Showing posts with label RICHARD ATTENBOROUGH. Show all posts
Showing posts with label RICHARD ATTENBOROUGH. Show all posts

Tuesday, December 7, 2010

JURASSIC PARK - PARQUE DOS DINOSSAUROS

JURASSIC PARK, PARQUE DOS DINOSSAUROS (Jurassic Park, 1993, Universal Pictures/Amblin Entertainment, 127min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Michael Crichton, David Koepp, romance de Michael Crichton. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Direção de arte/cenários: Rick Carter/Jackie Carr. Casting: Janet Hirshenson, Jane Jenkins. Produção: Kathleen Kennedy, Gerald R. Molen. Elenco: Sam Neil, Richard Attenborough, Laura Dern, Jeff Goldblum, Ariana Richards, Joseph Mazzello, Samuel L. Jackson, Wayne Knight. Estreia: 11/6/93

Vencedor de 3 Oscar: Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais

Quando Steven Spielberg deixa de lado sua vontade de ser um cineasta sério ele não brinca em serviço. Pouco antes de ganhar seus sete Oscar por "A lista de Schindler", ele brindou seu público sedento por um bom filme-pipoca com uma legítima obra-prima do gênero: além de ganhar 3 merecidos prêmios da Academia (efeitos visuais, som e efeitos sonoros), "Jurassic Park" ainda foi responsável por quebrar recordes e mais recordes de bilheteria, tornando-se um dos maiores fenômenos da história do cinema. Apesar da maciça campanha de marketing que tornou impossível ignorar o filme no verão americano de 1993, vale dizer que a obra de Spielberg que trouxe os dinossauros de volta à Terra mereceu cada centavo que arrecadou ao redor do globo.

Baseado em um romance de Michael Crichton, "Jurassic Park" tem como protagonista o milionário John Hammond (o cineasta Richard Attenborough, brincando de ator) que, ambicioso, cria o parque temático do título, que recriou dinossauros a partir de cadeias do DNA conservados em âmbar. Para dar legitimidade à sua criação e conseguir o aval de seus advogados, ele chama dois paleontólogos, Alan Grant (Sam Neil) e Ellie Sattler (Laura Dern) e um cientista, Ian Malcolm (Jeff Goldblum) que, ao lado dos dois netos do magnata, farão a primeira excursão pelo parque. No entanto, um funcionário ganancioso, em uma tentativa de trair o patrão, acaba causando um desastre e todos os animais criados no parque ficam à solta, em busca de alimento: os seres humanos.


É inegável que a intenção de Spielberg  com "Jurassic Park" é tão-somente divertir o espectador. Se as personagens não são exatamente profundos e seus dramas são quase raros isso importa muito pouco diante do impressionante resultado final. Poucas vezes o cinema escapista teve um representante tão digno. Em sequências aterrorizantes, o diretor utiliza a mágica trilha sonora do mestre John Williams para grudar o público na poltrona, com taquicardia certa. Os efeitos visuais são impecáveis até hoje - como sempre, a parte técnica da obra do diretor não fica nunca aquém de perfeita - e o ritmo, especialmente na segunda metade não deixa espaço para as personagens (e os espectadores, por conseguinte) respirarem.


As subtramas de "Jurassic Park", por sinal, não deixam de manter o estilo "família" de Steven Spielberg. A mais divertida delas une Alan Grant - um solteirão nada confortável perto de crianças - aos dois netos de Hammond, sofrendo pelo divórcio dos pais e sendo perseguidos avidamente por tiranossauros-rex famintos. Logicamente, a aventura que ele compartilha com os meninos mudará sua maneira de encarar uma possível paternidade, bem ao gosto do diretor, que, de leve, ainda desperta uma discussão moral e ética a respeito das possibilidades do ser humano em brincar de ser Deus - obviamente sem forçar a plateia a maiores elocubrações mentais. Da plateia só o que ele espera é que embarque sem reservas em sua montanha-russa desgovernada.

"Jurassic Park" não é filme para mudar a vida de ninguém. Mas é fascinante - a cena em que Alan e Ellie dão de cara com os primeiros dinossauros, ao som da música de John Williams, é um primor, reiterando o poder que a sétima arte tem em encantar os espectadores. E é também um dos melhores filmes de entretenimento produzidos por Hollywood em toda a sua história. Infelizmente, perdeu seu vigor, por conta de suas desnecessárias continuações.

Tuesday, November 30, 2010

CHAPLIN

CHAPLIN (Chaplin, 1992, Carolco Pictures, 143min) Direção: Richard Attenborough. Roteiro: William Boyd, Bryan Forbes, William Goldman, história de Diana Hawkins, livros "Chaplin: his life and art", de David Robinson e "My autobiography", de Charles Chaplin. Fotografia: Sven Nykvist. Montagem: Anne V. Coates. Música: John Barry, José Padilla. Figurino: Ellen Mirojnick, John Mollo. Direção de arte/cenários: Stuart Craig/Norman Dorme. Casting: Mike Fenton, Susie Figgis, Valorie Massalas. Produção: Richard Attenborough, Mario Kassar. Elenco: Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Anthony Hopkins, Moira Kelly, Dan Aykroyd, Marisa Tomei, Penelope Ann Miller, Kevin Kline, Maria Pitillo, Milla Jovovich, Diane Lane, Nancy Travis, James Woods. Estreia: 25/12/92

3 indicações ao Oscar: Ator (Robert Downey Jr.), Trilha Sonora Original, Direção de arte/cenários

Que Charles Chaplin foi um dos maiores gênios da história da humanidade é impossível discordar. Diretor e intérprete de clássicos absolutos como "O garoto", "Luzes da cidade" e "O grande ditador" - apenas para citar alguns de inúmeros títulos sensacionais - o ator inglês é uma das figuras mais reconhecidas da sétima arte, principalmente através de Carlitos, o vagabundo criado por ele e protagonista de muitos de seus filmes. Como a personagem foi criada, como algumas ideias para suas obras surgiram e principalmente como ele foi injustamente expulso dos EUA, acusado de ser simpatizante do comunismo, no entanto, não é material tão conhecido assim. Por isso, o cineasta Richard Attenborough resolveu que era hora de homenagear um de seus maiores ídolos com uma cinebiografia e lançou "Chaplin" no 15º aniversário de sua morte. Porém, ao contrário de sua obra mais famosa  -"Gandhi" - seu filme não apenas ficou aquém do esperado em termos de crítica, mas bombou feio nas bilheterias.

O papel principal de "Chaplin" ficou com o americano Robert Downey Jr., antes que seus problemas com drogas o tirasse das páginas de entretenimento e o colocasse na seção policial. Em uma atuação impressionante, Downey mostra que é, sim, um extraordinário ator, tirando leite de pedra de um roteiro capenga - inspirado em duas biografias do artista - que não ilustra a contento nem a carreira nem a vida pessoal de Charlie. Narrado em flashback, uma vez que a história é contada pelo diretor a um biógrafo (Anthony Hopkins), "Chaplin" começa mostrando a infância miserável do protagonista, que, abandonado pelo pai, substituiu a mãe com problemas mentais (Geraldine Chaplin interpretando sua avó) em um show de vaudeville e conheceu o gosto do sucesso. Contratado para fazer filmes em Hollywood - em saltos temporais que mais prejudicam do que ajudam na compreensão do todo - ele chega à conclusão que precisa de controle total sobre sua obra, entrando em rota de colisão com o então todo poderoso Mack Sennet (Dan Aykroyd) e a cineasta Mabel Normand (Marisa Tomei). De posse de seu talento e de sua fama, ele galga rapidamente os degraus do sucesso, emendando um sucesso atrás do outro. No entanto, sua predileção por mulheres mais jovens - e às vezes menores de idade - e o fato de ter comprado briga com o criador do FBI, J.Edgar Hoover (Kevin Dunn) os leva a ter sérios problemas com a justiça americana, culminando com sua expulsão do país.


"Chaplin" poderia ter sido contado com dois enfoques diferentes e bastante interessantes: Attenborough (que demonstrou um pouco de preguiça na direção) poderia ter explorado os bastidores da Hollywood do início do século XX, com suas brigas por poder, suas fofocas, seu glamour e a construção do cinema mais popular do biografado. Ou poderia ter optado por narrar as aventuras amorosas e sexuais de Chaplin e suas eventuais complicações - o relacionamento com a perturbada Joan Barry (Nancy Travis), o casamento feliz com Paulette Godard (Diane Lane) e a felicidade ao lado de Oona O'Neil (Moira Kelly), por exemplo. Ao tentar reunir tanta informação em um filme de duração comercial - menos de 2 horas e meia - o roteiro impede o espectador de ter um contato mais profundo com qualquer personagem e situação. Fica-se, então, privado do ótimo trabalho de Kevin Kline como Douglas Fairbanks Jr. ou de Diane Lane como Paulette Goddard - sem falar que a simpatia de Chaplin em relação ao povo judeu (e sua subsequente fama de "comunista") tem muita origem em seu casamento com ela. Logicamente seria impossível dentro dos limites do tempo equilibrar tudo que precisa ser contado, mas um pouco de foco não faria mal nenhum e ainda ajudaria na contemplação dos destaques da produção, essa sim, digna de nota.

Não foi à toa que "Chaplin" foi indicado ao Oscar de direção de arte. É visível o capricho na reconstituição da época mostrada no filme, assim como o figurino e a maquiagem. É fascinante a maneira com que Attenborough revela ao público alguns segredos de como eram realizados os filmes nos anos 10 e 20, bem como apresenta de maneira simpática a origem das ideias de Chaplin para resolver - de forma barata e eficiente - seus problemas criativos. Mas nem mesmo esse cuidado todo e a bela e delicada trilha sonora de John Barry - também indicada ao Oscar - não impedem que seja percebido o óbvio: "Chaplin" deve tudo o que é à interpretação arrebatadora de Robert Downey Jr.

Indicado ao Oscar por seu trabalho, Downey entrega uma atuação quase mediúnica. Ele desaparece dentro da personagem, fazendo com que o público esqueça que ali está um ator na pele de uma personalidade real. Para a audiência, Downey e Chaplin são a mesma pessoa, ao menos durante a duração do filme. É uma pena que ele tenha que arrancar essa atuação de dentro de si sem um roteiro que lhe faça jus. É de se imaginar o quão sensacional ele teria sido se tivesse uma base melhor!!!

Sunday, June 27, 2010

GANDHI


GANDHI (Gandhi, 1982, Columbia Pictures, 191min) Direção: Richard Attenborough. Roteiro: John Briley. Fotografia: Ronnie Taylor, Billy Williams. Montagem: John Bloom; Música: Ravi Shankar. Figurino: Bhanu Athaiya, John Mollo. Direção de arte/cenários: Stuart Craig/Michael Seirton. Casting: Susie Figgis. Produção executiva: Michael Stanley-Evans. Produção: Richard Attenborough. Elenco: Ben Kingsley, Candice Bergen, Edward Fox, John Gielgud, Trevor Howard, John Mills, Martin Sheen, Nigel Hawthorne. Estreia: 08/12/82

11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Richard Attenborough), Ator (Ben Kingsley), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Figurino, Direção de arte, Maquiagem, Som

Vencedor de 8 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Richard Attenborough), Ator (Ben Kingsley), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de arte

Vencedor de 5 Golden Globes: Melhor Filme Estrangeiro, Ator/Drama (Ben Kingsley), Diretor (Richard Attenborough), Roteiro, Melhor Estreia Masculina (Ben Kingsley)


Mahatma ("Grande Espírito") Gandhi foi uma das personaliades mais fascinantes do mundo, um advogado inteligente e sensível que, baseado em sua filosofia de não-violência liderou a batalha pela independência da Índia das mãos do império britânico. Assassinado em 1948, tornou-se símbolo da luta pela paz e pela igualdade. E é a personagem principal da cinebiografia que, dirigida por Richard Attenborough, foi um dos maiores papa-Oscar da década de 80. Disputando o prêmio máximo com obras como "ET", de Steven Spielberg e "Tootsie", de Sydney Pollack (ambos grandes sucessos de bilheteria), "Gandhi" levou a a estatueta de Melhor Filme e foi premiado em outras sete categorias. Prova tanto do poder de seu gênero - cinebiografias épicas - em fascinar a Academia quanto da beleza e da importância de sua história.

Projeto de estimação do diretor inglês Attenborough (que dez anos mais tarde comandaria o menos bem-sucedido "Chaplin"), a biografia do pacifisita indiano não despertou muito interesse dos estúdios hollywoodianos, o que o obrigou a recorrer a artifícios variados, como vender sua parte dos direitos sobre a peça de teatro "A ratoeira", de Agatha Christie. Além de comprometer-se em dirigir outros dois filmes para o produtor Joseph E. Levine, ele contou com a ajuda do amigo e produtor executivo Jake Eberts e de companhias de cinema inglesas. O custo do filme, de 22 milhões de dólares foi coberto - principalmente depois dos Oscar, quando sua bilheteria chegou perto de 53 milhões. Comparando com "ET", por exemplo, que rendeu mais de 300 milhões não chega a ser uma marca impressionante, mas o é levando-se em consideração vários aspectos de sua natureza.

Primeiro, "Gandhi" não é um filme de puro entretenimento. Apesar de ser tranquilamente recomendável para qualquer idade, uma vez que não abusa de violência desnecessária nem tampouco utiliza de sexo e palavrões para conquistar uma audiência menos intelectualizada, o filme de Attenborough é bastante lento (dura mais de três horas), tem um assunto um bocado específico (e muitas vezes exige um certo conhecimento histórico do público) e foge do tradicional "final edificante e moralizador", uma vez que o filme todo passa uma mensagem de paz e tolerância. "Gandhi" é um filme adulto, feito para adultos e com intenções bem mais nobres do que simplesmente angariar fortunas. E nesse objetivo ele acerta magistralmente.

Tecnicamente "Gandhi" é uma maravilha. Belissimamente fotografado e com uma reconstituição histórica e épica impecáveis, é um trabalho cuidadoso, feito notadamente com um carinho e uma dedicação raras. Narrado de forma quase didática, a trajetória de seu protagonista em direção a uma Índia mais igualitária e menos opressiva tenta seduzir sua audiência pela beleza, pela delicadeza, pela sinceridade, e para isso conta com uma atuação irretocável de Ben Kingsley, ele próprio descendente de indianos. Ao ficar com o papel cobiçado por Alec Guinness, Anthony Hopkins, John Hurt e até mesmo Dustin Hoffman (!!) ele entregou uma interpretação quase mediúnica de Gandhi, um trabalho inesquecível e comovente.

"Gandhi" não é um filme perfeito. Muitas vezes um tanto cansativo - culpa talvez do roteiro que insiste em mostrar prisões e greves de fome de sua personagem central repetidas vezes -, é uma obra que exige de sua plateia uma dedicação e uma entrega maiores do que o que acontece normalmente. Mas é, sem sombra de dúvida, um filme que precisa ser visto e aplaudido, pelo que ele é e principalmente pela personalidade que retrata.