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Friday, January 27, 2012

LONGE DO PARAÍSO

LONGE DO PARAÍSO (Far from heaven, 2002, Focus Features, 107min) Direção e roteiro: Todd Haynes. Fotografia: Edward Lachman. Montagem: James Lyons. Música: Elmer Bersntein. Figurino: Sandy Powell. Direção de arte/cenários: Mark Friedberg/Ellen Christiansen. Produção executiva: George Clooney, Eric Robison, John Sloss, Steven Soderbergh, John Wells. Produção: Jody Patton, Christine Vachon. Elenco: Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, James Rebhorn, Viola Davis. Estreia: 22/11/02

4 indicações ao Oscar: Atriz (Julianne Moore), Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora Original

Um dos mais populares cineastas da década de 50, o alemão Douglas Sirk teve uma história dramática o suficiente para chegar às telas: quando o nazismo começou a ameaçar o mundo, em 1937, ele teve que abandonar seu país devido às perseguições a sua segunda mulher, a atriz de teatro Hilde Jary. Quem a denunciou (obrigando o casal a fugir para a Itália) foi a primeira esposa de Sirk, a mãe do seu filho (que ele nunca mais viu). O cineasta que, por ironia, era admirado por Goebbels, chegou em Hollywood em 1941, mas foi depois de 1950 que tornou-se uma espécie de marca registrada. Seus filmes estrelados por Rock Hudson ("Sublime obsessão", de 1954, "Tudo que o céu permite", de 1955 e "Palavras ao vento", de 1956), além do clássico "Imitação da vida", que Lana Turner estrelou em 1959 tinham como assinatura um visual extravagante (hoje denominado "kitsch") e um pendor para o melodrama que, apesar do sucesso comercial, só começou a ser reconhecido como estilo a partir dos anos 60, pela prestigiosa revista francesa "Cahiers du Cinéma".

Um dos maiores admiradores de Sirk, o cineasta Todd Haynes encontrou, em 2002, uma maneira de homenageá-lo. "Longe do paraíso", estrelado por Julianne Moore em um momento de grande inspiração, foi um dos filmes mais elogiados do ano, chegando a concorrer a quatro Oscar: além de Moore, a trilha sonora de Elmer Bernstein, a fotografia de Edward Lachman e o roteiro do diretor também foram indicados, mas todos acabaram perdendo as estatuetas. Mesmo assim, o filme de Haynes é um dos mais bem-acabados exemplares de um gênero que era extremamente popular há 60 anos mas que, com o advento do que convencionou-se chamar de "cinema moderno" caiu no limbo: o melodrama. Dono de um visual caprichadíssimo e uma trama que explora os preconceitos e as relações sociais da época, "Longe do paraíso" é uma poderosa vitrine para o talento de todos os envolvidos.



Julianne Moore - no mesmo ano em que também concorreu ao Oscar como coadjuvante por "As horas" - vive Cathy Whitaker, uma dona-de-casa perfeita dos anos 50. Sua vida consiste em cuidar da casa, dos filhos e do marido, o executivo Frank (Dennis Quaid, na melhor atuação de sua carreira), além de ser uma espécie de exemplo para todas as amigas. Seu mundo cor-de-rosa vira do avesso, porém, quando ela descobre que seu marido é homossexual - fato que levará o casal a tentar até mesmo eletrochoques - e começa uma amizade desinteressada por Raymond Deagan (Dennis Haysbert, o presidente dos EUA nas primeiras temporadas da série "24 horas"), o jardineiro de sua casa. Sua relação com um homem negro choca a sociedade e a leva a questionar a fragilidade de sua vida aparentemente intocável.

Além de seu elenco impecável - que também conta com a sempre ótima Patricia Clarkson - "Longe do paraíso" conta com um visual deslumbrante, que remete diretamente ao estilo de cinema que se pretende louvar. Cada cena, milimetricamente elaborada, é uma festa para os olhos, de um colorido obtido através do uso dos mesmos equipamentos utilizados na época em que se passa a trama de Haynes. O technicolor brilhante não apenas conta à audiência como eram os filmes então, e sim a mergulha diretamente no universo de Cathy, de cores exageradas que escondem a escuridão de sua vida matrimonial. Em conjunto com a grandiloquente música do maestro Elmer Bernstein (em seu último trabalho), a reconstituição de época detalhista, a fotografia e o roteiro (que consegue fugir da simples homenagem para ter uma potente vida própria), o filme do diretor de "Velvet goldmine" é um presente para os fãs do cinemão hollywoodiano que não se faz mais no século XXI. E talvez por isso possa parecer tão restrito.

"Longe do paraíso" não foi um sucesso de bilheteria, tendo rendido pouco mais de 15 milhões de dólares no mercado doméstico, o que não deixa de ser esperado. Mas é um dos dramas mais interessantes dos anos 2000, tanto em termos visuais quanto dramáticos. E Julianne Moore é um espetáculo à parte.

Monday, April 4, 2011

VIDAS EM JOGO

VIDAS EM JOGO (The game, 1997, Polygram Filmed Entertainment, 129min) Direção: David Fincher. Roteiro: John Brancato, Michael Ferris. Fotografia: Harris Savides. Montagem: James Haygood. Música: Howard Shore. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: Jeffrey Beecroft/Jackie Carr. Produção executiva: Jonathan Mostow. Produção: Ceán Chaffin, Steve Golin. Elenco: Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn, Peter Donat, Carroll Baker, Armin Mueller-Stahl. Estreia: 12/9/97

Cheio de moral depois do merecido sucesso de "Seven", o cineasta David Fincher poderia ficar em casa guardado por Deus contando vil metal e manter-se no caminho mais fácil para o êxito, se repetindo exaustivamente - e ao público, por conseguinte. Demonstrando que tem mais personalidade e inteligência do que seus colegas de ofício, porém, o criador de videoclipes antológicos, como "Vogue", de Madonna e "Freedom '90", de George Michael, escolheu como seu projeto seguinte um roteiro intrigante mas absolutamente fora dos padrões comerciais. "Vidas em jogo" transtornou tanto a crítica e o público americano que só foi chegar no Brasil um ano e meio depois de sua estreia nos EUA, e mesmo assim passou quase em brancas nuvens apesar dos nomes de Michael Douglas e Sean Penn enfeitando o cartaz. Quando se assiste ao filme, no entanto, fica claro o porquê de tanta frieza. "Vidas em jogo" é, mais do que um filme de suspense feito para render fortunas, um exercício de estilo e uma voraz crítica ao conformismo material - mesmo objeto de fúria do projeto seguinte de Fincher, o inacreditável "Clube da luta" (não por acaso, outro fracasso de bilheteria).

Em "Vidas em jogo" Michael Douglas interpreta Nicholas Van Orton, um multimilionário cujo sucesso financeiro não se reflete em suas relações pessoais. Separado da esposa, ele vive sozinho na mansão de sua família, na companhia apenas da governanta Ilsa (a ex-sex symbol Carroll Baker), que trabalha para ele desde sua infância. No dia em que completa 48 anos - idade em que seu pai cometeu suicídio jogando-se do telhado da casa - Nicholas recebe um presente inesperado de Conrad (Sean Penn), seu rebelde irmão caçula: o convite para ingressar em um misterioso jogo cujas regras não são exatamente claras. A partir do momento em que Nicholas se inscreve na tal empresa que criou o jogo, sua vida tediosa transforma-se imediatamente em um turbilhão de acidentes bizarros, coincidências estranhas e, pior do que tudo, uma insistência em lembrar-lhe da morte do pai. A única pessoa que o ajuda é a garçonete Christine (Deborah Kara Unger), mas nem mesmo ela parece assim tão confiável.


O roteiro de John Brancato e Michael Ferris é o tipo de roteiro que Hollywood raramente apresenta, principalmente porque se recusa a seguir os padrões pré-estabelecidos. Mesmo que o final do filme descambe para um certo moralismo - o que talvez frustre os mais radicais - seu desenvolvimento é exemplar. O público é arrastado, assim como o protagonista, a um mundo absolutamente imprevisível, onde é virtualmente impossível adivinhar o que vem pela frente. Conforme Nicholas Van Orton vai sendo surpreendido pelos desdobramentos absurdos do jogo proposto, a audiência vai sendo envolvida por uma trama em que nada é o que parece ser. É proposital a falta de informações que Fincher apresenta ao público, assim como é essencial ir revelando tudo aos poucos. E é claro, Fincher cercou-se de colaboradores que entenderam perfeitamente bem suas intenções estéticas.

Harris Savides providenciou a fotografia amarelada, claustrofóbica e em tom de pesadelo. O editor Hames Haygood não apressa o ritmo da história, acentuando a opressão sobre o protagonista. A trilha sonora de Howard Shore é forte, mas nunca chama a atenção para si, apenas pontuando com precisão os momentos mais tensos da narrativa. E o elenco, certamente, é o que faz com que o conto onírico proposto pelo cineasta convença o p´blico. Michael Douglas, que tem o dom de escolher bem seus projetos tem em sua atuação como Nicholas Van Orton mais um ponto alto de sua carreira. O veterano ator transmite todas as nuances de sua personagem com sua característica segurança e sua credibilidade junto à plateia é fundamental para que a história jamais escorregue para o absurdo. E Sean Penn - ficando com um papel que seria de Jodie Foster, que brigou com os produtores antes do início das filmagens - acumula mais um coadjuvante sensacional à sua galeria de tipos marginais, ainda que desta vez revestido de uma certa elegância.

Logicamente "Vidas em jogo" não pode ser recomendado à qualquer plateia, uma vez que foge dos padrões do gênero, desde sua ideia central até o final que, apesar de feliz, é bastante irônico. Mas, apesar de ser um filme considerado menor na carreira de David Fincher, merece ser louvado por sua inteligência, pelo clima sombrio e pela técnica impecável.

Wednesday, December 1, 2010

O ÓLEO DE LORENZO

O ÓLEO DE LORENZO (Lorenzo's oil, 1992, Universal Pictures, 129min) Direção George Miller. Roteiro: George Miller, Nick Enright. Fotografia: John Seale. Montagem: Marcus D'Arcy, Richard Francis-Bruce. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: Kristi Zea/Karen O'Hara. Casting: Canice Kennedy, John S. Lyons. Produção executiva: Arnold Burk. Produção: George Miller, Doug Mitchell. Elenco: Nick Nolte, Susan Sarandon, Peter Ustinov, Zach O'Malley, Laura Linney, James Rebhorn. Estreia: 30/12/92

2 indicações ao Oscar: Atriz (Susan Sarandon), Roteiro Original

Se o filme "O campeão" (1979), de Franco Zefirelli, era o pesadelo de qualquer criança, pode-se considerar este "O óleo de Lorenzo" como o mais aterrador sonho de quaisquer pais. Baseado em uma história real, o filme de George Miller - que apesar do background inusitado que inclui "Mad Max" e "As bruxas de Eastwick" é formado em Medicina - versa sobre o  mais profundo medo que uma mãe ou um pai possa ter em relação aos filhos: uma doença rara e incurável.

É justamente uma doença rara e incurável - adrenoleucodistrofia, uma doença degenerativa que mata os pacientes (sempre meninos antes da adolescência) poucos anos após seu diagnóstico - que ataca o pequeno Lorenzo Odone (o impressionante Zack O'Malley Greenburg) aos cinco anos de idade. Filho único da dona-de-casa Michaela (Susan Sarandon) e caçula do professor Augusto (Nick Nolte), ele torna-se agressivo repentinamente e, aos poucos, começa a perder o controle sobre os membros e a capacidade de comunicar-se verbalmente. Desesperados com a falta de conhecimento a respeito do mal que está destruindo o menino, o casal resolve investigar por conta própria e tentar encontrar uma maneira de deter o avanço da enfermidade. Desencorajado por outros pais que lideram uma associação, eles contam com a ajuda de um dedicado médico (Peter Ustinov) para atingir seu objetivo e impedir a morte de Lorenzo.

George Miller não poupa o espectador em sua jornada médico-familiar. Escorado em uma atuação quase miraculosa de Susan Sarandon, "O óleo de Lorenzo" não tenta fugir do dramalhão inerente à sua história: é um filme pesado, triste, sofrido, mas ao mesmo tempo é um conto repleto de esperança, amor e tenacidade. A batalha do casal Odone pela cura inexistente para a doença do filho é narrada de forma clássica pelo cineasta, que utiliza a trilha sonora barroco/religiosa para sublinhar os momentos de maior dramaticidade - um pequeno exagero que não chega a atrapalhar sua paixão pela história. Editado de forma ágil, com cenas curtas mas eficientes, o calvário de Lorenzo conquista a plateia devido principalmente à sua honestidade e extremo senso humano. Tudo coroado por uma Susan Sarandon que mereceria ter ganho o Oscar para o qual foi indicada - ela perdeu para Emma Thompson, em "Retorno a Howards End".


Com total entrega à sua personagem, Sarandon criou uma "mater dolorosa" como poucas vezes se viu no cinema americano nos anos 90, onde imperou o cinismo e a violência exarcebada. Seu estoicismo e sua coragem em encarar de frente uma situação desesperadora seguram o filme no limite do tolerável - afinal de contas, testemunhar um sofrimento como o de Lorenzo (interpretado com surpreendente talento pelo pequeno Zack O'Malley Greenburg) não é programa dos mais palatáveis. E sua performance memorável torna-se ainda mais fantástica quando comparada ao trabalho quase caricato de seu parceiro de cena: como o italiano Augusto Odone, Nick Nolte força a barra em inúmeros momentos, fazendo de sua trágica personagem um quase pastiche: um sotaque equivocado é o um dos defeitos de sua interpretação quase risível. Um ator mais sutil ao lado de Sarandon com certeza faria de "O óleo de Lorenzo" um filme ainda melhor.


Mesmo que não possa ser considerado jamais como um entretenimento agradável ou alto-astral, "O óleo de Lorenzo" é uma ode ao amor paterno e um elogio consagrador à esperança.

Monday, November 29, 2010

PERFUME DE MULHER


PERFUME DE MULHER (Scent of a woman, 1992, Universal Pictures, 157min) Direção: Martin Brest. Roteiro: Bo Goldman, romance de Giovanni Arpino. Fotografia: Donald E. Thorin. Montagem: Harvey Rosenstock, William Steinkamp, Michael Tronick. Música: Thomas Newman. Figurino: Aude Bronson-Howard. Direção de arte/cenários: Angelo Graham/George DeTitta Jr. Casting: Ellen Lewis. Produção executiva: Ronald L. Schwary. Produção: Martin Brest. Elenco: Al Pacino, Chris O'Donnell, Gabrielle Anwar, Philip Seymour Hoffman, Todd Louiso, Bradley Whitford, James Rebhorn, Frances Conroy, Ron Eldard. Estreia: 23/12/92

4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Martin Brest), Ator (Al Pacino), Roteiro Adaptado
Vencedor do Oscar de Melhor Ator (Al Pacino)
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Ator/Drama (Al Pacino), Roteiro

Em tese, este "Perfume de mulher" é a refilmagem de um já clássico italiano de 1974 dirigido por Dino Risi e estrelado por Vittorio Gassman. Em tese. Na realidade, apenas a ideia central do filme de Risi é aproveitada nessa releitura do americano Martin Brest, que deu o tão esperado e aclamado Oscar de melhor ator a Al Pacino. E é Pacino, do alto de seu talento indiscutível, que faz com que um drama acadêmico e quase previsível caia no gosto da audiência, em mais uma atuação antológica em sua brilhante carreira.

O jovem Chris O'Donnell - que ficou com um papel para o qual até mesmo Chris Rock foi testado - vive Charlie Simms, um jovem e dedicado estudante de uma escola preparatória das mais tradicionais dos EUA. Sem recursos financeiros, ele vê sua bolsa de estudos correr risco de ser cancelada quando testemunha, ao lado de um colega milionário (interpretado por um jovem Philip Seymour Hoffman) um grupo de alunos aprontando um trote contra o diretor da instituição. Pressionado a contar em juízo o que testemunhou - sob pena de ser expulso da escola - Charlie vai passar o feriado de Ação de Graças fazendo um trabalho extra (para juntar dinheiro e passar o Natal com a família). O trabalho, que aparentemente seria fácil, torna-se complicado, porém: contratado para tomar conta de Frank Slade (Al Pacino), coronel do exército aposentado por cegueira, Charlie se vê acompanhando o veterano a uma viagem inesperada a Nova York. Lá, hospedado em um hotel cinco estrelas, Charlie frequenta restaurantes chiques, dirige uma Ferrari, visita a família do irmão do militar e, deslumbrado, o vê dançar tango com uma bela mulher. Fascinado com a maneira de Slade de levar a vida, Charlie fica chocado quando descobre que ele pretende cometer suícídio no final do feriado.

"Perfume de mulher" é inegavelmente um bom filme. Qualquer fã de cinema é obrigado a tirar o chapéu para a performance única de Pacino, entregue de corpo e alma à sua personagem irascível mas ao mesmo tempo apaixonante. O problema maior é que, ao seguir passo a passo a cartilha de como escrever um roteiro, Bo Goldman (também autor do sublime "Um estranho no ninho") não surpreende o espectador em momento algum. Desde o início é bastante óbvio, por exemplo, que a relação entre Slade e o jovem Charlie passará do profissional para o quase paternal e que o clímax, em uma reunião na instituição educacional onde começa o filme, será a grande cena do protagonista, aquela que justifica a premiação da Academia. As engrenagens do roteiro são quase visíveis demais para serem ignoradas e isso, dependendo de cada espectador, é claro, incomoda em grau maior ou menor.


Se essa questão um tanto técnica for deixada de lado, no entanto, "Perfume de mulher" é um espetáculo. Dirigido com sobriedade e interpretado com paixão - até mesmo o normalmente apático Chris O'Donnell entrega uma atuação passional - a versão de Brest do romance de Giovanni Arpino é o típico filme que os membros da Academia adoram: um protagonista com uma deficiência, lições de moral, dramas não muito pesados e um final "feliz". Se não fosse o ano de "Os imperdoáveis", era bem possível que tivesse levado o Oscar principal para casa, tamanha a sua adequação às normas hollywoodianas. Apesar de ter um linguajar barato e ter entre seus últimos desejos uma noite de sexo com uma prostituta, o contato mais erótico de Slade em relação a uma mulher é o belíssimo tango que dança com uma desconhecida - Gabrielle Anwar, que não fez a carreira que prometia aqui. Aliás, a cena do tango - que levou 3 dias para ser filmada - é, sem dúvida, a mais marcante do filme, digna de figurar em qualquer antologia dos momentos mágicos do cinema.

Apesar dos pequenos defeitos - que incomodam somente aos mais críticos, diga-se de passagem, uma vez que o público médio não se importa nem um pouco com detalhes técnicos - "Perfume de mulher" é um drama dos melhores, para se assistir ao lado da família. E é um dos trabalhos mais fascinantes de um dos melhores atores que o cinema americano produziu em sua história.