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Monday, June 13, 2011

ENCONTRO MARCADO

ENCONTRO MARCADO (Meet Joe Black, 1998, Universal Pictures, 178min) Direção: Martin Brest. Roteiro: Ron Osborn, Jeff Reno, Kevin Wade, Bo Goldman. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Montagem: Joe Hutsching, Michael Tronick. Música: Thomas Newman. Figurino: Aude Bronson-Howard, David C. Robinson. Direção de arte/cenários: Dante Ferretti/Leslie Bloom. Produção executiva: Ronald L. Schwary. Produção: Martin Brest. Elenco: Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani, Marcia Gay Harden, Jake Weber. Estreia: 13/11/98

Alguém deveria matricular Martin Brest em algum curso que ensine a ser conciso. Em "Perfume de mulher", seu filme mais famoso - e que concorreu ao Oscar de melhor filme, além de ter premiado Al Pacino com a estatueta - ele estendeu a história central da relação entre seu protagonista cego com um jovem estudante ao máximo, acrescentando ao filme uma desnecessária trama paralela que só se justifica por sua vontade de dar ao veterano ator mais um momento de brilho. Em "Encontro marcado", seu filme seguinte, ele novamente comete o mesmo erro de estender-se em demasia, dando importância exagerada a cenas que poderiam facilmente ter sido limadas na edição. Ao contrário de "Perfume", porém, nessa refilmagem livre de um clássico dos anos 40 as coisas não funcionaram tão bem. Nem em termos críticos - foi ignorado nas cerimônias de premiação - nem tampouco perante o público: custou quase 100 milhões de dólares e rendeu menos da metade, apesar do apelo do nome de Brad Pitt nos cartazes.

É fácil entender os motivos que levaram "Encontro marcado" a bombar nas bilheterias. É sabido que o público médio americano não é chegado a filmes com duração excessiva - e quase três horas de duração sem que haja necessidade para isso testa a paciência de qualquer um - e além do mais, desta vez Brest realmente errou a mão. Apesar da presença sempre carismática de Pitt e Anthony Hopkins, a refilmagem de "Uma sombra que passa" (estrelado por Fredric March em 1934) é arrastada, pouco emocionante e o que é ainda pior: não explora nem a metade do talento de seus atores principais (que voltam a contracenar depois do sucesso de "Lendas da paixão"). Tudo bem, é visualmente lindo, mas nem mesmo a beleza de Pitt e de Claire Forlani consegue evitar que a audiência boceje a cada vez que a história central se desvia para a desnecessária subtrama envolvendo os negócios de William Parrish (o magnata vivido por Hopkins no piloto automático).


William Parrish é um multimilionário que, às vésperas de completar 65 anos, recebe a visita da morte. Na pele de um jovem galante e sedutor - que se apresenta como Joe Black - a morte deseja levá-lo, mas adia o desfecho de sua missão quando se apaixona pela filha caçula do empresário, a bela Susan (Claire Forlani). Enquanto o dia da morte de Parrish se aproxima, o romance entre Joe e Susan assume ares de amor impossível e, antes de ir embora, Joe ajuda o milionário a perceber os reais interesses de seu braço-direito Drew (Jake Weber), que quer casar-se com Susan para assumir o controle de suas empresas de comunicação (a tal história paralela que não precisava estar no roteiro).

"Encontro marcado" tem uma direção de arte esplendorosa, que retrata com exatidão todo o glamour e o luxo que cerca os Parrish e uma fotografia deslumbrante de Emmanuel Lubezki (em especial em sua sequência final, de tirar o fôlego). A trilha sonora imponente de Thomas Newman dá o clima romântico necessário às cenas entre Joe e Susan - que, justiça seja feita, formam um lindo casal. E a trama central é interessante e adequada a esses tempos "espiritualizados" (além de alguns diálogos realmente bem escritos). Mas quando o filme acaba - aparentemente muito tempo depois de ter começado - a impressão que fica é que poderia ter sido muito mais bem-sucedido. Agrada aos mais românticos, mas perde a oportunidade de ser um belíssimo e inesquecível drama romântico.

Monday, November 29, 2010

PERFUME DE MULHER


PERFUME DE MULHER (Scent of a woman, 1992, Universal Pictures, 157min) Direção: Martin Brest. Roteiro: Bo Goldman, romance de Giovanni Arpino. Fotografia: Donald E. Thorin. Montagem: Harvey Rosenstock, William Steinkamp, Michael Tronick. Música: Thomas Newman. Figurino: Aude Bronson-Howard. Direção de arte/cenários: Angelo Graham/George DeTitta Jr. Casting: Ellen Lewis. Produção executiva: Ronald L. Schwary. Produção: Martin Brest. Elenco: Al Pacino, Chris O'Donnell, Gabrielle Anwar, Philip Seymour Hoffman, Todd Louiso, Bradley Whitford, James Rebhorn, Frances Conroy, Ron Eldard. Estreia: 23/12/92

4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Martin Brest), Ator (Al Pacino), Roteiro Adaptado
Vencedor do Oscar de Melhor Ator (Al Pacino)
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Ator/Drama (Al Pacino), Roteiro

Em tese, este "Perfume de mulher" é a refilmagem de um já clássico italiano de 1974 dirigido por Dino Risi e estrelado por Vittorio Gassman. Em tese. Na realidade, apenas a ideia central do filme de Risi é aproveitada nessa releitura do americano Martin Brest, que deu o tão esperado e aclamado Oscar de melhor ator a Al Pacino. E é Pacino, do alto de seu talento indiscutível, que faz com que um drama acadêmico e quase previsível caia no gosto da audiência, em mais uma atuação antológica em sua brilhante carreira.

O jovem Chris O'Donnell - que ficou com um papel para o qual até mesmo Chris Rock foi testado - vive Charlie Simms, um jovem e dedicado estudante de uma escola preparatória das mais tradicionais dos EUA. Sem recursos financeiros, ele vê sua bolsa de estudos correr risco de ser cancelada quando testemunha, ao lado de um colega milionário (interpretado por um jovem Philip Seymour Hoffman) um grupo de alunos aprontando um trote contra o diretor da instituição. Pressionado a contar em juízo o que testemunhou - sob pena de ser expulso da escola - Charlie vai passar o feriado de Ação de Graças fazendo um trabalho extra (para juntar dinheiro e passar o Natal com a família). O trabalho, que aparentemente seria fácil, torna-se complicado, porém: contratado para tomar conta de Frank Slade (Al Pacino), coronel do exército aposentado por cegueira, Charlie se vê acompanhando o veterano a uma viagem inesperada a Nova York. Lá, hospedado em um hotel cinco estrelas, Charlie frequenta restaurantes chiques, dirige uma Ferrari, visita a família do irmão do militar e, deslumbrado, o vê dançar tango com uma bela mulher. Fascinado com a maneira de Slade de levar a vida, Charlie fica chocado quando descobre que ele pretende cometer suícídio no final do feriado.

"Perfume de mulher" é inegavelmente um bom filme. Qualquer fã de cinema é obrigado a tirar o chapéu para a performance única de Pacino, entregue de corpo e alma à sua personagem irascível mas ao mesmo tempo apaixonante. O problema maior é que, ao seguir passo a passo a cartilha de como escrever um roteiro, Bo Goldman (também autor do sublime "Um estranho no ninho") não surpreende o espectador em momento algum. Desde o início é bastante óbvio, por exemplo, que a relação entre Slade e o jovem Charlie passará do profissional para o quase paternal e que o clímax, em uma reunião na instituição educacional onde começa o filme, será a grande cena do protagonista, aquela que justifica a premiação da Academia. As engrenagens do roteiro são quase visíveis demais para serem ignoradas e isso, dependendo de cada espectador, é claro, incomoda em grau maior ou menor.


Se essa questão um tanto técnica for deixada de lado, no entanto, "Perfume de mulher" é um espetáculo. Dirigido com sobriedade e interpretado com paixão - até mesmo o normalmente apático Chris O'Donnell entrega uma atuação passional - a versão de Brest do romance de Giovanni Arpino é o típico filme que os membros da Academia adoram: um protagonista com uma deficiência, lições de moral, dramas não muito pesados e um final "feliz". Se não fosse o ano de "Os imperdoáveis", era bem possível que tivesse levado o Oscar principal para casa, tamanha a sua adequação às normas hollywoodianas. Apesar de ter um linguajar barato e ter entre seus últimos desejos uma noite de sexo com uma prostituta, o contato mais erótico de Slade em relação a uma mulher é o belíssimo tango que dança com uma desconhecida - Gabrielle Anwar, que não fez a carreira que prometia aqui. Aliás, a cena do tango - que levou 3 dias para ser filmada - é, sem dúvida, a mais marcante do filme, digna de figurar em qualquer antologia dos momentos mágicos do cinema.

Apesar dos pequenos defeitos - que incomodam somente aos mais críticos, diga-se de passagem, uma vez que o público médio não se importa nem um pouco com detalhes técnicos - "Perfume de mulher" é um drama dos melhores, para se assistir ao lado da família. E é um dos trabalhos mais fascinantes de um dos melhores atores que o cinema americano produziu em sua história.