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Wednesday, August 17, 2011

AMOR MAIOR QUE A VIDA

AMOR MAIOR QUE A VIDA (Waking the dead, 2000, Polygram Filmed Entertainment, 105min) Direção: Keith Gordon. Roteiro: Robert Dillon, romance de Scott Spencer. Fotografia: Tom Richmond. Montagem: Jeff Wishengrad. Música: Scott Shields, Tomadandy. Figurino: Renée April. Direção de arte/cenários: Zoe Sakellaropoulo/Simon La Haye, Joelle Turenne. Produção executiva: Jodie Foster. Produção: Keith Gordon, Stuart Kleinman, Linda Reisman. Elenco: Billy Crudup, Jennifer Connelly, Hal Holbrook, Ed Harris, Janet McTeer, Molly Parker, John Carroll Lynch, Paul Hipp, Sandra Oh. Estreia: 24/3/00

Histórias de amor no cinema seguem quase sempre a mesma métrica. Rapaz e moça se conhecem, se apaixonam, vivem um romance idílico, são forçados a enfrentar problemas de vários tipos e têm uma variante final: ou se acertam de vez e ficam felizes para sempre ou sofrem uma perda irreparável (leia-se uma morte dramática e piegas). Felizmente de vez em quando aparece alguém com algo mais a acrescentar do que simplesmente uma história vazia de amor irreal e plástico. E é isso que o ator e diretor Keith Gordon faz com “Amor maior que a vida”, um romance interessante e consistente que mostra que o amor tem razões que a própria razão desconhece.

“Amor maior que a vida” foge como o diabo da cruz dos clichês do gênero, mas agrada a quem procura um bom romance, assim como acrescenta inteligência na receita e faz a platéia pensar até mesmo depois dos créditos finais graças a um roteiro forte e que emociona sem apelar para lágrimas fáceis. A trama começa em 1972, quando o jovem Fielding Pierce (Billy Crudup), que trabalha na Guarda Costeira de Nova York e sonha ser Presidente da República conhece e se apaixona pela bela e idealista Sarah Williams (Jennifer Connelly), secretária de seu irmão editor. O romance dos dois engrena, e apesar de seu amor evidente, suas personalidades diferentes começam a afastá-los. Enquanto Fielding começa sua ascensão política no Partido Republicano, Sarah envolve-se com a Igreja e com refugiados de países sob ditadura. Em uma de suas viagens, a jovem morre tragicamente, deixando seu namorado inconsolável. Dez anos depois, às vésperas de sua eleição para senador, Fielding passa a ter visões da jovem e começa a desconfiar que sua amada está viva e forjou a própria morte para não atrapalhar sua carreira política. Por ironia, seu desequilíbrio começa a pôr em risco seu futuro.      


Nada é banal e corriqueiro no filme de Gordon. A edição, repleta de vai e voltas no tempo, mais que demonstrar um estilo vazio, ajuda na forma de contar a história, forte por si mesma ao levantar questões importantes e não julgar seus personagens, bem construídos e interpretados por um casal em dias de graça. Jennifer Connelly brilha com sua beleza etérea – em um papel disputado por nomes tão díspares quanto Drew Barrymore, Cameron Diaz, Brittany Murphy, Winona Ryder e até mesmo Britney Spears - mas é o jovem Billy Crudup que entrega uma atuação corajosa e enérgica, com uma personagem complexa e apaixonante. A cena em que Fielding perde a cabeça em um restaurante diante da família comprova que Crudup foi uma escolha acertada, ao invés das figurinhas marcadas que foram consideradas para o papel – pasmem, Tom Hanks, Tom Cruise e Kevin Spacey estiveram cotados... Felizmente o talento falou mais alto do que a ganância (talvez influência da produtora executiva Jodie Foster) e “Amor maior que a vida” é um filme fascinante justamente por suas opções certeiras.

Baseado em um livro de Scott Spencer - cujo título original traduzido literalmente seria algo como "Despertando os mortos", o que provavelmente sugeriria um filme de horror aos desavisados frequentadores de multiplexes - "Amor maior que a vida" faz bem em deixar o espectador tão aturdido e tão em dúvida quanto seu protagonista a respeito da morte (ou não) de Sarah. Nem mesmo quando o filme acaba pode-se dizer com certeza absoluta o que realmente aconteceu e o que não passa da imaginação de um homem loucamente apaixonado. A belíssima trilha sonora - que pega emprestado a linda "Mercy Street" - dá o clima perfeito à introspecção fantasmagórica da trama, que ainda encontra espaço para discussões sociais de suma importância sem nunca soar panfletária ou didática. Os diálogos entre Fielding e Sarah tem o equilíbrio certo entre o romântico e o idealista, entre a ilusão e a realidade, entre o que se sonha e o que realmente se consegue atingir. Nas mãos de atores fracos tudo seria risível. Com Billy Crudup e Jennifer Connelly tudo fica nunca aquém de fascinante.


Dono de diálogos revelantes, atuações viscerais e uma química rara entre seus dois belos protagonistas, "Amor maior que a vida" é um dos dramas românticos mais interessantes do final do século XX. Pode não ter feito bonito nas bilheterias - nem mesmo pagou seu orçamento ínfimo de 8 milhões e meio de dólares - mas é uma experiência enriquecedora. Quem dera mais fracassos assim fossem lançados, para o deleite da plateia mais sensível...

Friday, December 10, 2010

A FIRMA

A FIRMA (The firm, 1993, Paramount Pictures, 154min) Direção: Sydney Pollack. Roteiro: David Rabe, Robert Towne, David Rayfiel, romance de John Grisham. Fotografia: John Seale. Montagem: Fredric Steinkamp, William Steinkamp. Música: Dave Grusin. Figurino: Ruth Myers. Direção de arte/cenários: Richard Macdonald/Casey Hallenbeck. Produção executiva: Lindsay Doran, Michael Hausman. Produção: John Davis, Sydney Pollack, Scott Rudin. Elenco: Tom Cruise, Jeanne Tripplehorne, Gene Hackman, Hal Holbrook, Ed Harris, Holly Hunter, Gary Busey, David Strathairn, Tobin Bell. Estreia: 30/6/93

2 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Holly Hunter), Trilha Sonora Original

No início da década de 90, nenhum nome era mais quente dentro da literatura americana fast-food do que John Grisham. Advogado de formação, ele frequentava as listas dos mais vendidos com seus livros que versavam, basicamente, sobre os meandros da lei, sempre protagonizados por seus colegas de profissão, invariavelmente idealistas e heróicos. Escritas com uma prosa fluente e com um ritmo invejável, suas obras imploravam por adaptações cinematográficas e não demorou muito para que logo ele se tornasse mania entre os produtores de Hollywood. Quem saiu na frente foi Sydney Pollack, com a adaptação de "A firma", seu primeiro romance. Como era esperado, a bilheteria não decepcionou: com os nomes de Grisham e do astro Tom Cruise enfeitando o cartaz, o filme rendeu quase 160 milhões de dólares no mercado americano, comprovando o poder de Cruise, no auge de sua popularidade.

É impossível negar que, mesmo sendo Grisham um escritor extremamente popular junto ao público ianque - e por que não, internacional - foi o nome de Tom Cruise o maior responsável pelo enorme sucesso de "A firma". Em uma fase dourada de sua carreira, o ator emendava um êxito comercial atrás do outro e teve a sorte de encontrar uma personagem adequada à sua persona. Coincidentemente ou não, foi seu segundo papel de advogado consecutivo, depois do igualmente bem-sucedido "Questão de honra" e, mais uma vez, não compromete o resultado final, apresentando um trabalho correto, ainda que longe de brilhante.


Cruise interpreta Mitch McDeere, um jovem advogado recém-formado e ambicioso que recebe a proposta irrecusável de uma firma tradicional da cidade de Memphis. Deslumbrado com as inúmeras possibilidades que o emprego lhe proporcionará, ele se muda com a esposa, a professora primária Abby (a fraca Jeanne Trippelhorne) para uma casa de sonhos, com um carrão na garagem e um salário muito maior do que esperava, além do apoio dos colegas de trabalho, que logo lhe deixam bem claras algumas regras da tal firma. Conservadora, ela "apóia" casamentos estáveis e famílias numerosas, além de exigir também uma reputação ilibada de seus empregados. Por esse motivo, Mitch esconde que tem um irmão presidiário, Ray (David Strathairn) e tenta manter reserva a respeito de sua vida pessoal. As coisas começam a ficar estranhas, porém, quando dois associados da empresa morrem em um acidente de barco e o misterioso Wayne Terrance (Ed Harris) passa a assediá-lo: agente do FBI, ele revela a Mitch que a firma tem ligações com a Máfia. Cabe ao jovem decidir, então, se aceita ajudar a polícia a condenar seus colegas de trabalho.


Capaz de transitar entre diversos gêneros - ele assinou o romântico "Nosso amor de ontem", a comédia "Tootsie" e o épico oscarizado "Entre dois amores", apenas para citar os mais conhecidos - Sydney Pollack fez de "A firma" um filme elegante, um suspense à moda antiga, que caminha em seu próprio ritmo sem jamais aborrecer o espectador - ao menos aquele que prefere uma história bem contada do que correrias desvairadas. As personagens coadjuvantes criadas por Grisham encontram, no elenco escolhido por Pollack (que tem um talento óbvio para tal), representações perfeitas, incluindo aí um desaparecido Gary Busey. Gene Hackman, por exemplo, encontra o tom exato entre o poder e a solidão de seu Avery Tolar, o mentor do protagonista dentro da firma, e Holly Hunter recebeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante - no mesmo ano em que foi premiada na categoria principal, por "O piano" - por seu trabalho impecável como Tammy, uma secretária vulgar mas bastante esperta que ajuda McDeere em sua luta: suas cenas somadas não chegam a seis minutos de projeção, mas ela é, sem dúvida, o maior destaque feminino do filme, uma vez que Jeanne Tripplehorn, na pele de Abby McDeere, mostra toda sua fragilidade como atriz.

O ritmo de "A firma", definitivamente, não é dos mais alucinantes. Em alguns momentos, chega a ser bastante lento, uma característica de seu diretor. Mas jamais deixa que a história que conta seja pouco interessante, ou previsível. É, como dito antes, um filme elegante, realizado com um cuidado e interpretado por um elenco de atores populares e talentosos. Um entretenimento acima da média e inteligente como poucos que prezam por sua bilheteria. Um bom começo para as adaptações de John Grisham.

Tuesday, October 5, 2010

ALÉM DA ETERNIDADE

ALÉM DA ETERNIDADE (Always, 1989, Amblin Entertainment/Universal Pictures/United Artists, 122min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jerry Belson, roteiro original de Dalton Trumbo. Fotografia: Mikael Salomon. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Ellen Mirojnick. Direção de arte/cenários: James Bissell/Jackie Carr. Casting: Lora Kennedy. Produção: Kathleen Kennedy, Frank Marshall, Steven Spielberg. Elenco: Richard Dreyfuss, Holly Hunter, John Goodman, Brad Johnson, Marg Helgenberger, Audrey Hepburn. Estreia: 22/12/89

Se “Além da eternidade” prova alguma coisa é que até mesmo os gênios cometem erros. Tido como um dos fracassos da vitoriosa carreira de Steven Spielberg (e relegado à galeria de equívocos do cineasta, ao lado de filmes como “1941, uma guerra muito louca” e “Hook, a volta do Capitão Gancho”), esta refilmagem de um obscuro drama romântico dos anos 40 chamado “A guy named Joe” ("Dois no céu" no Brasil) não foi bem de bilheteria e nunca chegou a receber críticas entusiasmadas, ainda que tenha alguns tímidos fãs. A pergunta crucial é: o filme é ruim?

"Além da eternidade" conta a história de Pete Sandich (Richard Dreyfuss), um competente piloto de avião responsável por apagar incêndios florestais que ama o que faz e ama a namorada, Dorinda (Holly Hunter), apesar de nunca ter revelado a ela toda a extensão de seus sentimentos. Um dia, ao salvar a vida do colega e amigo Al (John Goodman), Pete sofre um acidente e morre. A princípio revoltado com sua condição, ele logo recebe de um anjo (a última atuação da sempre delicada Audrey Hepburn) uma missão: ajudar um jovem piloto (Brad Johnson) a se acertar na carreira e conquistar o amor da mulher que ama. O problema é que a mulher que o jovem, corajoso e belo aspirante a piloto deseja é justamente a mesma Dorinda que Pete ainda ama, apesar de estar em outro plano espiritual. Ele terá, então, que superar os próprios sentimentos para vê-la feliz.

Para os românticos incuráveis, a história de amor e morte dos protagonistas do filme pode funcionar muito bem. Para aqueles mais exigentes, no entanto, as coisas podem ser mais difíceis. Spielberg utiliza em seu filme ingredientes que, um ano depois, faria a glória de um digamos assim, subproduto chamado “Ghost, do outro lado da vida”: romance entre pessoas de dimensões diferentes, ensinamentos espíritas e até uma canção dos anos 50 (nesse caso, a bela “Smoke gets in your eyes”, com The Platters). Mas, por incrível que pareça, as falhas em “Além da eternidade” estão nas decisões tomadas pelo próprio diretor. Richard Dreyfuss e Holly Hunter são atores infinitamente superiores a Patrick Swayze e Demi Moore (astros de “Ghost”), mas não têm o mesmo carisma e beleza que levaram multidões aos cinemas. “Ghost” tinha elementos de humor e uma trama policial, que, apesar de diminuir a intensidade da história central, caiu no gosto do público. “Além da eternidade” se leva a sério demais. Mas o cineasta que deu ao mundo obras-primas emocionantes como “A cor púrpura” e “A lista de Schindler” parece não ficar muito à vontade ao falar de amor. Não é à toa que este é, até agora, seu único drama romântico.

"Além da eternidade" oferece à plateia cenas belíssimas (os incêndios, por exemplo, são fotografados exemplarmente por Mikael Salomon) e atuações muito competentes de seus protagonistas (Richard Dreyfuss é um ator que se presta a todas às nuances pretendidas pelo diretor e Holly Hunter, mesmo anos-luz distante do visual Barbie, é uma atriz espetacular - o que o Oscar por "O piano", quatro anos depois, provaria.) Mas não tem o mesmo nível de paixão dos melhores trabalhos de Steven Spielberg. Ainda assim, um belo filme que merecia melhor sorte.

Wednesday, May 26, 2010

TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE


TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (All the president's men, 1976, Warner Bros, 138min) Direção: Alan J. Pakula. Roteiro: William Goldman, baseado no livro de Bob Woodward e Carl Bernstein. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Robert L. Wolfe. Música: David Shire. Direção de arte/cenários: George Jenkins/George Gaines. Casting: Alan Shayne. Produção: Walter Coblenz. Elenco: Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden, Martin Balsam, Jason Robards, Hal Holbrook, Ned Beatty, Jane Alexander, Stephen Collins, Meredith Baxter. Estreia: 09/4/76

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Alan J. Pakula), Ator Coadjuvante (Jason Robards), Atriz Coadjuvante (Jane Alexander), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de arte, Som

Vencedor de 4 Oscar: Ator Coadjuvante (Jason Robards), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Som


Enquanto no Brasil normalmente escândalos no governo acabam em pizza - e em reeleições alguns poucos anos depois - nos EUA as coisas não são assim tão fáceis para quem está no poder, vide a crise instaurada por um simples caso extra-conjugal de Bill Clinton quando ele estava na Casa Branca. Tida como o quarto poder, a imprensa é responsável por balançar as estruturas do poder, e o maior exemplo disso provavelmente é o caso Watergate, que, revelado por dois jornalistas do Washington Post, resultou na renúncia do presidente Richard Nixon em 9 de agosto de 1974. Contada com detalhes no extenso livro "Todos os homens do presidente", escrito pelos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, uma das investigações mais famosas da história do jornalismo moderno foi parar nas telas de cinema já em 1976, quando o caso ainda estava fresquinho na memória do público. Resultado? Um sucesso enorme de bilheteria e crítica, além de 8 indicações ao Oscar (sendo que 4 converteram-se em estatuetas). Nada mal para um filme que, apesar da presença fulgurante do então astro do momento Robert Redford, foge do padrão filme-pipoca que começava a mandar nas salas de exibição desde que o tubarão de Steven Spielberg surgiu, no verão de 1975.

Dirigido por Alan J. Pakula - que ficou com a direção depois que o inglês John Schlesinger declinou do convite por acreditar que tratava-se de uma história que deveria ser contada por um americano - o filme, roteirizado por William Goldman (que ganhou o Oscar por isso) começa em 17 de junho de 1972, quando um arrombamento na Sede do Partido Democrata americano, localizado no edifício Watergate chama a atenção do jornalista Bob Woodward (Robert Redford), que, recém-contratado pelo Washington Post, tenta mostrar serviço, mesmo que não entenda nada de política. Contando com a ajuda do colega Carl Bernstein (Dustin Hoffman), mais experiente na área e nos meandros do serviço, ele passa a correr atrás de pistas deixadas por atitudes estranhas dos criminosos, que parecem estar ligados à Casa Branca. Quando um misterioso informante, apelidado de Garganta Profunda (Hal Holbrook) confirma suas suspeitas, os dois rapazes tem que não apenas provar sua teoria - que culpa pessoas do mais alto escalão do governo americano - mas convencer seus superiores no jornal (Jack Warden, Martin Balsam e o premiado com o Oscar de coadjuvante Jason Robards) a publicar o que poderá ser a reportagem mais incendiária da história política do país.

O mais fascinante em "Todos os homens do presidente" é a forma com que o roteiro de Goldman e a direção de Pakula se desenrola frente aos olhos privilegiados da plateia. O público acompanha cada passo dos protagonistas do filme, suas altas expectativas, suas frustrações e seus insights de maneira a torcer por eles como se fossem heróis de um filme de ação, ainda que não façam muito mais do que ficar ao telefone ou interrogando dezenas de pessoas possivelmente ligadas à investigação. Não é à toa que ainda hoje o filme seja recomendado em todas as faculdades de Jornalismo, uma vez que detalha admiravelmente a jornada de dois profissionais idealistas em busca da verdade, mesmo que ela possa lhes ser prejudicial. Para isso colabora também a escolha de seus dois atores centrais: Robert Redford assumiu o papel de Woodward para garantir o financiamento do filme - além do fato de ter sido ele o responsável pela compra dos direitos do livro - e Dustin Hoffman entregou ao filme a credibilidade artística necessária à atenção da crítica.

Ainda que seja um filme bastante complexo para não-americanos - a enormidade de nomes, cargos e responsabilidades citadas no roteiro chega a confundir em certas passagens - "Todos os homens do presidente" tem momentos de puro cinema político, no melhor estilo do cineasta grego Costa-Gavras. A música de David Shire aparece nas horas certas, sem atrapalhar o andamento da narrativa, apenas sublinhando a tensão de algumas cenas e a edição confere um tom semi-documental ao resultado final - e ainda que o filme seja um tanto longo demais, é inegável que o roteiro conseguiu enxugar todas as informações necessárias ao máximo possível para que a trama seja compreendida pela audiência sem que prejuízo de suas ambições comerciais.

"Todos os homens do presidente" é um filme bastante interessante e importante, principalmente para quem gosta de histórias reais contadas com cuidado e atenção. Nâo é adrenalina pura, mas ainda se mantém como um dos mais influentes do seu gênero.