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Thursday, December 8, 2011

POSSESSÃO

POSSESSÃO (Possession, 2002, USA Films/Warner Bros, 102min) Direção: Neil Labute. Roteiro: David Henry Hwang, Laura Jones, Neil LaBute, romance de A.S. Byatt. Fotografia: Jean-Yves Scoffier. Montagem: Claire Simpson. Música: Gabriel Yared. Figurino: Jenny Beavan. Direção de arte/cenários: Luciana Arrighi/Ian Whittaker. Produção executiva: Len Amato, David Barron. Produção: Barry Levinson, Paula Weinstein. Elenco: Gwyneth Paltrow, Aaron Eckhart, Jeremy Northam, Jennifer Ehle, Lena Headey. Estreia: 16/8/02

Quem diria? Neil LaBute, o responsável pela misoginia em estado puro de "Na companhia de homens", também tem um coração e sabe falar de amor... Diferente de todos os seus trabalhos anteriores - e a lista inclui o chato "Seus vizinhos, seus amigos" e a brilhante comédia "A enfermeira Betty" - o drama romântico "Possessão", baseado em um livro de A.S. Byatt, não apenas costura duas histórias de amor separadas por gerações mas também dá ao ator-fetiche de LaBute, o competente Aaron Eckhart, a chance de mostrar seu lado galante e sedutor sem ter que utilizar de seu charme cafajeste. Fracasso de bilheteria nos EUA (onde arrecadou menos da metade de seu orçamento relativamente pequeno de 25 milhões de dólares), é um filme com personagens reprimidas e aprisionadas a suas próprias regras de conduta. Não é exatamente o tipo de romance que os fãs de Meg Ryan consideram popular.

A despeito do título - idêntico ao do elogiado francês estrelado por Isabelle Adjani em 1981 - "Possessão" não é um filme de terror e nem ao mesmo flerta com qualquer ideia de reencarnação ou ideias afins. O roteiro apresenta ao público duas relações amorosas aparentemente sem maiores ligações que convergem para um final que equilibra o feliz com o melancólico. Eckhart está à vontade como Roland Michell, um americano com ambições de tornar-se um nome respeitado junto aos acadêmicos de literatura britânicos. Em uma pesquisa quase banal, ele dá de cara com um conjunto de cartas de amor escritas pelo poeta Randolph Ash (Jeremy Northam) na era vitoriana. O conteúdo das cartas leva Roland a suspeitar que a destinatária de tal dedicação não era a esposa de Ash mas sim outra poeta de renome, Christabell LaMotte (Jennifer Ehle). Para provar sua teoria, ele procura uma especialista na escritora, a inglesa Maude Bailey (Gwyneth Paltrow), que a princípio desacredita no romance por saber que Christabella tinha uma relação com outra mulher, a possessiva Blanche Glover (Lena Headey). Quando as investigações avançam e o relacionamento entre os dois poetas se transforma de uma possibilidade em uma certeza, os dois estudiosos acabam por perceber que também estão se apaixonando.

 

Neil LaBute consegue, em "Possessão", unir duas maneiras aparentemente conflitantes de narrativa sem tornar-se confuso ou incoerente. Enquanto investiga a trágica e romanesca relação entre Ash e Christabella ele se serve de todo a tonalidade dramática que a trama exige, usando e abusando da trilha sonora claustrofóbica de Gabriel Yared para sublinhar a sensação de sufocamento que o amor impossível entre os dois causa a eles e àqueles a seu redor. Quando concentra sua atenção no titubeante romance entre Roland e Maude, porém, ele dá à fotografia e à direção de arte tons menos quentes e mais sóbrios, com o objetivo de reiterar a distância imposta pela britânica em relação ao americano, a quem ela considera alguém inferior culturalmente (suposição que se torna cada vez mais forte conforme ele vai mostrando suas atitudes pouco éticas mas muito passionais em relação ao objetivo de sua busca). Talvez essa frieza seja um tanto excessiva (mas muito bem representada por Paltrow, com um belo sotaque em cena) a ponto de fazer com que a química entre a atriz e Aaron Eckhart não seja tão poderosa quanto deveria, mas de certa forma serve de contraponto ao vulcão prestes a explodir entre os dois poetas vitorianos. É quase como se o roteiro quisesse dizer que os dois modernos, jovens e atraentes pesquisadores do século XXI não sabem aproveitar a sorte que tem de poder viver sua história sem devastar as vidas de outras pessoas.

O fracasso de "Possessão" não foi justo. É um romance elegante, sofisticado e adulto que merecia mais sorte e menos críticas negativas. Tem defeitos, sim (e eles são nítidos, em especial quando se percebe a quase falta de jeito de seu diretor em abraçar a tragédia), mas levando-se em consideração a péssima qualidade da maioria dos filmes que tentam conquistar o público através de amores proibidos (quase sempre apelando para os mais vergonhosos clichês), eles são ínfimos. É difícil não se emocionar com o belo final (que proporciona à audiência uma pequena surpresa) e é sempre um prazer ver Gwyneth Paltrow e Aaron Eckhart em cena.

Monday, July 25, 2011

O TALENTOSO RIPLEY

O TALENTOSO RIPLEY (The talented Mr. Ripley, 1999, Miramax Films/Paramount Pictures, 139min) Direção: Anthony Minghella. Roteiro: Anthony Minghella, romance de Patricia Highsmith. Fotografia: John Seale. Montagem: Walter Murch. Música: Gabriel Yared. Figurino: Gary Jones, Ann Roth. Direção de arte/cenários: Roy Walker/Bruno Cesari. Produção executiva: Sydney Pollack. Produção: William Horberg, Tom Sternberg. Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, Philip Baker Hall, James Rebhorn, Jack Davenport, Celia Weston. Estreia: 25/12/99

5 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (Jude Law), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de Arte/Cenários

Uma das características dos filmes noir, que fizeram a glória do cinema de suspense dos anos 30 e 40 era a fotografia envolta em brumas, sombras e uma escuridão construída milimetricamente para criar o efeito pretendido. Com o clima montado a história, repleta de reviravoltas e personagens amorais era contada quase como um apêndice ao visual - e em alguns casos a trama era o que menos importava. Subvertendo as regras tanto visuais quanto temáticas do gênero, o diretor Anthony Minghella faz de “O talentoso Ripley” um noir às avessas, com a luz do sol brilhando majestosa em grande parte de sua metragem e uma trama consistente e intrigante cujo desenvolvimento prende o espectador do início ao fim.

Adaptado do livro de Patrícia Highsmith que já havia gerado o clássico francês “O sol por testemunha”, estrelado por Alain Delon, o roteiro de Minghella, em seu primeiro projeto após o multi-oscarizado “O paciente inglês” criou uma personagem inexistente no romance, a milionária Meredith Logue (interpretada com brilhantismo por Cate Blanchett) mas manteve o suspense da história intacto. O protagonista, Tom Ripley (Matt Damon, talvez uma escolha equivocada para o papel central, mas que se sai relativamente bem) é um pobre-coitado que vive de vários empregos e cujo maior talento, como ele mesmo diz, é falsificar documentos, imitar vozes e dar golpes. Confundido com um ex-aluno de Harvard, ele é enviado pelo milionário Greenleaf (James Rehborn) a uma pequena cidade da Itália com o objetivo de convencer seu filho único a voltar para a América. Chegando na Europa, Ripley se apaixona não só pela boa vida dos milionários como também pelo próprio Dickie Greenleaf (Jude Law), um bom-vivant mimado e mulherengo que engana a namorada Marge (Gwyneth Paltrow) descaradamente. Os dois tornam-se amigos, mas a personalidade extrovertida de Dickie e os segredos de Tom acabam por separando-os. Após uma tragédia que vitima Dickie, Tom Ripley assume sua identidade e passa a levar a vida que sempre sonhou. No entanto, o pai de Dickie manda um detetive à procura do filho, que está sendo acusado de um assassinato cometido pelo próprio Ripley.



A trama intrincada montada por Highsmith em seu romance encontra eco no roteiro inteligente de Minghella, que tranqüilamente consegue escapar do previsível, entregando a seu público um produto superior a seu filme mais famoso e premiado. A fotografia ensolarada de John Seale contrasta com a escuridão da vida de Ripley, cuja alma fragmentada não consegue encontrar uma luz. A trilha sonora, que respira jazz de categoria e a reconstituição de época competente completam um dos filmes mais elegantes do ano, que além de tudo revela o talento de Jude Law, com meros 28 anos e roubando descaradamente as cenas em que aparece.

Na pele de Dickie Greenleaf, o britânico Law consegue eclipsar todos à sua volta, com uma atuação sedutora que envolve não apenas as personagens do filme mas também a audiência. Sua presença luminosa é tão forte que quando ele sai de cena, depois da primeira hora de projeção, a impressão que se tem é que o filme perde sua energia. Felizmente o roteiro rocambolesco de Minghella e o elenco não permitem que "O talentoso Ripley" caia na vala comum dos filmes de suspense que privilegiam o sangue em detrimento da inteligência. Além do mais, é um raro caso de adaptação cinematográfica que não ofende os fãs do livro e nem tampouco decepcionam àqueles que buscam um filme realizado com talento e classe.

Os fãs de "O sol por testemunha" estrilaram, mas "O talentoso Ripley" é um filmaço, feito por quem entende do riscado. Infelizmente não foi tão bem recebido quanto "O paciente inglês" - preconceito ao gênero ou à coragem de Minghella em não ocultar o teor homoerótico da história?? - mas merecia melhor sorte no Oscar (ao menos Jude Law poderia tranquilamente ter levado sua estatueta...)

Thursday, June 16, 2011

SHAKESPEARE APAIXONADO

SHAKESPEARE APAIXONADO (Shakespeare in love, 1998, Universal Pictures/Miramax Films, 123min) Direção: John Madden. Roteiro: Marc Norman, Tom Stoppard. Fotografia: Richard Greatrex. Montagem: David Gamble. Música: Stephen Warbeck. Figurino: Sandy Powell. Direção de arte/cenários: Martin Childs/Jill Quertier. Produção executiva: Julie Goldstein, Bob Weinstein. Produção: Donna Gigliotti, Marc Norman, David Parfitt, Harvey Weinstein, Edward Zwick. Elenco: Joseph Fiennes, Gwyneth Paltrow, Judi Dench, Colin Firth, Geoffrey Rush, Tom Wilkinson, Ben Affleck, Rupert Everett, Imelda Staunton, Simon Callow. Estreia: 11/12/98

13 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (John Madden), Atriz (Gwyneth Paltrow), Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush), Atriz Coadjuvante (Judi Dench), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical, Figurino, Direção de arte/cenários, Maquiagem, Som
Vencedor de 7 Oscar: Melhor Filme, Atriz (Gwyneth Paltrow), Atriz Coadjuvante (Judi Dench), Roteiro Original, Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical, Figurino, Direção de Arte/Cenários
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Comédia ou Musical, Atriz/Comédia ou Musical (Gwyneth Paltrow), Roteiro

Em 1999, quando a comédia "Shakespeare apaixonado" levou o Oscar de Melhor Filme, os fãs de cinema que ainda não estavam acostumados com as idiossincrasias da Academia ficaram chocados e frustrados. Afinal de contas, perguntavam todos, como um filme tão leve e de interesse quase restrito - convenhamos que Shakespeare não é exatamente um nome que atraia audiências em massa para as salas de cinema - poderia ter sido eleito o melhor do ano, batendo obras tão fortes como "O resgate do soldado Ryan" e "Além da linha vermelha" (o supervalorizado filme de Terrence Malick com elenco grandioso e ritmo inexistente)? A maior surpresa, no entanto, advém de um simples fato: com exceção do prêmio de melhor atriz para Gwyneth Paltrow (que tem uma presença luminosa mas nunca espetacular), todas as 7 estatuetas que o filme de John Madden foram absolutamente merecidas. Sim, é uma comédia e é raro que o gênero seja reconhecido em cerimônias de premiação. Sim, seu diretor é correto mas nunca eficiente. E sim, talvez o drama de guerra de Steven Spielberg seja mais marcante. Mas a fictícia história de amor que envolve o maior dramaturgo da história com uma jovem prometida a outro homem é um romance engraçado e inteligente, capaz de estampar sorrisos no rosto do mais cético espectador.

Escrito por Marc Norman e Tom Stoppard, especialistas na obra do dramaturgo - o segundo inclusive é autor da peça teatral "Rosencrantz e Guildenrstern estão mortos" (cujos protagonistas são dois coadjuvantes de "Hamlet", e que virou filme estrelado por Gary Oldman e Tim Roth) - "Shakespeare apaixonado" está recheado de referências a trabalhos do bardo, de forma explícita ou nem tanto e aos costumes da época em que se passa, além de enxertar no texto personagens reais como o teatrólogo Christopher Marlowe (em uma rápida aparição do ótimo Rupert Everett). Apresentando também uma leve crítica à maneira machista como o teatro era tratado (mulheres eram proibidas de atuar, sendo os papéis femininos representados por adolescentes do sexo masculino), o filme brinca de maneira leve com os bastidores teatrais - talvez tenham vindo daí muitos dos votos, afinal boa parte da Academia é formada por atores - e especula a respeito da criação de um dos mais conhecidos textos de Shakespeare, "Romeu e Julieta".

A trama começa mostrando um jovem William Shakespeare (interpretado com graça e leveza por Joseph Fiennes) enfrentando um tremendo bloqueio criativo justamente quando é pressionado pelo aflito Philip Henslowe (Geoffrey Rush, indicado ao Oscar de coadjuvante), que precisa urgentemente de uma nova peça sob pena de sofrer nas mãos de seus credores. Sem saber que rumos dar à sua nova história, intitulada "Romeu e Ethel, a filha do pirata", o autor frequenta analistas, faz simpatias e busca dicas até mesmo de outros dramaturgos. A situação muda quando ele encontra uma musa inspiradora, a bela Viola de Lesseps (Gwyneth Paltrow), por quem se apaixona perdidamente sem saber que ela se disfarça de homem, sob o nome de Thomas Kent, para atuar em segredo em suas peças de teatro. Quando o engano é descoberto, eles iniciam um ardente romance, ameaçado pelo fato de a moça ser prometida ao nobre Lord Wessex (Colin Firth). Sua história de amor acaba influenciando sua obra, que passa de uma comédia ligeira - com um cão, como mandava o público - a uma intensa tragédia.


Inspirado na famosa dúvida sobre a musa para quem Shakespeare escreveu a maior parte de seus sonetos de amor, o filme de John Madden (que nunca chegou a manter o mesmo equilíbrio em seus trabalhos posteriores) se beneficia de um elenco impecável para atingir seu alto grau de entretenimento. Bastou oito minutos em cena para que Judi Dench tenha levado o Oscar de coadjuvante e Gwyneth Paltrow, se ofendeu os fãs de Meryl Streep, Fernanda Montenegro, Emily Watson e Cate Blanchett, não tem culpa nenhuma: seu trabalho é delicado, discreto e carismático, apesar de nunca ser brilhante ou inesquecível. Vale lembrar que, quando "Shakespeare apaixonado" começou a ser produzido, no início da década de 90, era Julia Roberts quem faria seu papel, ao lado de Daniel Day-Lewis. O ator preferiu ir fazer "Em nome do pai", o diretor Edward Zwick pulou fora do projeto e tudo ficou engavetado. Paltrow abocanhou o papel depois da recusa de Kate Winslet - e das prováveis candidatas Winona Ryder, Meg Ryan e Jodie Foster - e realizou um trabalho que lhe garantiu uma estatueta (mas não necessariamente um respeito unânime). Mas é bom também elogiar sua química com Joseph Fiennes, que, seguindo os passos do irmão mais velho, Ralph, esteve em dois filmes de grande visibilidade em 1998 - o outro foi "Elizabeth" - e conseguiu fazê-los de maneira convincente. Pena que o resto de sua carreira não manteve o mesmo nível.

Com uma trilha sonora deliciosa, uma edição extremamente eficaz e uma reconstituição de época impecável - além de um texto saboroso - "Shakespeare apaixonado" é uma pérola de criatividade e inteligência. Mereceu, sim, o Oscar de Melhor Filme.

Monday, May 23, 2011

UM CRIME PERFEITO

UM CRIME PERFEITO (A perfect murder, 1998, Warner Bros, 108min) Direção: Andrew Davis. Roteiro: Patrick Smith Kelly, peça teatral "Dial M for Murder", de Frederick Knott. Fotografia: Darius Wolski. Montagem: Dov Hoenig. Música: James Newton Howard. Figurino: Ellen Mirojnick. Direção de arte/cenários: Philip Rosenberg/Debra Schutt. Produção executiva: Stephen Brown. Produção: Anne Kopelson, Arnold Kopelson, Peter Macgregor-Scott, Christopher Mankiewicz. Elenco: Michael Douglas, Gwyneth Paltrow, Viggo Mortensen. Estreia: 05/6/98

Em 1954, o diretor inglês Alfred Hitchcock lançou "Disque M para matar", hoje um de seus trabalhos mais conhecidos. Baseado em uma peça de teatro de Frederick Knott, o filme estrelado por Ray Milland e Grace Kelly já utilizava elementos de 3D e contava com o habitual talento do cineasta para manter a plateia grudada na cadeira. Mais de 40 anos depois, o americano Andrew Davis - que comandou a versão para o cinema da telessérie "O fugitivo" e encheu os bolsos dos executivos da Warner - resolveu contar a mesma história, justificando a refilmagem com um batido "queremos ser mais fieis ao texto original". O resultado, por incrível que pareça, não é o desastre que se poderia esperar (como aconteceria com o remake de "Psicose", de Gus Van Sant), mas sim um filme elegante, de sustos discretos e reviravoltas bastante interessantes. Na verdade, é um filme muito diferente de seu original, o que é um elogio e tanto.

Fugindo da claustrofobia do original, que se passava quase que exclusivamente no apartamento dos protagonistas, a versão de Davis amplia o alcance da trama, levando suas personagens a galerias de arte, festas chiques e às ensolaradas ruas de Nova York. Michael Douglas, em uma atuação discreta, vive Steven Taylor, um aparentemente bem-sucedido empresário do mundo das finanças que, endividado, planeja o assassinato de sua esposa, a bela e mais jovem Emily (Gwyneth Paltrow). Para isso, ele chantageia o amante dela, o artista plástico David Shaw (Viggo Mortensen), que tem um histórico de golpes em mulheres ricas. Armando um plano meticulosamente calculado, Taylor precisa lidar com a frustração e a investigação policial quando as coisas fogem a seu controle.



Circulando pela sofisticação da alta sociedade nova-iorquina, Andrew Davis constrói um suspense eficiente, onde os acontecimentos importam mais do que os sustos ou a violência. Praticamente ignorando o filme de Hitchcock - com bastante propriedade - o cineasta conta sua história sem pressa, preferindo criar um clima sexy e opressivo. A química entre Gwyneth Paltrow - sempre de uma classe inquestionável - e Viggo Mortensen chama a atenção e proporciona algumas cenas bastante quentes, em especial na primeira metade do filme. Michael Douglas, por sua vez, brilha no papel de vilão sinistro, quase fazendo com que a audiência compactue com sua personagem. É preciso dizer, inclusive, que o trabalho de Douglas é tão interessante que, mesmo sendo o vilão do filme, é mais simpático do que a dupla Paltrow/Mortensen. A atriz está linda como sempre, mas sua personagem é quase apática, enquanto Mortensen não faz com que seu David Shaw conquiste o público, talvez por não ser exatamente o mocinho tradicional.

No final das contas, "Um crime perfeito" é um suspense que cumpre o que promete, mas que jamais atinge o nível de brilhantismo que poderia. Davis comprova seu talento em construir sequências de grande tensão, mas ao mesmo tempo deixa claro que lhe falta um talento maior para desenvolver personagens mais complexos - ainda que em seu filme ninguém seja exatamente santo. Essa falta de maniqueísmo o diferencia do corriqueiro, mas atrapalha suas intenções em fazer com que a audiência média se sinta absolutamente capaz de tomar partido de um dos lados da história. Gwyneth não está particularmente simpática nem Douglas completamente vilanesco. Se por um lado isso é bom (afinal de contas a realidade nunca é tão transparente) por outro foge dos padrões comerciais. "Um crime perfeito" é uma ótima opção para quem gosta do gênero, mas perde a chance de ser sensacional.

Sunday, May 15, 2011

GRANDES ESPERANÇAS

GRANDES ESPERANÇAS (Great expectations, 1998, 20th Century Fox, 111min) Direção: Alfonso Cuarón. Roteiro: Mitch Glazer, romance de Charles Dickens. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Montagem: Steven Weisberg. Música: Patrick Doyle. Figurino: Judianna Makowsky. Direção de arte/cenários: Tony Burrough/Susan Bode. Produção executiva: Deborah Lee. Produção: Art Linson. Elenco: Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow, Anne Bancroft, Robert De Niro, Hank Azaria, Chris Cooper, Kim Dickens. Estreia: 30/01/98

"Não vou contar a história como aconteceu. Vou contar a história como me lembro dela." Com essa informação essencial, o jovem Finnegan Bell (Ethan Hawke) começa a narrar seu romance com a bela e inacessível Estella (Gwyneth Paltrow) na versão anos 90 do clássico "Grandes esperanças", de Charles Dickens. Ao deixar o espectador ciente de que é sob seu ponto de vista que a trama se desenrolará, Finn promete, subliminarmente, que lhe dará um visual exuberante, digno do artista plástico que ele é. Com uma fotografia inacreditável do mexicano Emmanuel Lubezki - que valoriza o verde e muitas silhuetas - o filme de Alfonso Cuarón conquista primeiramente pela visão. Aos poucos, pela audição (graças à belíssima trilha sonora de Patrick Doyle). E quando o público percebe, está envolto também pelo coração. Mesmo que tenha muito pouco a ver com o original de Dickens - filmado em 1946 pelo inglês David Lean - "Grandes esperanças" é um lindo espetáculo romântico, valorizado pelo extremo cuidado visual.

Trazendo o original para a época atual - quando na verdade se passa no século XIX - a adaptação de Mitch Glazer (incompleta quando as filmagens começaram, para desgosto de Cuarón) difere e muito do original de Dickens, que se concentra na ascensão social de seu protagonista (que se chama Pip e não Finn), que não é um artista plástico. Modificando também os nomes das demais personagens, Glazer distancia-se do livro de Dickens quase a ponto de torná-lo irreconhecível. Os puristas, logicamente, detestaram. Quem nunca teve contato com o romance, porém, se encantou com uma história de amor que, se vendida sem nenhum vínculo literário poderia ter sido ainda mais bem-sucedida. A versão de Alfonso Cuarón - que foi revelado ao mundo com o excelente "Como água para chocolate" - reveste o erotismo pulsante do filme com uma sofisticação e uma elegância de encher os olhos. E ninguém melhor para encarnar essa sofisticação e essa elegância toda do que a deslumbrante Gwyneth Paltrow.


Ainda conhecida apenas como a noiva de Brad Pitt, apesar de seu ótimo trabalho em "Emma", Paltrow estava em vias de tornar-se uma atriz respeitada, dona de um controverso Oscar por "Shakespeare apaixonado" quando encarnou a bela, loira, chique e fria Estella. Sua beleza glacial e distante não apenas seduz Finn, mas a audiência masculina em peso (ao menos aqueles que consideram mais sexy uma beleza delicada do que a vulgaridade de mulheres-frutas). Estonteante, Gwyneth representa um mundo de glamour e luxo para o protagonista, um mundo de promessas fascinantes e possibilidades infinitas. Não é à toa que Finn se deixa levar pela ambição para conquistá-la.
 
Quando o filme começa, Finn é apenas um menino, criado pela irmã (Kim Dickens) e Joe (Chris Cooper), o namorado dela, que trabalha como pescador. Durante um passeio de barco para desenhar, Finn conhece Arthur Lustig (Robert DeNiro), um foragido da cadeia que exige que ele lhe ajude em sua fuga. Logo em seguida, o garoto vai com Joe para a famosa Mansão Paradiso Perduto, refúgio de uma enclausurada milionária que adentrou no mundo da loucura depois de ser abandonada no altar. É através da Sra. Dinsmoor (Anne Bancroft) que Finn conhece sua sobrinha, a bela Estella, por quem se apaixona à primeira vista. Os anos passam com o rapaz sempre fascinado com a beleza e a frieza da jovem, que viaja para morar em Nova York depois de acenar-lhe com uma possibilidade de amor. Sentindo-se inferiorizado por ser pobre e mal-nascido, Finn tem a chance de sua vida quando recebe a ajuda de um misterioso benfeitor, que lhe proporciona uma exposição em Manhattan e dinheiro suficiente para que ele se torne um bem-sucedido artista plástico. Famoso, reconhecido e rico, Finn tem, então, a possibilidade de conquistar o amor de sua vida.
 
Tudo bem que o roteiro de "Grandes esperanças" não é exatamente um primor e que seus protagonistas soem um tanto rasos. Tudo bem que quase nada sobre do romance que lhe deu origem. E tudo bem que a obsessão de Finn por sua amada Estella chegue às raias do exagero. Mas sobram, no filme de Cuarón, o que falta em muitas histórias de amor que chegam às telas: uma emoção transbordante e uma sensualidade à flor da pele. Juntos em cena, Gwyneth Paltrow e Ethan Hawke tem uma química sexual que se revela em pequenos olhares e pequenos toques. A cena em que Finn pinta retratos de uma Estella completamente nua ao som da bela "Like a friend", da banda Pulp, é digna de figurar em qualquer antologia de momentos eróticos do cinema. E eles nem precisam se tocar para isso...
 
E se Hawke e Paltrow se seguram muito bem como o casal central, é preciso também aplaudir o elenco coadjuvante, composto por veteranos que mostram em cada cena os motivos pelos quais são respeitados pela crítica e pelo público. Robert DeNiro equilibra bem os elementos repulsivos e generosos de seu Arthur Lustig, uma personagem crucial para a história. Chris Cooper quase rouba o show como o humilde Joe, em especial em seu reencontro com Finn, na vernissage do rapaz. E Anne Bancroft tem uma corajosa atuação, despindo-se de qualquer vaidade na pele da devastada Sra. Dinsmoor, em algumas das cenas mais comoventes do filme. Unidos à trilha sonora espetacular de Patrick Doyle e à beleza pictória de sua deslumbrante fotografia, eles fazem de "Grandes esperanças" uma bela história de amor, apesar do final um tanto abrupto.
 
Pode não ser uma unanimidade entre a crítica - e até mesmo entre os fãs de cinema - mas "Grandes esperanças" é um filme para ver e rever, sempre se deixando levar pelos sonhos românticos de Finnegan Bell.

Thursday, March 3, 2011

EMMA

EMMA (Emma, 1996, Miramax Films, 121min) Direção: Douglas McGrath. Roteiro: Douglas McGrath, romance de Jane Austen. Fotografia: Ian Wilson. Montagem: Lesley Walker. Música: Rachel Portman. Figurino: Ruth Myers. Direção de arte/cenários: Michael Howells/Totty Whately. Produção executiva: Donna Gigliotti, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Steven Haft. Elenco: Gwyneth Paltrow, Jeremy Northam, Ewan McGregor, Greta Scaachi, Toni Colette, Alan Cumming, Polly Walker, Juliet Stevenson, Phyllida Law. Estreia: 02/8/96

2 indicações ao Oscar: Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical, Figurino
Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical

"Não há nada no mundo mais bonito do que um casal bem formado." Com essa afirmação no mínimo questionável começa "Emma", mais uma adaptação de Jane Austen lançada na década de 90, logo após o sucesso de "Razão e sensibilidade". Adaptado e dirigido por Douglas McGrath - que não passa nem perto do talento de Ang Lee, diretor da produção estrelada por Emma Thompson e Kate Winslet - "Emma" fez uma bilheteria bastante razoável - principalmente se for considerado seu orçamento pequeno - e serviu basicamente para dar a primeira grande chance a Gwyneth Paltrow, que, a despeito de seus detratores, sai-se muito bem no papel-título, uma jovem e simpática alcoviteira que não percebe o amor que está debaixo do seu nariz.

A versão fiel do romance "Emma" - publicado em 1815 - chegou às telas americanas quase um ano depois que sua adaptação modernizada, "As patricinhas de Beverly Hills", alçou Alicia Silverstone à categoria de ídolo adolescente. Bem mais formal e clássico, o filme de McGrath tem um público-alvo mais sofisticado, deixando de lado os modernismos do cinema à MTV para concentrar-se basicamente na história a ser contada. Sua falta de ousadia combina com a suavidade da obra de Jane Austen, mas faz falta o senso delicado de humor de Ang Lee e da roteirista Emma Thompson, que emularam com perfeição a ironia e o sarcasmo adjacentes nos livros da escritora inglesa. "Emma" é bastante fiel ao livro que lhe deu origem, mas, apesar de ser bastante competente, não encanta como "Razão e sensibilidade".

Noiva de Brad Pitt à época das filmagens, Gwyneth Paltrow vive Emma Woodhouse, uma jovem bem-nascida, inteligente e de bom coração que tem como hobby juntar os corações solitários que a rodeiam. Sua principal missão é encontrar o par perfeito para sua amiga Harriet Smith (Toni Collette), que não tem seu mesmo nível financeiro e intelectual. Depois da frustrada tentativa de uní-la ao Reverendo Elton (Alan Cumming), ela insiste em sua busca através das pessoas de seu círculo social, sem perceber que isso a impede de achar um amor para si mesma. Quando a jovem demonstra interesse em um surpreendente pretendente é que Emma descobre que já está apaixonada por ele.



Quem leu o livro de Austen ou assistiu à comédia de Amy Heckerling sabe o desfecho de "Emma". Isso, porém, não impede o espectador de apreciar as inúmeras qualidades do filme de McGrath, que vão desde a belíssima fotografia de Ian Wilson à precisa reconstituição de época - sem contar a trilha sonora vencedora do Oscar. É um filme delicado e sensível, com diálogos engraçados e um elenco notável. Paltrow demonstra uma segurança ímpar no papel central e é cercada de atores que parecem prontos a roubar a cena a qualquer momento. Toni Colette está a quilômetros de distância de seu famoso papel de estreia na comédia dramática "O casamento de Muriel", Ewan McGregor - em vias de tornar-se astro por causa de "Trainspotting" - exercita um lado romântico sedutor inédito em sua carreira e Jeremy Northam abandona a persona cafajeste que vinha demonstrando em uma atuação sutil e encantadora. E seria injusto não citar a química excepcional entre Phylida Law e Juliet Stevenson - mãe e irmã de Emma Thompson na vida real - nos papéis de mãe e filha: enquanto a mãe não fala absolutamente nada o filme todo, a filha é uma matraca incurável e responsável por uma das cenas mais tocantes do longa.

"Emma" é uma deliciosa e fiel adaptação de um dos romances mais queridos da literatura inglesa, que mantém seu frescor até mesmo nos cínicos anos do século XXI. Estrelado por uma Gwyneth Paltrow cuja carreira ascenderia a ponto de lhe dar um Oscar quase inexplicável poucos anos depois, é também um filme capaz de agradar justamente por sua falta de ambições maiores do que simplesmente contar uma bela história de amor.

Friday, February 11, 2011

SEVEN, OS SETE CRIMES CAPITAIS

SEVEN, OS SETE CRIMES CAPITAIS (Seven, 1995, New Line Cinema, 127min) Direção: David Fincher. Roteiro: Andrew Kevin Walker. Fotografia: Darius Khondji. Montagem: Richard Francis-Bruce. Música: Howard Shore. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: Arthur Max/Clay A. Griffith. Produção executiva: Dan Kolsrud, Anne Kopelson, Gianni Nunnari. Produção: Phylis Carlyle, Arnold Kopelson. Elenco: Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, R. Lee Ermey, Mark Boone Jr. Estreia: 22/9/95

Indicado ao Oscar de Montagem

Os créditos iniciais já dão o tom do que vem pela frente: com a trilha sonora distorcida de Howard Shore por trás, imagens estremecidas e quase indistinguíveis mostram imagens desagradáveis e escuras, opressivas e angustiantes. É um aviso de David Fincher de que seu segundo filme - o primeiro desde as polêmicas reações a seu "Alien 3" - não é para qualquer estômago e, mais ainda, não tem a menor intenção de poupar ninguém, nem na plateia nem na tela. Um dos filmes mais corajosos dos anos 90 - e talvez por isso mesmo um dos momentos inesquecíveis do cinema policial em todos os tempos - o chocante "Seven, os sete crimes capitais" arrastou multidões às salas de exibição, com sua mistura perfeita entre clima sombrio, roteiro inteligente e um final avassalador. E é claro que contar com Brad Pitt encabeçando o elenco não atrapalhou em nada!!

Em plena ascensão à época do lançamento do filme, Pitt demonstrou que, ao contrário de vários colegas de profissão, se preocupava com os projetos nos quais investia. Sucessos seguidos como "Entrevista com o vampiro", "Lendas da paixão" e o posterior "Os 12 macacos" - que lhe garantiu uma indicação ao Oscar de coadjuvante - provaram que, além de bonito e sexy, ele também é um excelente ator, em especial nas mãos de um bom diretor. E bom é pouco quando se trata de David Fincher. Oriundo do universo dos videoclipes, Fincher aliou, em sua carreira como cineasta, o extremo bom-gosto estético à ousadia em escolher seus roteiros. Escrito por Andrew Kevin Walker em um momento de extrema inspiração, "Seven" é dos poucos filmes que conseguem encantar igualmente público e crítica e manter, mesmo passados quinze anos de sua estreia, o mesmo sabor de novidade. É impossível passar incólume à seu pessimismo e sua extraordinária força narrativa, reforçada pela fotografia soturna de Darius Khondji, um dos mais talentosos profissionais de sua área, que depois assinaria os belos enquadramentos de "Beleza roubada" e "Evita", por exemplo.

Passada em uma cidade não identificada - mas logicamente uma metrópole violenta e caótica - a história criada por Walker começa às vésperas da aposentadoria do metódico e dedicado detetive de homicídios William Sommerset (Morgan Freeman). Em sua última semana profissional ele torna-se parceiro do jovem e energético David Mills (Brad Pitt), recém chegado na cidade com a esposa Tracy (Gwyneth Paltrow). Juntos, eles começam a investigar uma série de homicídios que, descobrem, é cometida por um serial killer inspirado nos sete pecados capitais: gula, cobiça, preguiça, vaidade, luxúria, inveja e ira. Meticuloso, paciente e crudelíssimo, o assassino desafia os detetives até que, inesperadamente, se entrega, para apresentar a todos o clímax de seu diabólico plano.


É impressionante a maneira com que Fincher apresenta sua história, tanto pictoriamente quanto em termos narrativos. A escuridão e a umidade que a fotografia de Khondji transmite ao espectador é palpável e serve com perfeição às intenções negras do roteiro, pessimista e corajoso como poucos. Não deixa de ser irônico, no entanto, que justamente o terço final do filme - e seu inesquecível clímax - se passe em um ambiente ensolarado e espaçoso. Esse aparente paradoxo apenas confirma a vocação de Fincher em fugir do óbvio e surpreender a audiência. O diálogo travado entre o psicótico John Doe e David Mills na viatura policial, a caminho do desfecho genial do filme mostra bem essa dubiedade proposta pelo roteiro: em falas marcantes, Doe questiona se realmente as suas vítimas eram tão inocentes e até que ponto ele não estava apenas limpando uma sujeira que denegria a humanidade. É um texto forte, impactante e recitado por um Kevin Spacey em sua melhor forma.

Aliás, "Seven" também deve muitíssimo a seu elenco. Brad Pitt faz muito mais do que enfeitar a tela, entregando uma atuação visceral. Morgan Freeman tem uma presença silenciosa, precisa e apaziguadora. E Kevin Spacey prova - mais uma vez, como se fosse preciso - que é um dos atores mais espetaculares de Hollywood. No mesmo ano em que levou o Oscar por seu inacreditável Verbal Kint de "Os suspeitos", ele criou um estarrecedor John Doe, um dos vilões mais fascinantes da história do cinema. Seu olhar apático e seu tom de voz quase monocórdio estão na medida certa, compondo um monstro real e por isso mesmo assustador. Basta meia-hora em cena para Spacey botar todo mundo no bolso...

Um dos filmes mais sensacionais da história do cinema americano, "Seven" deu novo fôlego à carreira de David Fincher, confirmou Brad Pitt como o nome mais promissor dos anos 90, deu a Morgan Freeman um dos melhores papéis de sua carreira e marcou a ferro e fogo no imaginário mundial o trabalho impecável de Kevin Spacey. Inteligente, surpreendente e chocante, é uma das maiores obras-primas da sétima arte.