Tuesday, March 8, 2011

TERRA ESTRANGEIRA

TERRA ESTRANGEIRA (Terra estrangeira, 1996, Videofilmes, 100min) Direção: Walter Salles, Daniela Thomas. Roteiro: Marcos Bernstein, Millôr Fernandes, Walter Salles, Daniela Thomas. Fotografia: Walter Carvalho. Montagem: Felipe Lacerda, Walter Salles. Música: José Miguel Wisnik. Figurino: Cristina Camargo. Direção de arte: Daniela Thomas. Produção: Antonio da Cunha Telles, Flávio R. Tambellini. Elenco: Fernanda Torres, Fernando Alves Pinto, Alexandre Borges, Luis Mello, Laura Cardoso, Tcheky Karyo. Estreia: 05/9/96

Um bom par de anos antes de consagrar-se com o emocionante "Central do Brasil", o cineasta Walter Salles já havia mostrado aos fãs de bom cinema que não era um principiante sortudo. Apesar de seu filme de estreia, "A grande arte", baseado em um romance de Rubem Fonseca não ter sido tão bom quanto poderia, seu segundo trabalho superou toda e qualquer expectativa. "Terra estrangeira" é o primeiro filme da chamada "retomada do cinema nacional" que merece o adjetivo de filmaço! Forte, tocante e tecnicamente impecável, o filme co-dirigido por Daniela Thomas é um filme com cara de europeu, mas com uma preocupação temática absolutamente brasileira - ou, melhor ainda... universal.

Utilizando uma trama policial como pano de fundo para uma história de solidão e inadequação geográfica e cultural, "Terra estrangeira" se passa em 1990, quando o pacote econômico da então ministra Zélia Cardoso de Mello pegou milhares de brasileiros de surpresa ao confiscar suas cadernetas de poupança. Uma das vítimas fatais do plano é Maria Eizaguirre (Laura Cardoso) que morre de um enfarte logo após ouvir a notícia. Sua morte desespera seu filho único, o jovem Paco (Fernando Alves Pinto), um rapaz perdido que, com a morte da mãe, fica ainda mais desnorteado. Sem absolutamente rumo nenhum na vida, ele recebe uma proposta aparentemente irrecusável do misterioso Igor (Luis Mello), que lhe oferece dinheiro - e a possibilidade de conhecer a terra de sua mãe - para que ele passe com um violino para Lisboa. O que Paco nem sequer desconfia é que dentro do violino está uma pequena fortuna em diamantes. Quando chega em Portugal, Paco descobre que o receptador da mercadoria, Miguel (Alexandre Borges) foi assassinado e, com a ajuda hesitante da namorada dele, a também brasileira Alex (Fernanda Torres), tenta resolver a situação da melhor maneira, se envolvendo com um perigoso time de contrabandistas internacionais.

Fotografado por Walter Carvalho em um deslumbrante preto-e-branco, "Terra estrangeira" é uma obra-prima visual. Cada plano milimetricamente estudado pelos cineastas tem uma função específica dentro da história e enche os olhos com paisagens absurdas e enquadramentos geniais. Cada sequência parece uma pintura, mas ao contrário de muitos filmes que se dedicam ao visual e esquecem da história, aqui nada é por acaso, com a intenção única de seduzir o espectador pelo sentido da visão. A trama criada pelos roteiristas - cujo time inclui até mesmo o genial Millôr Fernandes - é digna dos melhores policiais americanos, ainda que seu ritmo e sua cadência lembrem bem mais o cinema europeu, por sua naturalidade e poesia mesmo nos momentos mais violentos. Não é um típico noir americano - ainda que muitas de suas cenas sejam envoltas em brumas - nem tampouco um chato exercício de estilo à la Wim Wenders. É um filme com identidade própia, que credenciou Salles como um dos mais promissores cineastas brasileiros da década de 90, uma promessa que se cumpriu com louvor. Além de ser um esteta acima de qualquer crítica, Salles é também um excelente e cuidadoso diretor de atores, como a indicação ao Oscar de Fernanda Montenegro por "Central do Brasil" comprovou.


Em "Terra estrangeira" é Fernandinha Torres quem lidera um elenco impecável. Na pele da desesperançada Alex, Fernanda tem uma atuação visceral, tensa e angustiada que desmente a teoria de que é uma atriz puramente cômica. Seu olhar triste encontra uma espécie de espelho às avessas em Fernando Alves Pinto - filho do escritor Ziraldo - que encarna um Paco juvenil e que, mesmo em uma passagem dramática de sua vida, ainda parece querer entender e conquistar o mundo. Atuando ao lado de veteranos como Laura Cardoso e Luis Mello - além de uma participação especial de Tcheky Karyo - o casal de protagonistas encanta pela naturalidade com que enfrenta os obstáculos que não param de surgir à sua frente. Mas nem a fotografia espetacular, nem a trilha delicada de José Miguel Wisnik e nem mesmo as atuações brilhantes fazem frente ao melhor que "Terra estrangeira" tem a oferecer: seu tema subjacente.

Realizado em uma época em que sair do Brasil parecia ser a solução mais eficaz para deixar para trás todos os problemas, "Terra estrangeira" retrata, em seu roteiro, uma faixa da população que até então não havia sido sequer percebida pela nossa filmografia. Alex e Miguel são brasileiros que vivem na Europa em busca de uma vida melhor, mesmo sentindo-se deslocados, sofrendo preconceitos e sendo totalmente infelizes. Paco sai de São Paulo em direção à San Sebastian de sua mãe tentando encontrar uma saída para sua vida apática. A Lisboa de "Terra estrangeira" pode ser lindamente fotografada, mas é um caldeirão de culturas díspares que, ao contrário de Nova York, não é exatamente hospitaleiro a forasteiros. Como diz auma de suas personagens, Lisboa é o lugar ideal para perder alguém ou perder-se de si mesmo.

É emblemática a mais famosa cena do filme, com Alex e Paco abraçados frente a um navio encalhado. Assim como o barco, eles estão presos a uma constante busca pelo lugar a que pertencem, sem jamais parecer pertencer a qualquer parte do mundo. Não é à toa que Alex, em determinado momento, diz nem ao mesmo saber onde é sua casa... Ao voltar seus olhos à essa geração perdida, desolada e sem destino, Salles criou uma pérola do cinema brazuca que merece ser conhecida ou reencontrada. E nem mesmo seu final em aberto consegue estragar a sensação de absoluto deleite que é assistir a "Terra estrangeira".

Monday, March 7, 2011

NOSSO TIPO DE MULHER

NOSSO TIPO DE MULHER (She's the one, 1996, 20th Century Fox, 96min) Direção e roteiro: Edward Burns. Fotografia: Frank Prinzi. Montagem: Susan Graef. Música: Tom Petty. Figurino: Susan Lyall. Direção de arte/cenários: William Barclay/Harriet Zucker. Produção executiva: Michael Nozik, Robert Redford. Produção: Edward Burns, Ted Hope, James Schamus. Elenco: Edward Burns, Jennifer Aniston, Mike McGlone, Cameron Diaz, John Mahoney, Maxine Bahns, Amanda Peet. Estreia: 23/8/96

Por mais que Woody Allen, com sua habitual modéstia, acredite que não influencia a obra de ninguém, é impossível assistir-se a "Nosso tipo de mulher", uma comédia romântica a respeito dos relacionamentos de nova-iorquinos um tanto neuróticos e sempre com uma frase sarcástica na ponta da língua. Excetuando-se os fatos de que os personagens criados por Edward Burns são católicos descendentes de irlandeses  e que não são exatamente sofisticados, existe muito de Allen em "Nosso tipo de mulher". Felizmente, coisas boas.

Segunda parte de uma espécie de trilogia do jovem ator/roteirista/diretor/produtor Edward Burns - iniciada com "Os irmãos McMullen" (1995) e finalizada com "No looking back" (1998) - o filme conta as aventuras amorosas de dois irmãos de personalidades opostas (uma espécie de "Razão e sensibilidade" masculino e moderno): o mais velho, Mickey (vivido pelo diretor) trabalha como taxista desde que flagrou a noiva transando com outro homem e, em uma de suas viagens, conhece e se apaixona por Hope (Maxine Bahns), uma garçonete que sonha morar em Paris mas que, no momento, mora em um apartamento caindo aos pedaços. Em um ato impulsivo, eles se casam no mesmo dia em que se conhecem, o que pega toda a família de surpresa. O pai machista (John Mahoney) acredita que ela deseja o green card (mesmo que ela seja americana), a mãe (que jamais aparece em cena) acha que a nora está grávida. Mas quem fica mais chocado com a notícia é seu irmão caçula, Francis (Mike McGlone). Executivo de Wall Street, ambicioso e certinho, ele vê o casamento de Mickey causar um alvoroço em sua própria vida amorosa: não apenas passa a ser cobrado pela esposa Renee (Jennifer Aniston) como ainda entra em crise com a amante, Heather (Cameron Diaz), que vem a ser justamente a ex-noiva de seu irmão.


A ciranda amorosa bolada por Burns propicia bons momentos de humor, em especial quando o roteiro dá oportunidade para que os três membros masculinos da família Fitzpatrick estejam juntos, normalmente se preparando para uma pescaria. As diferenças entre seus pontos de vista e a forma como elas empurram o filme em direção a um clímax não poderoso mas coerente e romântico fazem com que tudo soe verossímil e o elenco escalado ajuda muito nesse quesito. A estrela maior é Cameron Diaz, já entrando na melhor fase de sua carreira - que culminaria com "Quem vai ficar com Mary?" cerca de um ano depois - e não tendo muito trabalho em parecer bonita e sexy. Jennifer Aniston, dando seus primeiros passos reais no cinema, não foge muito dos trejeitos de sua Rachel Green da série "Friends", mas é tão agradável que dá pra perdoar facilmente. E Maxine Bahns, que interpreta Hope, a mulher que entra em cena para desestabilizar a harmonia familiar, era namorada do diretor na época das filmagens, o que talvez explique sua escalação, já que não é especialmente bonita nem uma grande e carismática atriz.

Mas não deixa de ser irônico que em um filme chamado "Nosso tipo de mulher" seja justamente os homens que se destaquem. A química entre Burns e Mike McGlone (que já haviam atuado juntos em "Os irmãos McMullen") é palpável, e a aquisição do ótimo John Mahoney para o time não poderia ter sido melhor. Mahoney é engraçado, sério e convincente em cada cena, dando verdade a todos os diálogos que lhe cabem e simplesmente roubando o filme para si - mesmo porque Burns, apesar de talentoso como roteirista e cineasta parece estar sempre com uma certa preguiça para atuar (estilo, talvez...)

No fim das contas, "Nosso tipo de mulher" é uma comédia romântica inofensiva como todas elas devem ser. É irônica, é engraçada e é extremamente agradável. Não muda a vida de ninguém, mas é um passatempo bastante honesto.

Sunday, March 6, 2011

TEMPO DE MATAR

TEMPO DE MATAR (A time to kill, 1996, Warner Bros/Regency Enterprises, 149min) Direção: Joel Schumacher. Roteiro: Akiva Goldsman, romance de John Grisham. Fotografia: Peter Menzies Jr. Montagem: William Steinkamp. Música: Elliott Goldenthal. Figurino: Ingrid Ferrin. Direção de arte/cenários: Larry Fulton/Dorree Cooper. Produção: John Grisham, Hunt Lowry, Arnon Milchan, Michael Nathanson. Elenco: Matthew McConaughey, Kevin Spacey, Samuel L. Jackson, Sandra Bullock, Oliver Platt, Charles S. Dutton, Kiefer Sutherland, Donald Sutherland, Ashley Judd, Patrick McGoohan, Brenda Fricker, Chris Cooper, Doug Hutchinson, Kurtwood Smith. Estreia: 24/7/96

Desde que "A firma" estreou, em 1994, praticamente todos os livros do escritor John Grisham foram adaptados para o cinema, com graus distintos de qualidade. Suas tramas, sempre centradas em advogados em crises de ética ou pessoais ou ambas, tornaram-se quase um gênero à parte dentro da indústria hollywoodiana, mas o que pouca gente percebeu é que, apesar de ser considerado um autor especializados em temas jurídicos, nenhum dos filmes baseados em sua obra tinha reais cenas em um tribunal. Julgamentos em si não apareceram nem em "A firma", nem em "O dossiê Pelicano" e nem tampouco em "O cliente". Esse tabu foi quebrado por "Tempo de matar" que, a despeito de ter sido o primeiro romance do escritor, só chegou às telas em 1996. E o julgamento mostrado no filme - e que ocupa boa parte de sua longa projeção - é tão empolgante que até faz esquecer os finais anti-climáticos de suas adaptações anteriores.

Escrito como resposta a uma indignação silenciosa de Grisham diante de um caso que testemunhou nos tribunais em seu tempo como estudante de Direito, "Tempo de matar" foi publicado em 1989 e demorou a chegar às telas justamente por ser o trabalho preferido do escritor, que hesitou por muito tempo antes de vender seus direitos à Hollywood por medo de vê-lo estragado pelos produtores. Seu medo tornou-se de paranoia à ameaça real quando Kevin Costner interessou-se pelo projeto mas exigia controle absoluto sobre o resultado final. Na metade dos anos 90, Costner já não era tão confiável quanto no início da década e Grisham deu sinal vermelho à produção. Quando Joel Schumacher assumiu a direção - depois de ter comandado o correto "O cliente" - o projeto deslanchou. Nomes como Brad Pitt, Val Kilmer e Woody Harrelson foram cotados para interpretar o protagonista, que surpreendentemente acabou nas mãos de Matthew McConaughey, um ator pouco conhecido que estava escalado para um papel menor. Bonito e charmoso, McConaughey agarrou com unhas e dentes sua grande chance e não decepcionou. Comparado pela crítica ao jovem Paul Newman, tornou-se um promissor astro e, mesmo atuando ao lado de pesos-pesados como Kevin Spacey, Samuel L. Jackson e Donald Sutherland não saiu-se nada mal.


A sequência inicial já deixa bem claro que "Tempo de matar" irá mais além do que seus antecessores. Uma menina negra caminha, cheia de compras, em um dia de extremo calor, em direção à sua casa. Dois homens brancos, bêbados, a abatem com uma lata de cerveja e, como animais, a estupram, espancam e a deixam à beira da morte. A menina é filha de Carl Lee Hailey (Samuel L. Jackson), um operário, que, conhecendo as leis do lugar onde vive - sul dos EUA - resolve fazer justiça com as próprias mãos e mata os dois agressores, ferindo ainda um guarda, que tem sua perna amputada em consequência de um tiro. McConaughey entra em cena como Jake Brigance, um idealista advogado que resolve assumir o caso de Hailey mesmo que isso o torne persona non grata na cidade e o faça sofrer ameaças da Ku Klux Klan. Determinado a fazer justiça e não deixar que a cor da pele de seu cliente seja um fator determinante em seu veredicto, ele precisa enfrentar o promotor Rufus Beckley (Kevin Spacey mais uma vez fantástico) e conta com a ajuda da estudante Ellen Roark (Sandra Bullock, cujo prestígio na época é a única explicação para que tenha seu nome em primeiro lugar nos créditos de abertura).

Sem precisar se esforçar muito para adaptar "Tempo de matar" - cuja prosa fluente e ágil já é praticamente um pré-roteiro - Akiva Goldsman acertou em manter as cenas-chave da história no seu devido lugar. Narrado de forma convencional mas sem perder o ritmo em nenhum momento - nem mesmo quando tentam forçar um romancezinho xinfrim entre McConaughey e Bullock - o filme se beneficia de sua alta qualidade técnica e artística. A fotografia de Peter Menzies Jr. dá o exato tom de calor que a trama exige, e a música de Elliot Goldenthal, mesmo não escapando dos clichês, emociona nas horas certas e não assume importância excessiva. E o elenco coadjuvante não poderia ser melhor: Kiefer Sutherland, Oliver Platt, Brenda Fricker, Chris Cooper e Ashley Judd pontuam com correção o brilho dos colegas protagonistas, em especial Samuel L. Jackson - como um furioso Carl Lee Hailey - e Kevin Spacey, como o cínico promotor que é mais vaidoso do que honesto.

A bilheteria generosa de "Tempo de matar" credenciou Joel Schumacher a ser o comandante de "Batman & Robin" e "Batman eternamente", que quase acabaram com a franquia do homem-morcego - e por conseguinte com sua própria carreira. Mas, por mais que os fãs da série ainda não tenham lhe perdoado (e com toda razão), uma qualidade sua tem que ser louvada: Schumacher é um cineasta que nunca tenta brilhar mais do que seus atores. E "Tempo de matar" é a prova dessa afirmação. É um grande filme de tribunal, com uma ótima história, um elenco impecável e é capaz de emocionar aos mais sensíveis. Entretenimento para adultos que exigem qualidade mas dispensam complexidades. Altamente recomendável!

Friday, March 4, 2011

CORAGEM SOB FOGO

CORAGEM SOB FOGO (Courage under fire, 1996, Fox 2000 Pictures, 117min) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Patrick Sheane Duncan. Fotografia: Roger Deakins. Montagem: Steven Rosenlblum. Música: James Horner. Figurino: Francine Jamison-Tanchuck. Direção de arte/cenários: John Graysmark/Rick Gentz. Produção executiva: Joseph M. Caracciolo, Debra Martin Chase. Produção: John Davis, David T. Friendly, Joseph M. Singer. Elenco: Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips, Michael Moriarty, Matt Damon, Zeljko Ivanek, Sean Astin, Sean Patrick Thomas. Estreia: 12/7/96

O primeiro filme de um grande estúdio hollywoodiano a respeito do conflito do Iraque não foi uma obra exatamente do gênero que todos poderiam esperar. Ao contrário de um convencional filme de guerra, "Coragem sob fogo", dirigido pelo competente Edward Zwick, é um drama sobre pessoas, acima de qualquer outra coisa. Mesmo contando com algumas sequências que retratam com bastante fidelidade as batalhas travadas entre americanos e iraquianos, o cerne do roteiro de Patrick Sheane Duncan - autor do script de "Mr. Holland, adorável professor" - é a dificulade do Tenente Nat Serling (Denzel Washington) em lidar com uma tragédia ocorrida em combate ao mesmo tempo que investiga a verdade sobre a morte da primeira oficial norte-americana cotada para uma Medalha de Honra do exército.

Seguindo a estrutura do clássico "Rashomon", de Akira Kurosawa, "Coragem sob fogo" começa quando o Tenente Serling, por engano, vitima alguns colegas durante uma batalha no deserto. Extremamente abalado pelo trágico acontecimento, ele recebe a missão de apurar as circunstâncias da morte de Karen Walden (Meg Ryan), uma capitã que morreu depois de ter salvo a vida de soldados ameaçados pelos inimigos. Indicada para receber a maior homenagem do exército americano, ela torna-se objeto de uma dedicada investigação por parte do oficial em crise de consciência. Serling acaba se vendo diante de subordinados de Walden contando histórias diferentes da morte de sua líder: enquanto o jovem Ilario (Matt Damon, quase vinte quilos mais magro do que o normal) a considera uma mulher corajosa e heróica, o rebelde Monfriez (Lou Diamond Phillips, de "La Bamba") a vê como uma covarde que arriscou a vida de seu pelotão. Cabe a Sterling definir o que é verdade e o que não é.


"Coragem sob fogo" estreou nos EUA cercado de muita expectativa e um burburinho que o classificava como o primeiro filme do ano "com cara de Oscar". No entanto, fazendo um sucesso apenas relativo nas bilheterias, acabou sendo ignorado em todas as cerimônias importantes. Antes que seja taxado de injustiçado, porém, é preciso que se tenha a frieza de perceber que, apesar dos talentos envolvidos e do tema momentoso, é um filme que fica longe de ser tão empolgante quanto promete. Longe de ser ruim - tem qualidades gritantes, tanto técnica quanto artisticamente - também não consegue impressionar sua audiência, ao contrário do filme anterior do cineasta, o dramaticamente superior "Lendas da paixão".

Talvez o maior problema no roteiro de "Coragem sob fogo" seja a decisão de contar duas histórias simultaneamente. Provavelmente para não deixar que Denzel Washington fosse apenas um coadjuvante da trama bem mais interessante que cerca a morte de Karen Walden, inventaram para sua personagem uma tragédia inicial que pouco acrescenta ao resultado final. Já iniciando sua fase de ser mais Denzel Washington do que qualquer personagem, o oscarizado ator mesmo assim tem pouco a fazer, sendo eclipsado pelo elenco coadjuvante. Se Matt Damon pouco foi percebido pela crítica por seu belo trabalho - mas não por Francis Ford Coppola, que o escalou para "O homem que fazia chover" - toda a mídia não se furtou a tecer loas encantadas com a atuação de Lou Diamond Phillips, como o quase psicótico soldado Monfriez. Os elogios a Phillips não foram exagerados: sua interpretação é forte, com uma potência dramática que se avoluma a cada cena, até explodir em uma climática sequência que esclarece todas as dúvidas - tanto do Tenente Serling quanto da audiência.

Mas é inegável que o grande diferencial de "Coragem sob fogo" - além de ter inaugurado o filão de filmes sobre o Iraque - é a escalação de Meg Ryan para o papel crucial da Capitã Karen Walden. Conhecida do grande público por seus papéis de mocinha em comédias românticas como "Sintonia de amor", Ryan tentou uma guinada na carreira, na pele de uma complexa líder militar. Não apenas por ser uma soldada - com toda a preparação física que o papel exige - Karen Walden proporcionou a ela a chance de mostrar todas as nuances de seu trabalho. Nem sempre ela consegue, mas é bem sucedida ao fazer com que todos esqueçam que ela é a mesma atriz responsável pelo orgasmo falso mais conhecida da história do cinema, em "Harry & Sally, feitos um para o outro". Esforçada, ela não tem culpa se o roteiro não explora a contento todas as probabilidades que poderia.

Fotografado com maestria por Roger Deakins - um dos melhores profissionais em sua área - e editado com competência ímpar (além de utilizar os efeitos de som com inteligência), "Coragem sob fogo" é um filme que prende a atenção do espectador até seus momentos finais, podendo até mesmo surpreendê-lo com suas viradas. Não é um petardo como "O resgate do soldado Ryan", por exemplo, mas é um filme que reitera o talento de Edward Zwick em transitar entre diversos gêneros sem nunca perder a elegância.

Thursday, March 3, 2011

EMMA

EMMA (Emma, 1996, Miramax Films, 121min) Direção: Douglas McGrath. Roteiro: Douglas McGrath, romance de Jane Austen. Fotografia: Ian Wilson. Montagem: Lesley Walker. Música: Rachel Portman. Figurino: Ruth Myers. Direção de arte/cenários: Michael Howells/Totty Whately. Produção executiva: Donna Gigliotti, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Steven Haft. Elenco: Gwyneth Paltrow, Jeremy Northam, Ewan McGregor, Greta Scaachi, Toni Colette, Alan Cumming, Polly Walker, Juliet Stevenson, Phyllida Law. Estreia: 02/8/96

2 indicações ao Oscar: Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical, Figurino
Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical

"Não há nada no mundo mais bonito do que um casal bem formado." Com essa afirmação no mínimo questionável começa "Emma", mais uma adaptação de Jane Austen lançada na década de 90, logo após o sucesso de "Razão e sensibilidade". Adaptado e dirigido por Douglas McGrath - que não passa nem perto do talento de Ang Lee, diretor da produção estrelada por Emma Thompson e Kate Winslet - "Emma" fez uma bilheteria bastante razoável - principalmente se for considerado seu orçamento pequeno - e serviu basicamente para dar a primeira grande chance a Gwyneth Paltrow, que, a despeito de seus detratores, sai-se muito bem no papel-título, uma jovem e simpática alcoviteira que não percebe o amor que está debaixo do seu nariz.

A versão fiel do romance "Emma" - publicado em 1815 - chegou às telas americanas quase um ano depois que sua adaptação modernizada, "As patricinhas de Beverly Hills", alçou Alicia Silverstone à categoria de ídolo adolescente. Bem mais formal e clássico, o filme de McGrath tem um público-alvo mais sofisticado, deixando de lado os modernismos do cinema à MTV para concentrar-se basicamente na história a ser contada. Sua falta de ousadia combina com a suavidade da obra de Jane Austen, mas faz falta o senso delicado de humor de Ang Lee e da roteirista Emma Thompson, que emularam com perfeição a ironia e o sarcasmo adjacentes nos livros da escritora inglesa. "Emma" é bastante fiel ao livro que lhe deu origem, mas, apesar de ser bastante competente, não encanta como "Razão e sensibilidade".

Noiva de Brad Pitt à época das filmagens, Gwyneth Paltrow vive Emma Woodhouse, uma jovem bem-nascida, inteligente e de bom coração que tem como hobby juntar os corações solitários que a rodeiam. Sua principal missão é encontrar o par perfeito para sua amiga Harriet Smith (Toni Collette), que não tem seu mesmo nível financeiro e intelectual. Depois da frustrada tentativa de uní-la ao Reverendo Elton (Alan Cumming), ela insiste em sua busca através das pessoas de seu círculo social, sem perceber que isso a impede de achar um amor para si mesma. Quando a jovem demonstra interesse em um surpreendente pretendente é que Emma descobre que já está apaixonada por ele.



Quem leu o livro de Austen ou assistiu à comédia de Amy Heckerling sabe o desfecho de "Emma". Isso, porém, não impede o espectador de apreciar as inúmeras qualidades do filme de McGrath, que vão desde a belíssima fotografia de Ian Wilson à precisa reconstituição de época - sem contar a trilha sonora vencedora do Oscar. É um filme delicado e sensível, com diálogos engraçados e um elenco notável. Paltrow demonstra uma segurança ímpar no papel central e é cercada de atores que parecem prontos a roubar a cena a qualquer momento. Toni Colette está a quilômetros de distância de seu famoso papel de estreia na comédia dramática "O casamento de Muriel", Ewan McGregor - em vias de tornar-se astro por causa de "Trainspotting" - exercita um lado romântico sedutor inédito em sua carreira e Jeremy Northam abandona a persona cafajeste que vinha demonstrando em uma atuação sutil e encantadora. E seria injusto não citar a química excepcional entre Phylida Law e Juliet Stevenson - mãe e irmã de Emma Thompson na vida real - nos papéis de mãe e filha: enquanto a mãe não fala absolutamente nada o filme todo, a filha é uma matraca incurável e responsável por uma das cenas mais tocantes do longa.

"Emma" é uma deliciosa e fiel adaptação de um dos romances mais queridos da literatura inglesa, que mantém seu frescor até mesmo nos cínicos anos do século XXI. Estrelado por uma Gwyneth Paltrow cuja carreira ascenderia a ponto de lhe dar um Oscar quase inexplicável poucos anos depois, é também um filme capaz de agradar justamente por sua falta de ambições maiores do que simplesmente contar uma bela história de amor.

Tuesday, March 1, 2011

TRAINSPOTTING, SEM LIMITES

TRAINSPOTTING, SEM LIMITES (Trainspotting, 1996, Channel Four Films, 94min) Direção: Danny Boyle. Roteiro: John Hodge, romance de Irvine Welsh. Fotografia: Brian Tufano. Montagem: Masahiro Irakubo. Figurino: Rachael Fleming. Direção de arte/cenários: Kave Quinn/Tracey Gallacher. Produção: Andrew Macdonald. Elenco: Ewan McGregor, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller, Ewen Bremner, Kevin McKidd, Kelly Macdonald. Estreia: 23/02/96

Indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado

Em 1995, o cineasta inglês Danny Boyle lançou "Cova rasa", um suspense recheado de humor negro que empolgou a crítica e revelou o talento do jovem ator Ewan McGregor. Ao respeitar as regras básicas do gênero incutindo nele referências pop e uma modernidade estilística, Boyle tornou-se um "nome a ser guardado e observado". Por mais ferrenhos que fossem seus admiradores de então, nem mesmo eles poderiam prever o que viria a seguir. "Trainspotting, sem limites", o segundo longa do diretor causou enorme furor já em sua estreia, no Festival de Cannes de 1996. Acusado de ser uma apologia às drogas, o filme chegou aos cinemas americanos cercado de uma controvérsia que só fez aumentar sua popularidade. Exageradamente apelidado de "o 'Laranja Mecânica' dos anos 90", reacendeu a polêmica sobre o papel do cinema na sociedade e sua má influência à juventude. Exagerada ou não, a discussão sobre sua ideologia quase ofuscou as qualidades da obra de Boyle como cinema propriamente dito. Felizmente, muita gente descobriu que, por trás de sua aparente subversão, "Trainspotting" é um grande filme.

Até mesmo a sisuda Academia de Hollywood foi obrigada a dar o braço a torcer, indicando o roteiro de John Hodge - adaptado de um romance estranho e difícil de Irvine Welsh - ao Oscar. Mesmo que não tenha tido a menor chance de vitória - perdeu para o hoje esquecido "Na corda bamba", de Billy Bob Thornton - só o fato de ter rompido o preconceito contra um cinema quase marginal - pelo tema, em especial - já atesta a sua força. Ao encontrar uma linha narrativa em um livro de estrutura quase anárquica, que dá vozes a diversas personagens sem seguir um enredo sólido, Hodge realizou um trabalho impecável e, por incrível que pareça, fiel ao espírito transgressor da obra que lhe deu origem. E, obviamente, contar com a criatividade avassaladora de Danny Boyle na direção só ajudou.


À primeira vista, "Trainspotting" acompanha a trajetória de um grupo de jovens escoceses viciados em heroína. Uma análise mais cuidadosa, porém, revela uma poderosa crítica à sociedade de consumo e à hipocrisia reinante não apenas no país, mas de maneira geral. O protagonista, Mark Renton (Ewan McGregor) é um rapaz que tem como principal mote de sua existência o niilismo absoluto: usuário de drogas, ele se vê repentinamente se forçando a abandonar o vício ao ser preso pelo roubo em uma loja. Passando por uma tenebrosa crise de abstinência, ele conta com a ajuda (ou não) de seu grupo de amigos: o galã Sick Boy (Jonny Lee Miller), o psicótico Begbie (Robert Carlyle), o também viciado Spud (Ewen Bremner) e o romântico Tommy (Kevin McKidd). O filme mostra como Renton busca fugir da vida de drogado - e consequentemente mergulhar no capitalismo que tanto despreza - através de uma série de anedotas e acontecimentos engraçados/chocantes/trágicos.

O que talvez tenha incomodado tanto os censores de plantão seja a absoluta falta de vontade de Hodge, Welsh e Boyle de utilizar "Trainspotting" como uma lição de moral. Não é verdade que o filme exalte o uso de drogas, ainda que Renton descreva a sensação de estar chapado como "mil vezes melhor que seu melhor orgasmo". Tampouco é panfletário, mesmo que apresente algumas cenas chocantes e trágicas - algumas embaladas em um visual atraente e criativo, mas mesmo assim bastante fortes. Não existe certo e errado na história de Irvine Welsh, apenas situações que, extremas, obrigam suas personagens a tomar decisões quase definitivas. Mas é inegável que, por trás de bebês mortos e mergulhos em sanitários imundos, existe um fator que desequilibra a balança: ao utilizar uma trilha sonora vibrante, atores atraentes e um irresistível humor negro para contar sua história, Boyle de certa forma reveste de um certo glamour o mundo das drogas. Mas aí a velha questão volta a martelar: o cinema tem a obrigação de educar ou é apenas um espelho da sociedade? Ou ainda: depois de todo esse bafafá... "Trainspotting" é ou não um bom filme?

A resposta é clara: um sonoro SIM. "Trainspotting" tem um roteiro diferente do corriqueiro, um elenco brilhante (liderado por um magérrimo e dedicado Ewan McGregor), uma trilha sonora antenada (que não saiu das pistas de dança por bons meses) e uma edição desenfreada mas nunca confusa ou sufocante. Dirigido com firmeza por um Danny Boyle no auge de seu vigor criativo - que lhe daria um Oscar pelo bom mas menor "Quem quer ser um milionário?" - é um retrato de sua época e de uma juventude que não estava disposta a sentar em frente a uma TV se alimentando de comida enlatada. Se isso incomodou tanto, é porque tocou em uma ferida muito sensível da sociedade dos anos 90. Isso é cinema!

PS: Visitem meu outro blog e leiam uma outra visão minha do filme:

http://lennysmind.blogspot.com/2010/03/filmes-que-mudaram-minha-vida.html

MISSÃO IMPOSSÍVEL

MISSÃO IMPOSSÍVEL (Mission: impossible, 1996, Paramount Pictures, 110min) Direção: Brian De Palma. Roteiro: David Koepp, Robert Towne, história de David Koepp, Steven Zaillian, série de TV criada por Bruce Geller. Fotografia: Stephen H. Burum. Montagem: Paul Hirsch. Música: Danny Elfman. Figurino: Penny Rose. Direção de arte/cenários: Norman Reynolds/Peter Howitt. Produção executiva: Paul Hitchcock. Produção: Tom Cruise, Paula Wagner. Elenco: Tom Cruise, Jon Voight, Emmanuele Bèart, Henry Czerny, Jean Reno, Ving Rhames, Kristin Scott-Thomas, Vanessa Redgrave, Emilio Estevez. Estreia: 22/5/96

Na metade da década de 90, Tom Cruise já era um astro estabelecido e consagrado, tanto em termos comerciais quanto artísticos, tendo sido inclusive reconhecido com uma indicação ao Oscar por seu trabalho em "Nascido em 4 de julho". Adorado pelas fãs, bem casado - então com a bela Nicole Kidman - e poderoso, parecia que nada lhe faltava. Mas ambição pouca é bobagem e o galã de "Top Gun, ases indomáveis" deu, então, um passo adiante dentro da indústria: uniu-se a sua empresária Paula Wagner e tornou-se produtor de cinema. Sua estreia na função não poderia ter sido mais bem-sucedida: adaptado de uma famosa série de TV americana, "Missão impossível" não apenas rendeu milhares e milhares de dólares como também abriu uma lucrativa franquia e elevou Cruise a um improvável posto de herói de filmes de ação.

Lançada em 1966, no auge da Guerra Fria, a série criada por Bruce Geller durou 7 temporadas e empolgava a audiência com tramas bem elaboradas sobre espionagem e agentes secretos. Sua versão cinematográfica é feliz em modernizar o conceito da série sem perder sua essência, equilibrando sequências de ação bem cuidadas e cenas do mais puro suspense, o que trai a presença de Brian DePalma na cadeira de diretor. Acostumado a brincar com o público em cenas de absoluta tensão - que o digam "Os intocáveis" e "O pagamento final" - DePalma exercita mais uma vez seu lado hitchcockiano, sem, no entanto, esquecer em momento algum que está comandando um produto comercial caro e que tem por objetivo divertir acima de tudo. A violência gráfica e explícita de "Scarface", por exemplo, é deixada de lado, substituída por uma elegância concisa, que se estende ao elenco escalado em várias partes do mundo e que se mostra ideal para a trama desenvolvida especialmente para a versão cinematográfica do seriado.



O roteiro - escrito por David Koepp e Robert Towne, dois dos mais respeitados profissionais da área - começa em Praga, para onde a equipe de Jim Phelps (Jon Voight) é enviada com a missão de apossar-se de um disquete com informações fundamentais para o governo americano. As coisas, porém, dão muito errado e o time praticamente é exterminado sob os olhos do líder do grupo, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise). Acusado de traição por um dos chefes da organização, Eugene Kittridge (Henry Czerny), cabe a Hunt provar sua inocência e descobrir quem é o verdadeiro agente duplo. Para isso, ele conta com a ajuda da mulher de Phelps, a bela Claire (Emmanuele Beart) e de dois agentes renegados, Franz Krieger (Jean Reno) e Luther Stickell (Ving Rhames, o Marcelus Wallace de "Pulp Fiction").

Filmado em locações na Tchecoslováquia, "Missão impossível" é um thriller empolgante, realizado com capricho - e um orçamento generoso. A trama intrincada criada por Towne e Koepp nada mais é do que a desculpa para algumas cenas de tirar o fôlego, sejam elas grandiosas (a luta final dentro de um túnel, com direito até mesmo a um helicóptero) ou minimalistas (já é antológica a cena em que Cruise, na pele de Hunt, fica pendurado a poucos centímetros do chão de uma sala milimetricamente à prova de intrusos). O tal disquete com informações políticas nada mais é do que um exemplar dos famosos "mcguffins" tão queridos a Alfred Hitchcock - elementos de importância vital às personagens, mas que servem apenas para justificar o andamento do roteiro. No caso de "Missão impossível", a lista capaz de corromper aos mais íntegros não é tão importante quanto a edição impecável e o cuidado com a parte técnica: é exemplar a maneira com que Brian DePalma lida com o desenho de som e com o uso parcimonioso dos efeitos visuais em seu filme. Eles fazem parte da trama e nunca são exagerados, nem mesmo no clímax final, em que o quase cerebralismo de sua primeira parte dá espaço à adrenalina total.

"Missão impossível" é diversão de primeira qualidade. Conta com um elenco escalado a dedo - que se dá ao luxo de ter Emilio Estevez, Kristin Scott-Thomas e Vanessa Redgrave como coadjuvantes de luxo - e não subestima a inteligência do espectador. Mesmo tendo gerado duas continuações que dão mais valor à pirotecnias visuais do que a tramas consistentes, é uma auspiciosa estreia de Tom Cruise como produtor.