A MORTE

COPYCAT, A VIDA IMITA A MORTE (Copycat, 1995, Regency Enterprises, 123min) Direção: Jon Amiel. Roteiro: Ann Biderman, David Madsen. Fotografia: Láslzló Kovács. Montagem: Jim Clark, Alan Heim. Música: Christopher Young. Figurino: Claudia Brown. Direção de arte/cenários: Jim Clay/Catherine Davis. Produção executiva: John Fiedler, Michael Nathanson. Produção: Arnon Milchan, Mark Tarlov. Elenco: Sigourney Weaver, Holly Hunter, Dermot Mulroney, William MacNamara, Harry Connick Jr., J.E. Freeman, Will Patton. Estreia: 27/10/95

O mais curioso em se assistir a "Copycat, a vida imita a morte" nem é o fato de Sigourney Weaver interpretar, do alto de seu 1,80m, uma mulher frágil e indefesa. O que foge do comum no filme de Jon Amiel - uma trama policial abertamente com pretensões puramente comerciais - é a presença de Holly Hunter, uma atriz acostumada a estar nos créditos de filmes independentes e vencedora do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Liderando o elenco de um produto derivativo - ainda que razoavelmente interessante em alguns momentos - as duas atrizes, donas de talentos inquestionáveis, são a principal razão de ser do filme do mesmo diretor do romântico "Sommersby, o retorno de um estranho".

Helen Hudson (Sigourney Weaver) é uma especialista em traçar perfis psicológicos de serial killers que, atacada por um deles, Darryll Lee Cullum (Harry Connick Jr.), fica traumatizada a ponto de isolar-se dentro de seu apartamento. Sofrendo de agorafobia - medo patológico de sair à rua - ela utiliza a Internet para ter contato com o mundo exterior, mas sem esperar, mais de um ano depois de ter sofrido o ataque ela se vê novamente envolvida com a polícia. Procurada pela detetive M.J. Monahan (Holly Hunter) e seu parceiro  Reuben Goetz (Dermot Mulroney), ela fica sabendo que um psicopata anda fazendo suas vítimas de forma a imitar assassinos famosos, como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, o Filho de Sam e o Zodíaco. O próprio criminoso, através de emails e bilhetes, convida Helen a unir-se a seu jogo macabro.



Apesar de bastante correto, "Copycat" carece basicamente de ousadia, um fator que transformou seu contemporâneo "Seven, os sete crimes capitais" em um dos maiores êxitos do gênero. A direção de Amiel é burocrática, mas a culpa também é do roteiro, indeciso entre contar uma história policial nos moldes clássicos - com um clímax derivativo e sem grandes emoções - ou investigar a personalidade do vilão (vivido sem chame por William McNamara). Todas as cenas em que Hudson e Monahan dão passos em direção a solucionar o crime - através do estudo dos crimes do passado - são extremamente envolventes, embarcando a audiência em uma viagem por dentro dos meandros de uma caçada policial. Quando o filme se dedica a cenas de ação, no entanto, ele perde seu diferencial e une-se à vala comum das produções do estilo. Nem mesmo existe tensão o suficiente nos ataques do criminoso: Amiel deveria espelhar-se em Hitchcock, David Fincher e até no Jonathan Demme de "O silêncio dos inocentes" para criar o envolvimento do público. Aqui, essas sequências servem apenas para desviar a atenção do que é realmente empolgante.


Mas realmente é o elenco que transforma a experiência de se assistir a "Copycat" em algo mais do que um Supercine. Tanto Weaver quanto Hunter dão o máximo em suas atuações, ainda que suas personagens - mesmo a torturada criminologista de Weaver - não lhe deem muito material sobre o qual trabalhar. E não há dúvida de que insinuar um interesse romântico entre Helen e o policial Reuben é completamente desnecessário e improvável. Quem se sai melhor de toda a confusão é, por incrível que pareça, o cantor/ator Harry Connick Jr., que, mesmo em poucas aparições, rouba a cena descaradamente.

"Copycat" é um bom filme, mas que não é muito diferente de dezenas de outros similares. Não fosse seu elenco classe A estaria relegado a ser apenas mais um dos produtos a ser exibidos semanalmente nas televisões abertas.

Thursday, November 18, 2010

ALIEN 3

ALIEN 3 (Alien 3, 1992, 20th Century Fox, 114min) Direção: David Fincher. Roteiro: David Giler, Walter Hill, Larry Ferguson, história de Vincent Ward. Fotografia: Alex Thomson. Montagem: Terry Rawlings. Música: Elliot Goldenthal. Figurino: David Perry, Bob Ringwood. Direção de arte/cenários: Norman Reynolds/Belinda Edwards. Produção executiva: Ezra Swerdlow. Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance, Paul McGann, Lance Henriksen, Pete Postletwhaite. Estreia: 22/5/92

Indicado ao Oscar de Efeitos Visuais

Depois que James Cameron continou o tenso "Alien, o oitavo passageiro" com o espetaculoso e adrenalínico "Aliens, o resgate", era bastante esperado o retorno da Tenente Ripley em sua tentativa de exterminar o alienígena que aniquilou sua equipe inteira nos dois primeiros filmes. Depois de anos de negociações - em que estrela da série, Sigourney Weaver hesitava em voltar à personagem - finalmente o terceiro capítulo chegou às telas, dirigido por David Fincher, um novato que tinha no currículo alguns dos melhores videoclipes de Madonna e George Michael, por exemplo. Ao optar pelo caminho claustrofóbico do primeiro em detrimento da ação desenfreada do segundo, Fincher arrumou detratores furiosos. Depois de brigas homéricas com os produtores, o cineasta não supervisionou a edição final e "Alien 3" chegou às telas quase órfão. O resultado é visível: apesar de muitas boas ideias, a terceira parte da saga de Ripley não empolgou nem o público nem a crítica. Mas não é tão ruim quanto se falou à época de seu lançamento. 

A história dessa nova aventura começa logo após o final do segundo filme. Sem saber que não está a salvo da ameaça alienígena dos capítulos anteriores, Ripley acorda em Fiorina 161, um planeta-prisão, onde ficam encarcerados prisioneiros sexualmente agressivos e violentos. Informada por Clemens (Charles Dance), o médico local, de que toda sua tripulação morreu, ela imediatamente percebe que tudo está para acontecer novamente. Única mulher em meio a homens carregados de testosterona, ela precisa convencê-los do perigo que correm, proteger-se deles e lutar, mais uma vez, para matar seu inimigo. Dessa vez, no entanto, ela não tem nenhuma arma.


Com a cabeça raspada - o presídio está passando por uma epidemia de piolhos - Sigourney Weaver segura, novamente, toda a responsabilidade de carregar o filme nas costas. Ao contrário das ocasiões anteriores, porém, dessa vez Ripley tem mais cenas dramáticas do que de ação, consequência da opção de David Fincher em privilegiar o aspecto mais tenso da trama. Até mesmo um arremedo de romance surge entre Ripley e Clemens, ousadia que pegou os fãs de surpresa - ainda que tudo seja extremamente discreto. E discreto também é o ritmo do filme: demora quase uma hora para que a ação realmente comece e o sangue jorre em Fiorina 161. Na verdade, a lentidão é parte da personalidade do filme, que prefere estabelecer sua história antes da violência. Pouca gente compreendeu isso e se recusou a perceber suas qualidades.



Sim, apesar da gritaria contra si - e da saída de David Fincher do projeto em seu estágio de finalização - "Alien 3" tem qualidades. A ousadia talvez seja a maior delas. Ao praticamente lutar por suas ideias e com isso renegar a receita que estava fazendo sucesso há quinze anos, David Fincher começou uma carreira marcada pela personalidade. Visualmente impecável - a fotografia escura e pesada unida à agressividade estética das personagens - o filme de Fincher transmite a exata sensação de claustrofobia pretendida e, se não busca atingir seu público com efeitos visuais exagerados, tenta (às vezes com sucesso, outras nem tanto) assustar sem apelar para o fácil e o corriqueiro. Talvez por isso tenha afastado a audiência fiel das primeiras partes.


Tudo bem que "Alien 3" não passa a sensação de terror do primeiro nem empolga em termos de aventura do segundo. Tudo bem também que seu terço final não acrescenta muito à saga - apesar de antes de chegar a ele algumas cenas sejam sensacionais. E tudo bem que não ver Ripley empunhando armas é um tanto frustrante. Mas, mesmo que seja rejeitado por David Fincher, é um exemplar bastante - BASTANTE! - decente da série. Digam o que quiserem, "Alien 3" me agrada.

Friday, September 17, 2010

UMA SECRETÁRIA DE FUTURO


UMA SECRETÁRIA DE FUTURO (Working girl, 1988, 20th Century Fox, 113min) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Kevin Wade. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Sam O'Steen. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Patrizia Von Brandenstein/George DeTitta. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Robert Greenhut, Laurence Mark. Produção: Douglas Wick. Elenco: Melanie Griffith, Harrison Ford, Sigourney Weaver, Joan Cusack, Alec Baldwin, Kevin Spacey, Philip Bosco, Oliver Platt, Olympia Dukakis, David Duchovny. Estreia: 20/12/88

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Mike Nichols), Atriz (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Joan Cusack, Sigourney Weaver), Canção ("Let the river run")

Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original ("Let the river run")

Vencedor de 4 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz Comédia/Musical (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Sigourney Weaver), Canção Original ("Let the river run")


Tess McGill é uma trintona que mora em Nova Jersey e trabalha como secretária na ilha de Manhattan. Com dificuldades de manter-se nos empregos que arruma, ela vive um romance fogo brando com o seu eterno namorado Mick (Alec Baldwin) e passa suas noites frequentando festinhas suburbanas ao lado da melhor amiga, Cyn (Joan Cusack). No entanto, sua sorte muda quando ela começa a trabalhar no escritório de Kathryn Parker (Sigourney Weaver), que divide com ela a ambição de subir na vida. Tess McGill não é um exemplo ético. Tess McGill é a protagonista de "Uma secretária de futuro", a mais bem-sucedida comédia romântica do diretor Mike Nichols desde "A primeira noite de um homem". Cotada para ser vivida por Michelle Pfeiffer, Geena Davis, Carrie Fisher, Kim Basinger, Kathleen Turner, Debra Winger, Diane Lane e Sarah Jessica Parker, ela acabou nas mãos de Melanie Griffith, que aproveitou a chance com tudo e acabou finalista ao Oscar de melhor atriz.

Quando "Uma secretária de futuro" começa, Tess McGill está saindo de um emprego insatisfatório e começando a trabalhar como secretária de Kathryn, uma mulher linda e bem-sucedida que não hesita em roubar descaradamente uma ideia de Tess, envolvendo a compra de uma emissora de rádio. Ao descobrir a traição da chefe - quando ela fica fora da cidade devido a um acidente de esqui - a ambiciosa secretária resolve dar a volta por cima. Passando-se por executiva, ela conta com a ajuda do atraente Jack Trainer(Harrison Ford) para conquistar seu lugar ao sol. Sua farsa, no entanto, corre o risco de ser desmascarada quando ela descobre que justamente que o homem por quem está perdidamente apaixonada é também amante de sua patroa.

"Uma secretária de futuro" não é exatamente um filme brilhante, como alguns dos filmes assinados por Mike Nichols (em especial "A primeira noite" e "Closer, perto demais"). Mas tem um charme oitentista que conquista desde os créditos de abertura (ao som da canção de Carly Simon vencedora do Oscar) até o visual exagerado tanto da protagonista em suas primeiras cenas quanto das coadjuvantes - é engraçado reparar na clara divisão entre o kitsch anos 80 do figurino e dos penteados das suburbanas secretárias e do requinte clean da classe "superior". Sigourney Weaver, em especial, esbanja beleza e classe, metida em vestidos caríssimos e vivendo em um apartamento chique, enquanto Tess e suas amigas habitam um mundo quase escuro - matizado apenas pela maquiagem sempre acima do básico.

"Uma secretária de futuro" é também o auge da carreira de Melanie Griffith, uma atriz sem maiores talentos dramáticos que, depois de uma vida regada a drogas e álcool, se reergueu artisticamente aqui. Depois de algumas escolhas equivocadas posteriores - a saber "A fogueira das vaidades", de Brian de Palma e "Uma luz na escuridão", ao lado de Michael Douglas - ela voltou a seu quase anonimato, sendo notícia quase sempre devido a seu casamento com o ator espanhol Antonio Banderas. Na pele de Tess, no entanto, Griffith - filha da atriz Tippi Hedren, de "Os pássaros" - brilha, em uma atuação discreta, eficiente e envolvente. Por incrível que pareça é ela que dá luz ao filme, mesmo dividindo cenas com as sensacionais Weaver e Joan Cusack - ambas indicadas ao Oscar de coadjuvante.

"Uma secretária de futuro" é a cara de seu tempo, pro bem e pro mal. Lançado em um momento em que as mulheres buscavam desesperadamente seu espaço no mercado de trabalho e o movimento yuppie estava em seu apogeu - é dessa época a famosa frase de Gordon Gekko em "Wall Street" que dizia que "ganância é bom!" -, foi o filme certo no momento certo. Daí talvez sua reputação um tanto exagerada - inclusive como finalista ao Oscar de melhor filme. É uma comédia romântica interessante - ainda que não seja exatamente uma comédia rasgada - e que retrata com ironia e condescendência um importante momento social e econômico americano, sem apelar para lições de moral. Divertido e simpático! O que mais se espera de um filme assim?

PS - E de quebra, "Uma secretária de futuro" conta com uma participação pequena de Kevin Spacey, no início de uma brilhante carreira.

Thursday, July 29, 2010

ALIENS, O RESGATE


ALIENS, O RESGATE (Aliens, 1986, 20th Century Fox, 137min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, história de James Cameron, David Giler e Walter Hill, personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett. Fotografia: Adrian Biddle. Montagem: Ray Lovejoy. Música: James Horner. Figurino: Emma Porteous. Direção de arte/cenários: Peter Lamont/Crispian Sallis. Produção executiva: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Produção: Gale Anne Hurd. Elenco: Sigourney Weaver, Carrie Henn, Michael Biehn, Lance Henriksen, Paul Reiser, Bill Paxton, William Hoppe. Estreia: 18/7/86

7 indicações ao Oscar: Atriz (Sigourney Weaver), Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte, Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais

Vencedor de 2 Oscar: Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais


Em 1979, o filme "Alien, o oitavo passageiro" empolgou plateias do mundo inteiro ao misturar com equilíbrio perfeito elementos de ficção científica com ingredientes de filmes de terror. O resultado foi uma bilheteria espantosa, sucesso de crítica e um inevitável segundo capítulo. Dirigida por James Cameron - vindo do grande êxito de "O exterminador do futuro" - , a continuação do filme de Ridley Scott abandonou a sensação claustrofóbica do original, substituindo-a pelas melhores cenas de ação que o dinheiro poderia comprar. Perdeu em tensão, mas ganhou em adrenalina. Os fãs do gênero formaram filas enormes, profundamente satisfeitos.

A trama desse segundo filme se passa cerca de 50 anos depois dos acontecimentos que levaram a Tenente Ripley (Sigourney Weaver) a testemunhar a aniquilação de seus companheiros de tripulação por um alienígena truculento e aparentemente invencível. Encontrada por uma nave de resgate, logo ela fica sabendo que o planeta que originou o monstro está colonizada pela Terra e, quando todo e qualquer contato com os humanos que o habitam é perdido, ela é enviada para descobrir o que aconteceu e, se for necessário, exterminar os algozes dos colonizadores.

Tudo em "Aliens, o resgate", é grande. A duração (mais de duas horas), os efeitos visuais, a violência. Navegando tranquilamente em sua tradicional mania de grandeza, Cameron oferece ao espectador um verdadeiro espetáculo de entretenimento. Seguindo a linha oposta ao trabalho de Ridley Scott - que optou pela sugestão em detrimento do explícito - o futuro vencedor do Oscar por "Titanic" não tem medo de orquestrar sequências de ação eletrizantes e de apavorar o público com criaturas asquerosas em número suficiente para justificar o Oscar de efeitos visuais que acabou conquistando. E além de tudo ainda encontra tempo para sentimentalismos, ao criar uma personagem que dá a Ripley um lado humano que lhe cai muito bem: uma menina órfã que vê na protagonista a figura materna que necessita para manter-se viva e amada.

É fato notável que a relação entre Ripley e sua pequena "filha" dá um gás novo e uma nuance inesperada que permite a "Aliens, o resgate" fugir da maldição das continuações. Humanizar Ripley foi um golpe de mestre de Cameron, que a aproxima mais da plateia antes de fazê-la barbarizar seus antagonistas, além, é claro, de permitir a Sigourney Weaver maiores vôos dramáticos de atuação - não à toa, ela foi surpreendentemente indicada ao Oscar por seu trabalho em um gênero que normalmente não é muito afeito a dramas pessoais.

"Aliens, o resgate" é o mais bem-sucedido comercialmente da série lançada em 1979, mas fica aquém do original no quesito suspense. É um extraordinário filme de ação, realizado com uma competência assustadora e talentos criativos inegáveis, que deixaria o mundo com água na boca, esperando um terceiro capítulo que, lançado em 1992, decepcionou público e crítica mesmo voltando às origens claustrofóbicas de sua origem.

Tuesday, June 8, 2010

ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO


ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (Alien, 1979, 20th Century Fox, 117min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: Dan O'Bannon, estória de Dan O'Bannon e Ronald Shusett. Fotografia: Derek Vanlint. Montagem: Terry Rawlings, Peter Weatherley. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: John Mollo. Direção de arte/cenários: Michael Seymour/Ian Whittaker. Produção executiva: Ronald Shusett. Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Elenco: Tom Skerrit, Sigourney Weaver, Ian Holm, John Hurt, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, Yaphet Kotto. Estreia: 25/5/79

2 indicações ao Oscar: Direção de arte, Efeitos Visuais

Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais


"Do espaço, ninguém pode ouvir você gritar!" Com esse slogan de efeito chegava às telas americanas, em maio de 1979, um filme que iria revolucionar a ficção científica, influenciando todas as posteriores produções do gênero - além de gerar, até agora, três sequências com diretores diferentes e resultados finais variados. Acrescentando elementos de suspense e terror aos tradicionais elementos que o gênero normalmente apresentava, "Alien, o oitavo passageiro", de Ridley Scott virou referência obrigatória. E prova, mais uma vez que os filmes originais são, via de regra, superiores a suas continuações.

A trama de Scott (substituindo o diretor original Walter Hill, que assumiu a produção do filme) se passa dentro da nave comercial Nostromo, que, a caminho de volta à Terra se vê compelida a investigar um pedido de SOS vindo de um planeta próximo à sua rota. Liderados por Dallas (Tom Skerrit), a tripulação de sete integrantes leva um susto quando uma forma de vida desconhecida ataca um de seus colegas, Kane (John Hurt), grudando-se em seu capacete. Ao ser examinado pelo cientista da equipe, Ash (Ian Holm), Kane é morto pelo invasor, que mistura-se às engrenagens da nave, aumentando assustadoramente de tamanho. Conforme todos os membros da tripulação começam a ser aniquilados pelo alien, resta à Tenente Ripley (Sigourney Weaver) lutar pela sua sobrevivência e pela destruição do monstro.

Grande sucesso de bilheteria em 1979, "Alien" deu à novata Sigourney Weaver a chance de sua carreira. Comparada com Jane Fonda pelos sortudos que assistiram a seu teste, ela ficou com o papel central - que era masculino nos primórdios do roteiro e que chegou a ser confirmado como sendo de Veronica Cartwright antes das filmagens - e tornou-se a heroína mais conhecida do cinema de ação hollywoodiano. Dona de um rosto de traços marcantes e exalando uma personalidade forte e corajosa - sem nunca deixar de lado as qualidades que a fazem ser também uma mulher - Weaver empresta à Ripley tudo que é necessário para convencer a plateia a ser seu cúmplice. E de certa forma isso é preciso, pois, apesar da truculência e da crueldade de seu rival, poucas vezes Hollywood construiu um vilão tão à altura dos mocinhos quanto o monstro criado pela imaginação de Dan O'Bannon e pelo talento visual de Carlo Rambaldi.

A equipe de Rambaldi levou o Oscar de efeitos especiais pela criação de seu alien, um monstro quase amorfo que é capaz de fundir-se à nave espacial que invade, sangra ácido e é dono de uma violência sem precedentes. O visual da criatura, que foi ficando maior e mais sofisticado conforme os anos iam passando e a série ia tornando-se mais e mais generosa em termos de orçamento, virou espécie de referência para qualquer ficção científica que se preze e é impossível, hoje em dia, tirar da cabeça sua forma assustadora e ameaçadora.

Ao contrário de sua primeira continuação, dirigida por James Cameron em 1986, que transformava a luta da Tenente Ripley em super-espetáculo, o primeiro capítulo da série opta pelo caminho menos fácil. É somente depois de seis silenciosos minutos que começamos a entender o que é a Nostromo, quem são seus tripulantes e passamos a saber mais sobre suas personalidades. É somente depois do primeiro ataque do monstro que ficamos sabendo que Ash não era o cientista original do grupo, que Dallas e Ripley tem uma relação a mais (a cena de sexo entre os dois foi escrita mas nunca filmada) e que a "Mãe" (computador que passa as coordenadas a serem seguidas) tem ideias diferentes a respeito da manutenção do alienígena dentro da nave. Ridley Scott leva tempo antes de começar a matança, extraindo o possível de cada cena, de cada clima, de cada personagem. E quando o suspense realmente começa, é impossível ficar tranquilo.

Mesmo depois de se assistir a "Alien" inúmeras vezes ainda é interessante perceber como Ridley Scott (que meros 3 anos depois legaria ao mundo o sensacional "Blade Runner") tem o dom de levar o espectador para onde ele quer. Apesar dos termos técnicos utilizados em alguns momentos do longa (problema inevitável em filmes do estilo) o público é seduzido logo de cara pelo intrigante roteiro, pela fotografia claustrofóbica e pela trilha sonora angustiante do mestre Jerry Goldsmith. Não bastasse tudo isso, a plateia ainda leva uma boa meia dúzia de sustos e fica o filme todo na ponta da cadeira. Precisa mais de um filme de terror?

Por mais que os filmes de James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet (todos cineastas criativos, inteligentes e talentosos) tenham cada um uma assinatura diferente e por conseguinte objetivos diversos, ainda é o escuro e apavorante primeiro capítulo de Ridley Scott que mantém a série "Alien" acima de qualquer suspeita.