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Monday, December 6, 2010

PROPOSTA INDECENTE

PROPOSTA INDECENTE (Indecent proposal, 1993, Paramount Pictures, 117min) Direção: Adrian Lyne. Roteiro: Amy Holden Jones, romance de Jack Engelhard. Fotografia: Howard Atherton. Montagem: Joe Hutsching. Música: John Barry. Figurino: Beatrix Aruna-Pasztor, Bernie Pollack, Bobbie Read. Direção de arte/cenários: Mel Bourne/Etta Leff. Produção executiva: Alex Gartner. Produção: Sherry Lansing. Elenco: Robert Redford, Demi Moore, Woody Harrelson, Oliver Platt, Seymour Cassel, Billy Bob Thornton. Estreia: 07/4/93

Quando foi lançado, em 1993, o filme "Proposta indecente", de Adrian Lyne, foi chamado, por um crítico, de "filme dos sonhos de qualquer cinéfilo de shopping-center". De uma certa maneira a afirmação não deixa de ser verdadeira. Utilizando elementos de obras anteriores do cineasta - o apuro visual de "9 1/2 semanas de amor" e a aura polêmica de "Atração fatal" - a adaptação livre do romance de Jack Engelhard é o típico produto de sua época: atraente por fora e sem substância nenhuma por dentro. Aliás, apenas a premissa inicial do livro de Engelhard foi utilizada no roteiro, e é preciso reconhecer que é uma senhora premissa.

Durante meses a fio a imprensa do mundo todo discutiu a ideia central do filme: você emprestaria sua mulher a outro homem, por apenas uma noite, em troca de um milhão de dólares? Pois é exatamente esta a proposta indecente do título. Em um cassino de Las Vegas, o multimilionário John Gage (Robert Redford em uma rara aparição nas telas na década de 90) conhece o jovem e atraente casal David e Diana Murphy (Woody Harrelson em um de seus primeiros papéis de destaque e a deslumbrante Demi Moore no auge da beleza). O casal, ambos belos, interessantes e apaixonados também estão absolutamente quebrados financeiramente e não tem dinheiro nem mesmo para pagar as prestações da casa que o rapaz está construindo para eles. Fascinado pela beleza de Diana, o ricaço propõe então a controversa questão: uma noite com ela e um milhão de verdinhas na conta do casal.


Não é difícil prever o que vem a partir daí, uma vez que o filme se concentra mesmo é no pós-proposta, apesar dela ser o pontapé inicial da trama. Ciúme, desconfiança e a eterna busca sobre o que é mais importante na vida acabam sendo os ingredientes da segunda metade do filme, que, em mãos pouco capazes, é a parte menos interessante do filme. Adrian Lyne, que não é um grande diretor de atores, mostra aqui toda sua fragilidade. Robert Redford nunca esteve tão desconfortável em cena, herdando um papel que, nos primórdios do projeto, seria de Warren Beatty. E se Demi Moore não precisa muito esforço para desfilar bela e sensual pela tela, é justamente o menos conhecido do trio, Woody Harrelson, quem se destaca, em uma atuação que tenta dar dignidade a uma história de telenovela.


O roteiro de "Proposta indecente" jamais consegue ultrapassar o lugar-comum. Enquanto a proposta de John Gage não é aceita e a dúvida a seu respeito atrapalha o sono de seus protagonistas o interesse do espectador é mantido aceso. Depois que o ciúme e a desconfiança assumem o papel central da história, tudo perde o foco. O romance entre Diana e Gage e a luta de David para reconquistá-la nunca consegue convencer a plateia, que é privada, a partir daí, da tensão inicial e das quentes cenas de sexo, marca registrada do diretor. Depois de uma primeira hora razoavelmente correta, tudo escorrega para uma trama inverossímil e capenga.

Porém, mesmo que não seja um filme dos melhores, "Proposta indecente" não é uma total perda de tempo.  Poucos diretores tem tanto talento para cenas de amor quanto Lyne e ele as executa com o costumeiro zelo, ajudado por uma ótima trilha sonora de John Barry -  a canção que encerra o filme é a belíssima "A love so beautiful", cantada por Roy Orbison - e pela plástica dos atores (aliás, a ideia do filme era utilizá-lo como veículo para o então casal Tom Cruise e Nicole Kidman). Pode não ser uma obra de arte do cinema, e justifica sua descrição de "filme para cinéfilos de shopping-center". Mas ao menos é bem realizado e esteticamente atraente.

Sunday, July 18, 2010

ENTRE DOIS AMORES


ENTRE DOIS AMORES (Out of Africa, 1985, Universal Pictures, 161min) Direção: Sydney Pollack. Roteiro: Kurt Luedtke, livros de Karen Blixen, Judith Thurman, Errol Trzebinski. Fotografia: David Watkin. Montagem: Pembroke Herring, Sheldon Kahn, Fredrick Steinkamp, William Steinkamp. Música: John Barry. Figurino: Milena Canonero. Direção de arte/cenários: Stephen Grimes/Josie MacAvin. Casting: Mary Selway. Produção executiva: Kim Jorgensen. Produção: Sydney Pollack. Elenco: Meryl Streep, Robert Redford, Klaus Maria Brandauer, Michael Kitchen, Malick Bowens. Estreia: 18/12/85

11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Sydney Pollack), Atriz (Meryl Streep), Ator Coadjuvante (Klaus Maria Brandauer), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Figurino, Direção de arte/cenários, Som

Vencedor de 7 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Sydney Pollack), Roteiro Adaptado, Fotografia, Trilha Sonora, Direção de arte/cenários, Som

Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Ator Coadjuvante (Klaus Maria Brandauer), Trilha Sonora


Filmes épicos sempre fizeram a cabeça dos membros da Academia, especialmente se são baseados em fatos reais. Por isso não deixava de ser previsível a vitória esmagadora de "Entre dois amores" no Oscar 85. Dirigido por Sydney Pollack, o filme levou 7 estatuetas pra casa, não deixando chance para seus competidores - entre eles o elogiado "A cor púrpura", de Steven Spielberg. Inspirado em fatos da vida da escritora dinamarquesa Karen Blixen, é um filme que conquista pela beleza de seu visual estonteante e pela atuação soberba - mais uma - de Meryl Streep.

Ficando com o papel que, em projetos anteriores foi cogitado para ser interpretado por Audrey Hepburn e Greta Garbo, Streep entrega um trabalho meticuloso e sensível, que lhe rendeu a sexta indicação ao Oscar. Ela vive Karen Blixen, que, no início do século XX, se casa com Bor (Klaus Maria Brandauer),um amigo, por puro interesse: ela quer o título de Baronesa que ele pode dar-lhe; ele deseja o dinheiro que ela tem e que pode dar início à sua criação de gado no Kenya colonizado pela Inglaterra. Logo depois do casamento as coisas começam a dar errado: ele resolve mudar os planos e plantar café, além de não abdicar de seus relacionamentos extra-conjugais. Frequentemente sozinha na enorme fazenda de sua propriedade, Karen - uma talentosa contadora de histórias - torna-se interessada pela cultura africana, além de tentar melhorar as diferenças sociais de sua região. Quando ela se apaixona pelo caçador Denys Finch-Hatton (Robert Redford), que preza sua liberdade acima de qualquer outra coisa, ela passa a experimentar também as agruras de um romance conturbado.

"Entre dois amores" é um épico romântico que exala grandiosidade a cada cena. A espetacular fotografia de David Watkin capta a beleza natural do continente africano com maestria, e a trilha sonora de John Barry corrobora o clima romântico/selvagem proposto pela história de Blixen (autora do conto que deu origem ao filme "A festa de Babette"). A reconstituição de época é caprichada e até mesmo o cuidado com os dados históricos é acurado. Mas falta ao filme de Pollack a opção por um foco específico de interesse. Dividido entre contar a luta da protagonista pelo bem-estar do povo africano, narrar sua batalha pela fazenda e mostrar sua atribulada história de amor, ele acaba por não se aprofundar o bastante em nenhuma das tramas, o que diminui consideravelmente seu impacto.

As três linhas de narrativa de "Entre dois amores" são bastante interessantes. Como paladina dos interesses dos nativos africanos, Karen assume o papel de uma mulher disposta a oferecer sua inteligência e boa-vontade a pessoas de cultura oposta à sua, mesmo batendo de frente com as lideranças locais, uma trama que, sozinha, já renderia um excelente filme. Como uma esposa solitária que luta para manter sua fazenda lucrativa e produtiva, a futura escritora se apresenta como uma espécie de Scarlett O'Hara menos voluntariosa e interesseira e, como "E o vento levou" continua provando, é uma história que manteria acesa a atenção da plateia. E como mulher apaixonada, a personagem de Meryl Streep dá à atriz a chance de mostrar porque é uma das mais destacadas profissionais do cinema. Mas justamente no foco que poderia ser o mais fascinante do filme, ela esbarra em um problema sério: a apatia de seu colega de cena.

Robert Redford - que trabalhou com Pollack em "Nosso amor de ontem" (1973) e "Havana" (1990) - é um dos mais importantes nomes do cinema americano, por causa de sua carreira como ator, diretor e produtor e devido a seu incentivo ao cinema independente, como comprova sua cria, o Festival de Sundance. Mas em "Entre dois amores" ele não faz o suficiente para justificar a paixão de Karen Blixen, não fazendo mais do que desfilar seu charme pela tela. Comparado com o furacão passional mostrado por Streep ele empalidece perigosamente e quase atrapalha o resultado final. Para sorte do espectador, no entanto, a história é tão bela e forte que é impossível não se deixar envolver por ela.

"Entre dois amores" é um belo épico romântico, conforme desejado por seu diretor Sydney Pollack. Emociona na medida certa, impressiona por sua beleza plástica e possibilita à Meryl Streep mais um show particular. De quantos filmes se pode falar isso?

Wednesday, May 26, 2010

TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE


TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (All the president's men, 1976, Warner Bros, 138min) Direção: Alan J. Pakula. Roteiro: William Goldman, baseado no livro de Bob Woodward e Carl Bernstein. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Robert L. Wolfe. Música: David Shire. Direção de arte/cenários: George Jenkins/George Gaines. Casting: Alan Shayne. Produção: Walter Coblenz. Elenco: Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden, Martin Balsam, Jason Robards, Hal Holbrook, Ned Beatty, Jane Alexander, Stephen Collins, Meredith Baxter. Estreia: 09/4/76

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Alan J. Pakula), Ator Coadjuvante (Jason Robards), Atriz Coadjuvante (Jane Alexander), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de arte, Som

Vencedor de 4 Oscar: Ator Coadjuvante (Jason Robards), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Som


Enquanto no Brasil normalmente escândalos no governo acabam em pizza - e em reeleições alguns poucos anos depois - nos EUA as coisas não são assim tão fáceis para quem está no poder, vide a crise instaurada por um simples caso extra-conjugal de Bill Clinton quando ele estava na Casa Branca. Tida como o quarto poder, a imprensa é responsável por balançar as estruturas do poder, e o maior exemplo disso provavelmente é o caso Watergate, que, revelado por dois jornalistas do Washington Post, resultou na renúncia do presidente Richard Nixon em 9 de agosto de 1974. Contada com detalhes no extenso livro "Todos os homens do presidente", escrito pelos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, uma das investigações mais famosas da história do jornalismo moderno foi parar nas telas de cinema já em 1976, quando o caso ainda estava fresquinho na memória do público. Resultado? Um sucesso enorme de bilheteria e crítica, além de 8 indicações ao Oscar (sendo que 4 converteram-se em estatuetas). Nada mal para um filme que, apesar da presença fulgurante do então astro do momento Robert Redford, foge do padrão filme-pipoca que começava a mandar nas salas de exibição desde que o tubarão de Steven Spielberg surgiu, no verão de 1975.

Dirigido por Alan J. Pakula - que ficou com a direção depois que o inglês John Schlesinger declinou do convite por acreditar que tratava-se de uma história que deveria ser contada por um americano - o filme, roteirizado por William Goldman (que ganhou o Oscar por isso) começa em 17 de junho de 1972, quando um arrombamento na Sede do Partido Democrata americano, localizado no edifício Watergate chama a atenção do jornalista Bob Woodward (Robert Redford), que, recém-contratado pelo Washington Post, tenta mostrar serviço, mesmo que não entenda nada de política. Contando com a ajuda do colega Carl Bernstein (Dustin Hoffman), mais experiente na área e nos meandros do serviço, ele passa a correr atrás de pistas deixadas por atitudes estranhas dos criminosos, que parecem estar ligados à Casa Branca. Quando um misterioso informante, apelidado de Garganta Profunda (Hal Holbrook) confirma suas suspeitas, os dois rapazes tem que não apenas provar sua teoria - que culpa pessoas do mais alto escalão do governo americano - mas convencer seus superiores no jornal (Jack Warden, Martin Balsam e o premiado com o Oscar de coadjuvante Jason Robards) a publicar o que poderá ser a reportagem mais incendiária da história política do país.

O mais fascinante em "Todos os homens do presidente" é a forma com que o roteiro de Goldman e a direção de Pakula se desenrola frente aos olhos privilegiados da plateia. O público acompanha cada passo dos protagonistas do filme, suas altas expectativas, suas frustrações e seus insights de maneira a torcer por eles como se fossem heróis de um filme de ação, ainda que não façam muito mais do que ficar ao telefone ou interrogando dezenas de pessoas possivelmente ligadas à investigação. Não é à toa que ainda hoje o filme seja recomendado em todas as faculdades de Jornalismo, uma vez que detalha admiravelmente a jornada de dois profissionais idealistas em busca da verdade, mesmo que ela possa lhes ser prejudicial. Para isso colabora também a escolha de seus dois atores centrais: Robert Redford assumiu o papel de Woodward para garantir o financiamento do filme - além do fato de ter sido ele o responsável pela compra dos direitos do livro - e Dustin Hoffman entregou ao filme a credibilidade artística necessária à atenção da crítica.

Ainda que seja um filme bastante complexo para não-americanos - a enormidade de nomes, cargos e responsabilidades citadas no roteiro chega a confundir em certas passagens - "Todos os homens do presidente" tem momentos de puro cinema político, no melhor estilo do cineasta grego Costa-Gavras. A música de David Shire aparece nas horas certas, sem atrapalhar o andamento da narrativa, apenas sublinhando a tensão de algumas cenas e a edição confere um tom semi-documental ao resultado final - e ainda que o filme seja um tanto longo demais, é inegável que o roteiro conseguiu enxugar todas as informações necessárias ao máximo possível para que a trama seja compreendida pela audiência sem que prejuízo de suas ambições comerciais.

"Todos os homens do presidente" é um filme bastante interessante e importante, principalmente para quem gosta de histórias reais contadas com cuidado e atenção. Nâo é adrenalina pura, mas ainda se mantém como um dos mais influentes do seu gênero.

Thursday, May 20, 2010

NOSSO AMOR DE ONTEM


NOSSO AMOR DE ONTEM (The way we were, 1973, Columbia Pictures, 118min) Direção: Sydney Pollack. Roteiro: Arthur Laurents. Fotografia: Harry Stradling Jr. Montagem: John F. Burnett. Música: Marvin Hamlisch. Figurino: Dorothy Jeakins, Moss Mabry. Direção de arte/cenários: Stephen Grimes/William Kiernan. Produção: Ray Stark. Elenco: Barbra Streisand, Robert Redford, Lois Chiles, Bradford Dilman, Viveca Lindfords,Murray Hamilton, James Woods. Estreia: 17/10/73

6 indicações ao Oscar: Atriz (Barbra Streisand), Fotografia, Trilha Sonora Original, Canção Original ("The way we were"), Figurino, Direção de arte

Vencedor de 2 Oscar: Trilha Sonora Original e Canção Original ("The way we were")

Vencedor do Golden Globe de Melhor Canção Original ("The way we were")


Em um dos melhores episódios da saudosa série "Sex and the city", Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) relembra, ao lado das amigas, a cena final do filme "Nosso amor de ontem", identificando-se com sua protagonista e seu malfadado romance. No filme "Somente elas", de Herbert Ross, a sensível personagem de Mary-Louise Parker, também apaixonada pela história de amor contada na obra de Sydney Pollack meio que obriga sua nova amiga (vivida por Whoopi Goldberg) a assistí-la, dizendo tratar-se de uma de suas preferidas. Afinal, o que esse filme tem que conquista tanto o público, especialmente aquele formado por mulheres?

Não há dúvidas que o romantismo desbragado do roteiro de Arthur Laurents é o ponto principal do amor da audiência feminina a ele. Mas, espertamente, Laurents temperou sua história de amor relativamente banal com elementos políticos e ideológicos que o retirou gloriosamente da vala comum do gênero. Mesmo que para o público médio e não-americano muitas das referências sócio-políticas da trama passem quase batidas, a história de amor entre os protagonistas ainda soa verdadeira, graças principalmente à química entre seus atores, Barbra Streisand e Robert Redford.

Quando o filme começa, Kate Morosky (Streisand) trabalha em uma rádio e reencontra um antigo colega de escola, Hubbell Gardiner (Redford), que alistou-se na Marinha e a quem não via há anos. A paixão que sempre sentiu por ele volta com toda força e eles acabam iniciando um romance. No entanto, suas diferenças ideológicas também se fazem notar: comunista desde sempre, Kate não compreende o jeito despreocupado de Hubbell, um rapaz bonito, de alta classe e pra quem sempre as coisas aconteceram de maneira fácil. Quando eles se mudam para a Califórnia - onde ele vai tentar adaptar seu livro para o cinema - as coisas ficam ainda mais complicadas. A "caça às bruxas" do senador Joseph McCarthy contra o comunismo os coloca em lados opostos, ameaçando seu relacionamento.

Apesar de colocar suas personagens em meio a furacões políticos - a ascensão do comunismo, a ameaça do nazismo, a caçada provocada por McCarthy - Laurents e o diretor Sydney Pollack não tentam se aprofundar nas questões levantadas pela trama. Mesmo que alguns diálogos toquem diretamente no ponto (em especial a última discussão do casal, em um restaurante vazio), a superficialidade do roteiro chega quase a transformar Kate em uma mulher mais apaixonada pelas causas que defende do que pelo homem que ama. Em inúmeros momentos é mais fácil entender o lado de Hubbell - que pretende levar sua vida e sua carreira sem envolver-se em problemas universais - do que identificar-se com Kate, mesmo que a atuação de Streisand seja passional e crível. Mesmo que se possa acreditar no amor entre os protagonistas é visível, desde suas primeiras cenas, que eles combinam tanto quanto Fidel Castro e Hitler.

No geral "Nosso amor de ontem" funciona. A belíssima trilha sonora de Marvin Hamlisch (vencedora do Oscar, assim como a canção-título gravada por Streisand) contribui para o clima da história contada, assim como a caprichada reconstituição de época e o elenco bem escalado (Redford, no auge da beleza e do carisma, quase perdeu o papel para Ryan O'Neal devido a sua demora em comprometer-se com o projeto). Mas sua perenidade junto às fãs mais sensíveis provavelmente deve-se ao fato de ter um final menos feliz do que o corriqueiro. É um filme que merece ser conhecido, mas que não encanta tanto quanto promete.